sábado, junho 11, 2011

Vendas à porta

Há profissões a que "tiro o chapéu". Vender o que quer que seja, também conhecido como "porta-a-porta" é uma delas. Desde ser vendedor de aspiradores, de uma MEO,  de uma ZON, de rifas dos bombeiros voluntários dos quais nunca se ouviu falar (nem da corporação, nem do peditório em concreto), há de tudo.

A coragem é algo que terá de estar sempre presente para alguém que almeja ser vendedor  bem sucedido. Fazer frente às intempéries (não se caia na tentação de pensar que só se celebram contratos da MEO quando está bom tempo e é agradável andar na rua). É necessária a paciência  de santo, coordenada com um esboço de sorriso minimamente credível para ouvir a Dona Graciete  durante 45 minutos dissertar sobre as pontadas que sente na perda direita quando acorda  (mais ninguém na rua fala com ela e assim sendo, aqui consegue tempo de antena, mesmo que não tencione comprar nada).  Finalmente, é necessário ter nervos de aço, e aguentar firme "como uma barra de aço" quando se vê um qualquer cão de guarda com 50 kg a espumar e com as patas  da frente no portão.  A escassos centímetros da cara. E tentar esboçar um sorriso enquanto o ladrar grave do "quatro patas" fazem tremer as entranhas e remetem de imediato para o momento em que devia ter sido seguido o conselho do pai em ter seguido Economia.

A questão que se coloca, na minha humilde e desvinculada apreciação deste tema, é que vender o que quer que seja à porta de alguém, "é chão que já deu uva". É um pouco como os delegados de propaganda médica. Já foi uma actividade que deu muito dinheiro a ganhar. Hoje em dia já não é bem assim. Ou bem que se mantém uma lista de médicos e médicas muito bem gerida, e é possível trabalhar a mesma, "impingindo" novos produtos, ou então, o melhor será apostar noutro ramo de actividade. A vida não está para brincadeiras. Para começar, para quem tenta vender o que quer que seja. Em última análise, para quem é confrontado com essa tentativa de venda. Aliás, em alguns casos há mesmo lugar a algum gozo e descredibilização do vendedor em causa. Infelizmente. Mas também é sabido que nem todas as pessoas têm respeito pelos outros.

No meu caso, e numa tentativa de respeitar o tempo do meu semelhante (no caso, o vendedor), digo de imediato que não estou interessado. Não raro tenho sempre qualquer coisa mais interessante do que estar à porta de minha casa a ouvir alguém.  A perder o meu tempo e a ver o mamífero que está à minha frente a perder o seu. Mais a mais, há toda uma série de soluções empresariais que evitam que exista este tipo de contacto pessoal. Quer via e-mail, carta, distribuição de flyers, o que quer que seja. Menos estar à porta de casa a falar com um vendedor. Melhor. Em menos de 2 minutos a minha vida é escrutinada e fica aquela alma a saber que serviço tenho contratado, quanto pagoe que canais vejo.  Não me apetece partilhar este tipo de informação. Da mesma forma que não me apetece que sejam conhecidos os canais televisivos que mais vejo. Ou quanto falo ao telefone. E por aí adiante. Esta será no meu entender uma das grandes desvantagens deste tipo de contacto. A "devassa" da vida privada.

Em momento algum sou contra que as pessoas fazem deste tipo de actividade uma fonte de rendimento adicional (ou única, em alguns casos). Contudo, não sou hipócrita e muito menos falso. O contacto é sumariamente abreviado com um "Bom dia / Boa tarde. Não estou interessado. Obrigado." E assim continuará a ser. Não há paciência.

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