quarta-feira, junho 08, 2011

Voltar para casa dos Pais

Voltar para casa dos Pais, nos dias que correm, não é bom sinal. Muito pelo contrário. Pode acontecer quando uma relação termina e se opta pela venda da casa comum. Pode acontecer quando as condições profissionais se alteram (e.g.: despedimento, falência da empresa). Ou outros motivos não tão frequentes.

Um dos argumentos amiúde avançado prende-se com os hábitos conquistados. O descompromisso dos horários. A não justificação de se chegar mais tarde às Sextas-Feiras (ou Sábados) a casa. O não ter de "dar cavaco" porque apetece comprar um casaco mais caro. Entre outros exemplos.

Custará tanto mais voltar a casa dos Pais, quanto mais cedo se tiver saído da mesma. Nos casos em que as pessoas saíram há muitos anos e a "pulso" conquistaram a sua independência (conjunta ou individualmente), a coisa fica mais feia. No casos em que a saída é recente...não será tão mau. Basicamente, o período de ausência é tipo...férias.

O cerne da questão prende-se com a alteração dos hábitos, as formas de pensar antípodas,  os conflitos geracionais (em muitos casos fracturantes) e claro, o que se conquista quando se tem um espaço próprio. É complicado encontrar palavras para me explicar..mas passa por algo parecido a "direitos adquiridos". Passa por um "balão de oxigénio" conquistado, em alguns casos arduamente. Passa por se ter vivido "enclausurado" durante décadas...e ter sido possível reverter, em algum momento essa realidade. Liberdade. Autonomia. Independência. Aparte de toda a responsabilidade associada ao facto de se viver sozinho e ter o seu próprio espaço. 

É isto que contribui para que o regresso a casa dos Pais seja sempre algo perturbador. ou nem sempre tão pacífico quanto seria desejável. Para quem regressa...e para quem vê regressar!

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