domingo, junho 05, 2011

Derrotas eleitorais

Numa altura em que se perspectivava uma empate técnico nos dois partidos políticos com maior representação na Assembleia da República (AR), foi com satisfação que vi aquela que era  até agora a Oposição levar a melhor. Não o conseguiu com uma vitória esmagadora, mas venceu de forma inegável.

A derrota daquele que ficou conhecido como o "timoneiro" do Governo que levou o País ao descalabro era vaticinada em alguns meios mais restritos. Timidamente passou a ser partilhada publicamente. Mas sem grande alarido, na medida em que poucas eram as pessoas que acreditavam na vitória do outro que até nem era muito conhecido no mundo político. Muita gente acreditava que o "animal político" ía  levar mais uma vez a melhor, e que durante os próximos anos seria mais do mesmo, ou seja, 4 anos de legislatura socialista. Assim não foi.

O Primeiro Ministro demissionário subestimou claramente o seu adversário. Aquele que não tinha passado político (um dos argumentos esgrimidos durante toda a campanha). Aquele que até foi Administrador de várias empresas e que não era detentor de uma curricula política tão vasto e consolidado como o seu. Mas o "princípio do fim" começou no debate televisivo que pôs frente a frente estes dois candidatos. E o saldo foi positivo. Para o partido "centro-direita".

Neste último acto eleitoral houve um claro vencedor. Aquele que aqui cheguei a dizer que teria de alterar a sua postura. Que teria de ser mais assertivo. De se preparar bem para a guerra que teria  de ser travada com o outro candidato com mais experiência, com mais traquejo. A questão, na minha óptica, passava pela mudança de atitude. E por jogar com o mesmo baralho. Sem grandes fantasias. Sem grandes "viagens". E assim foi.

É certo que há uma panóplia enorme de "image advisors" nos bastidores. É certo que há lugar à preparação milimétrica de alguns discursos e debates (para quem não sabe, as perguntas são conhecidas antes do debate). Mas também é certo que foi notória uma melhor preparação por parte do "benjamim" dos sociais democratas em detrimento ou em contraste com a não preparação daquele que deu as legislativas como vencidas.

Para concluir, uma palavra de consolo à extrema esquerda. Aqueles que nos últimos actos eleitorais viram a sua representatividade aumentar no hemiciclo. Aqueles que se vangloriavam pelo facto de acto eleitoral para acto eleitoral, serem a esperança dos portugueses. Acabaram por ser a desilusão. Numa altura crítica do País,  de crise, em que os portugueses querem  sentir segurança, pretendem decisões maduras e pensadas, recusaram-se a negociar com a troika. Qual brincadeira de crianças. Qual "braço-de-ferro". Aliás, uma recusa partilhada com os primos "encarnados" (sendo que estes ainda conseguiram manter o resultado de actos eleitorais anteriores).

Para breve augura-se a negociação das pastas (ministérios) entre os dois partidos vencedores, que se unem neste momento em aliança democrática pós-eleitoral. Só assim é tornada possível uma governação sustentada na maioria absoluta e que permitirá a tomada de medidas que não só assegurarão o cumprimento dos compromissos assumidos com a troika, bem como garantirão a tão esperada estabilidade governativa. Já não era sem tempo.

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