domingo, julho 31, 2011

A "nega"

Ninguém está preparado para receber negas. Ou por outra, até pode estar. Por vezes, mesmo já sendo conhecido um determinado desfecho de antemão e que se sabe que vai culminar numa "nega"..tenta-se. Nunca é demais. E por vezes têm lugar agradáveis surpresas que levam que quem pensava o pior.... passe a ver outra perspectiva. E daí retirar algum ânimo.

Saber reagir às negas é algo que se aprende com o tempo. Com a experiência de vida. Com os ensinamentos que diariamente "bebemos" de terceiros e que nos permitem de alguma forma perceber ou entender o que se nos oferece. Na minha humilde e modesta opinião esta poderá ser uma boa forma de "lidar" ou "encaixar" uma nega. Desvalorizar, se fôr caso disso e, por outro lado,  aprender a retirar o que existe de útil  e que nos permite crescer enquanto seres humanos.

Como não podia deixar de ser, é claro que já me deram algumas "negas". É já dei algumas, mas muito poucas negas. Se há uns anos atrás receber uma nega quando convidava alguém para dançar assumia naquele momento concreto uma proporção similar a levar uma bigorna de 300 kg, lançada com toda a força de um 15º andar na minha cabeça, hoje em dia as coisas não são assim. Aprendi a desvalorizar ou relevar este tipo de evento. E a valorizar ou investir tempo com as coisas que realmente importam e interessam.

Para terminar este texto, e à distância de algumas décadas consigo perceber com clareza algumas negas que recebi. Por exemplo, aquelas com que era brindado quando com a minha melhor das intenções convidava alguém para dançar. Não raro recebia um esbugalhar de olhos como se tivesse pedido o rim direito. Certamente que as "fantásticas" se julgavam as únicas mulheres à face do Planeta Terra! Ou por outra, e porventura com poderes premonitórios, escusavam-se a levar uma pisadela deste "pé de chumbo". Não seria nada simpático e não tenho qualquer dúvida que em menos de nada fosse abandonado no meio da pista de dança a dançar um qualquer e romântico slow...sozinho!

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sábado, julho 30, 2011

Crime Organizado

Sempre tive alguma dificuldade em perceber o porquê da tão clássica conjugação destas duas palavras: Crime e organizado. Certamente que foi algum estudioso iluminado que terá entendido estabelecer a destrinça entre aquele crime que é organizado e o outro crime que é desorganizado.

Como em tantas outras coisas, também para este tema específico faço gosto em partilhar a minha humilde e singela opinião. A minha teoria assenta na tese que será por isto que um ladrão "desorganizado" tem necessidade de remexer tudo quando assalta uma casa ou um carro. É mais forte que ele. Até pode começar o assalto com a melhor das intenções e de deixar tudo arrumado e no sítio. Mas a dada altura, e certamente imbuído pela  influência de uma entidade superior maléfica, que apoderando-se da sua mente, faz com que deixe de ser possível que exista a normal e desejável harmonia na arrumação geométrica das coisas e o instigue de forma agressiva a causar o caos. A isto meus amigos em amigas chama-se o crime desorganizado. Deste ninguém fala. Têm medo. Sei disso.

Já no que toca ao crime organizado as coisas são diferentes. É um tipo de crime que obedece a determinados preceitos. Quem o pratica é organizado - daí o nome, lógico. São pessoas que fora desta actividade que lhes possibilita um meio de subsistência lucrativo são muito organizadas. As horas a que se dará o evento, como se dará e quem participará , são sem dúvida alguma,  três factores importantes a ter em linha de conta aquando da preparação da "subtracção de bens" a terceiros. Chama-se a isto preparação da "festa". Já para não falar no árduo e desgastante trabalho mental que existe por parte de quem organiza estas festarolas e que tem que ver com a definição da fuga, dos esconderijos, dos transportes, das armas, divisão do móbil...é custoso.

Em jeito de sugestão, deixo aqui um desafio aos ladrões desorganizados. Olhem para os vossos colegas de profissão organizados.. Não digo que parem ou interrompam a vossa actividade e/ou meio de subsistência. Parar é morrer, como se sabe. Mas não desarrumem as coisas! Pratiquem crime organizado!

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sexta-feira, julho 29, 2011

Lucros das Empresas

Espero que com o novo Executivo actualmente em funções venha a ser colocada alguma ordem neste emaranhado de contas públicas e privadas das empresas portuguesas. E já agora das estrangeiras que por cá vão tendo subsidiárias.

