domingo, junho 26, 2011

Período de Graça

O "Período de Graça" ou "Grace Period" (para quem gosta de fazer uns brilharetes de vez em quando e partilhar com os demais o seu profundo conhecimento na língua britânica) será o período de tempo em que tudo é permitido a alguém. Desde o estagiário que pretensa (e desejavelmente) ocupará uma determinada posição numa empresa, passando pelo caso de um novo Governo em funções ou mesmo das relações afectivas.

Em qualquer um dos três casos acima há algo transversal: As primeiras impressões. São essas que, quer se queira (quer não), acabam por ficar. Desde a avaliação da pontualidade e absentismo do estagiário, a sua postura aquando de determinado pedido por parte de um superior, o seu relacionamento com os demais colegas...tudo isto acaba por ser equacionado no tal determinado "período de graça". Há com toda a certeza alguns "graus de liberdade", mas não serão tantos quanto isso. E seguramente que, na hora da decisão de contratação (ou não) serão naturalmente tidos em linha de conta.

No caso da política as coisas são mais aligeiradas. Explico porquê. Tome-se o exemplo do Governo demissionário. Facilmente se constata que o período de graça foi de meia dúzia de anos quando deveria ter sido no máximo de 1 ano (já em loucura extrema). Não faz sentido que se tenha deixado perpetuar algo que desde o início mostrou que não ía dar bom resultado. E mais quando foram conhecidos tantos escândalos pelo meio. 

Na minha humilde e singela percepção desta realidade, há medidas concretizáveis no curto, médio e longo prazo. Aliás, fazem comummente parte do programa eleitoral de cada um dos candidatos a determinado cargo político. O que interessará, no final, não é mais que a verificação do desvio face aos compromissos anteriormente assumidos com os portugueses. Não raro ouve-se falar em "legado político", como que aludindo à "não culpa" de tudo. Bem sei. Mas também sei que aquando da candidatura esse "legado" é conhecido (se não houver surpresas escondidas) e como tal, não me parece legitimada esta argumentação que peca pela fragilidade. Em todo o caso, e consensualmente, é usualmente atribuído um período de graça, ou por outra, é dada uma oportunidade para que o novo Governo em funções mostre o que vale. Ou que não vale.

Por último, as relações afectivas. Quem as vive neste momento ou já viveu em algum momento, sabe bem do que falo. O tal período "côr-de-rosa" dos primeiros meses e que poderá durar até ao ano ou ano e meio. Ninguém no seu juízo perfeito avançará com a teoria de que não há um máximo de felicidade durante este período de tempo. Há. O mundo é perfeito. Acorda-se e deita-se a pensar em alguém que se tem ao lado. Há a vontade de querer agradar com tudo o que se tem ao alcance. Todos os problemas são resolvidos em conjunto. E por aí adiante... Tudo tem um "sabor maravilhoso". A questão é o "após" o tal ano e meio. (Nota: Falo genericamente e sem querer com isto dizer que é assim que as coisas acontecem sempre). Subitamente aparecem os problemas. Passam a existir os problemas resolvidos apenas por uma das partes. Perde-se a mística da relação. O encantamento. E invariavelmente cai-se na "acomodação" da relação. Em alguns casos há muito a perder (e.g.: Famílias que já se conhecem, há bens comprados em comum, grupo de amigos consolidado, etc.). Ainda que aquela essência inicial, o chamado período de graça já "lá vá". E que conduz a relacionamentos estéreis ou de fachada...e com vivências traumáticas quando há crianças pelo meio. Ou mesmo para os adultos.

Não há uma fórmula matemática para perpetuar o período de graça em qualquer uma destas três situações. Julgo que cada caso é um caso e com tranquilidade e paz de espírito tem de ser analisado. Para que tudo corra bem. E tenha lugar a dilatação deste período...

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