A crise afecta (ou deveria afectar) toda e qualquer empresa. Dizerem-me com tranquilidade que é possível ter lucros em momentos de crise, em alguns sectores de actividade económica (e.g.: petrolíferas e banca), é declaradamente quererem terminar por ali mesmo a conversa. Ou então, passarem-me um atestado de burrice. E eu a  ver.

O homem mais poderoso do mundo tenta a todo o custo encontrar um ponto de entendimento entre republicanos e democratas por forma a que seja viabilizada uma injecção de capital na economia interna desta nação, e entre outras coisas, seja garantida a manutenção do rating "AAA", de resto antípoda ao que foi obtido por este nosso País por uma empresas de lixo oriunda desta nação poderosíssima e da qual este homem é o Presidente. Aguardo com alguma expectativa para ver o que dirá a tal empresa do lixo se não houver o acordo entre os dois partidos. Ou se a sua atribuição do "rating" se manterá elevadíssima.

Por outro lado, e à dimensão interna, julgo que seria importante (e útil) que fosse obrigatório que as contas das empresas / instituições com lucros superiores a um determinado valor fossem explicadas. E entendidas pelos demais gestores cujas empresas só apresentam prejuízos. Talvez o Governo devesse pensar em contratações novas. À semelhança do que acontece com alguns treinadores de futebol (endeusados), e que parece que têm "jeito prá coisa", também estas sumidades que estão à frente de algumas empresas privadas deviam ensinar alguns truques de algibeira ao imberbe e inocente Governo. Numa altura em que as palavras de toque são a "bancarrota", o "aumento da dívida externa", novas medida do "plano da austeridade", "troika", "no outro lado da corda" é possível existir empresas que anunciam uma baixa dos lucros no primeiro trimestre do corrente ano para um infeliz e preocupante número de 111 milhões de euros. Este valor deixa-me inquieto e à beira de ir pedir ajuda a alguém com mais calma que eu para me explicar coisas que não entendo. Estou preocupado com esta realidade.

Desconheço por completo de que forma a contabilidade destas lucrativas empresas é feita. Contudo, tenho a firme convicção e também sei que a taxação dos rendimentos empresariais é superior aquela que é tida em linha de conta para qualquer nome individual. Mas tendo em conta o volume em que a mesma incide, é baixa. Muito baixa. E empresas que têm lucro em tempo de crise...algum truque devem ter na manga.

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quinta-feira, julho 28, 2011

Segredo de Justiça

Sempre que oiço falar do segredo de justiça esboço um sorriso de orelha a orelha. Porquê? Porque segredo e justiça são duas palavras que combinam de uma forma tão perfeita como o azeite e a água. Basta pensar nos casos mais mediáticos que nos últimos anos aconteceram por cá. E basta ter em atenção a quantidade de informação divulgada pelos meios de comunicação social por altura destes eventos judiciais...

Costuma dizer o povo que "onde há fumo há fogo". Prefiro pensar que o sistema judicial funciona e que está dotado das ferramentas necessárias para que exista a possibilidade de alguém, a ser julgado, o seja de forma séria e justa. Quando a idoneidade e o bom nome de um indivíduo (ou empresa) está em causa surge a figura do "segredo de justiça". Digamos que é um direito que assiste e que certamente estará consagrado na Constituição e nos livros de Direito (onde deverá estar escrito em cada página que os julgamentos deverão ser sempre justos). É claro que não são. A partir do momento em que há fuga de informação, ou violação do segredo de justiça, o julgamento entra rapidamente em modo de "contra-relógio" e tem lugar uma precipitação de juízos.

A razão é simples. Por muito que queira pensar de forma diferente, todos os "actores" desta peça que é o julgamento, são humanos. Desde as testemunhas, passando pelo arguido e terminando no magistrado. É normal que em algum momento haja uma partilha (julgada inocente) com a Sr.ª D.ª Maria José que vende as douradas ali no mercado da Ribeira. Inocente, pois claro. A questão é que a partir desse momento, a D.ª Maria passa a ver o seu / sua confidente como uma fonte riquíssima de informação privilegiada e naturalmente terá isso em consideração aquando da definição do preço final das douradas e do peixe espada encomendados. Por outro lado, a partilha desta informação com a simpatiquíssima e prestável D.ª Maria José faz com que qualquer jornal diário tenha de urgentemente rever a celeridade com que tem conhecimento das notícias e claro, o tempo que demora as demora publicar. E posso adiantar que não levará a melhor à D.ª Maria José e à sua rede de contactos. 

O problema, na minha opinião, reside no facto de alguém, em algum momento, de forma negligente e irresponsável partilhar a informação com quem não devia. A partir desse preciso momento, o julgamento que desejavelmente devia ter lugar dentro da sala de audiências é transferido para um qualquer café, mercearia, mercado, talho, escritório, etc., perto de qualquer um de nós. Para ajudar à festa aplica-se com toda a naturalidade a máxima de "quem conta um conto acrescenta um ponto" e quando a Maria da Conceição, "prima-da-tia-da-cunhada-da-sobrinha" da D.ª Maria José e que vive em Vila Nova de Paiva conhecer o tal segredo de justiça já existirá uma série de "pontos" acrescentados. E naturalmente a história será bem diferente daquela contada aquando da venda das douradas e do peixe espada. 

No fundo, e para terminar, violado o segredo de justiça, é o bom nome de alguém ou de uma empresa que poderá estar em causa. E por vezes, quando a morosidade processual impera, trata-se do bom nome de alguém ou de uma empresa que anda nas "bocas do povo" e nem sempre com comentários ou juízos favoráveis. Muito pelo contrário. Com as devidas consequências no futuro.

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quarta-feira, julho 27, 2011

Topless

Qualquer homem que se preze tem (ou deveria) ter uma ideia muito clara e precisa sobre este tema em concreto. Trata-se naturalmente de um tema que faz parte do ideal masculino desde que os homens sairam dos galhos e deram início à sua longa caminhada em posição vertical até aos dias que correm.

Se no início desta longa caminhada os primeiros hominídeos conseguiam encontrar mais sensualidade num gracioso salto de uma qualquer gazela que iam jantar, e em em detrimento da mulher que tinham ao seu lado, completamente despida de preconceitos (e de qualquer tecido que cobrisse o seu corpo peludo), com o evoluir dos tempos a situação sofreu algumas alterações. Os tempos mudaram, as vontades idem, e o homem foi colocando de lado a sua obsessão pela apetitosa gazela, começando a focar-se na fêmea com quem partilhava a caverna.
Uma das principais características morfológicas que distingue um macho de uma fêmea é mesmo a ausência da proeminência na zona peitoral. Se bem que seja conhecido que há homens cujo tamanho das mamas faz uma boa inveja a muita menina e a quem um soutien não faria mal algum...
Com a mediatização televisiva dos "agradáveis costumes" de outros países com mentalidades mais abertas a coisa levou uma "volta" grande. Especialmente pelas mentes femininas nórdicas, tipicamente mais abertas, bem como do intercâmbio cultural com países onde esta prática é corrente.  As idas ao final de semana à praia de Carcavelos eram agora feitas com mais alegria e boa disposição. Ao invés de se esperar ver uma qualquer mulher com um "qualquer-fato-de-banho-que-faria-uma-magnífica-colcha-de-bilros-parecer-um-trapo", era possível "lavar a vista". E a grande responsável foi sem dúvida alguma a influência televisiva (telenovelas) e uma maior afluência / viagens a alguns países de língua oficial portuguesa onde o calor sentido convida toda e qualquer pessoa a usar menos roupa. E a "malhar" nas barras horizontais que existem nos paredão da praia até uma iminente apoplexia...Apenas e só para se ir para o areal com e mostrar os bíceps mais inchados ...

Como não podia deixar de ser, ávidas consumidoras dos bons hábitos e conscientes da importante competição que existe no seio do sexo feminino, as mulheres portuguesas interiorizaram de forma séria e responsável que teriam também de aderir a qualquer coisa que lhes possibilitasse um nivelamento ou uma apreciação comparada como uma mulher latina encalorada. E também corajosa. E explico porquê. Até há algumas décadas atrás não era qualquer mulher que se atrevia a de forma descontraída colocar a parte de cima do bikini ao seu lado da toalha. Arriscava-se a ser mandada ir tomar uma chuveirada gelada para ver se lhe passavam os calores ou mesmo a não ir à praia os restantes 4 meses de Verão. Mentes tacanhas dos papás e que em muito contribuíram para que os homens portugueses estivessem durante décadas em clara desvantagem comparativamente com outros homens de outros países onde a prática do topless era corriqueira e banal. 

Como se sabe, esta moda já deu origem a muito torcicolo nos pescoços masculinos, e não tenho dúvida que muita cara já deve ter sido aquecida com muita lambada que levou. Já para não falar no repertório certamente rico de desculpas esfarrapadas que já devem ter sido usadas por "eles" para não tirar os óculos escuros durante um dia inteirinho de praia. Com o natural e esperado resultado de, no final do dia parecerem que vieram de uma qualquer estância em Aspen...em vez da praia.

A moda pegou, embora eu acredite que continua a haver (infelizmente) muita reserva em desnudar-se ao lado de desconhecidos. Por duas razões: "sacos de café" e mamas "até aos pé"s. Se no primeiro caso, acho bem. Eu próprio teria vergonha de mostrar as mamas sendo elas mais pequenas que um saco de café em grão da Delta.  Já no outro caso sentir-me-ia algo confrangida em mostrar umas mamas até aos pés e com medo de tropeçar nas mesmas se tivesse de ir a correr para a água com um ataque de calor. É importante que tenha lugar algum respeito pelos homens que estão por perto. A praia é de todos e ninguém gosta de ir à praia para ver a desgraça alheia e ficar indisposto. Para isso criem-se praias específicas para essas pessoas, onde as mesmas podem ir descansadamente bronzear-se e passar um excelente dia de praia.

Felizmente que surgiu o negócio da cirurgia estética. E que vai de "vento em popa". Valha-nos (a nós homens) isso. Quando uma mulher faz topless sabe que inevitavelmente terá vários pares de olhos masculinos em "cima de si". E por vezes, é possível perceber a mestria da mão de alguns cirurgiões. Ali, mesmo à nossa frente (ou ao lado). Perceber porque é que há mulheres que "investem" dinheiro neste tipo de "upgrade" que está tanto em voga. Para o bem delas e para..o nosso bem. Quando o calor aperta!

Nota: Por razões de decoro não será colocada nenhuma foto sobre este tema.

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terça-feira, julho 26, 2011

Travessia do Tejo

Para qualquer comum lisboeta, a "conversa" da travessia do Tejo é algo que é pouco valorizado. Isso será para os que vivem no deserto. Por outro lado, sei muito bem que se tenta justificar o investimento nos novos barcos, objecto de gastos avultados por parte das concessionárias que exploram este negócio específico e mais lucrativo que o euromilhões em semana de jackpot. O transporte de passageiros entre as duas margens do Rio Tejo. E ninguém ouse duvidar que estes barcos sejam o que de mais avançado existe neste tipo de embarcações.

Defendo que estas empresas que transportam os passageiros entre as duas margens do Rio Tejo deviam ponderar seriamente em fazê-lo pro bono. Explico porquê. Hei-de encontrar uma carta que em tempos escrevi, dirigida a uma das Administrações de uma destas empresas. De forma paciente, estruturada e exaustiva descrevi a minha teoria do porquê ser benéfica para ambas as partes interessadas: passageiro e para que a tal Administração "comprasse".

Claro que comecei por "amansar a fera". Afinal, estamos a falar daqueles primeiros segundos em que começa a ler algo (e não temos tempo para o fazer). Interessa portanto ser conciso, directo. Tive de pensar vários meses como ser assertivo, directo e moldar um parágrafo lindo. Tornei-o maravilhoso. Comecei por referir que, eventualmente o Sr. Administrador desconhecesse o número de pessoas que não gozam da magnífica paisagem durante a curta viagem. Coloquei um necessário e oportuno "Porquê?". E foi com a minha resposta que sei que o fiz endireitar-se na cadeira e ajeitar os óculos de tartaruga no nariz.

A resposta é simples. Porque ficam com náuseas. Sim, porque enjoam durante a viagem. Donde, (aqui dei a primeiro estocada) defendo que estas viagens entre margens podem e devem ser custeadas por todas aquelas pessoas que usufruem em pleno da paisagem e o conseguem fazer sem enjoar. Antevendo uma previsível "Ah, pois claro...então toda a gente passava a dizer que estava enjoada!" preparei nova afiada bandarilha. E continuei o meu raciocínio...

Claro que sim, à boa maneira portuguesa toda a gente passaria a andar enjoada nos barcos. E eis que qual "Pedrito", habilmente maneando a afiada e reluzente bandarilha, enterraei-a sem dó nem piedade nas costas do Sr. Administrador. Quase que o vi espernear. Claro que pensei na forma de contornar a questão que certamente ocorreria ao "moribundo" Administrador "Diga-me por favor como?"...

A explicação figurava na parte final da minha tão interessante carta. Algo simples. Recorrendo a voluntários. Pessoas que estivessem no desemprego e por exemplo passassem o santo dia a arrumar carros. Ou a tocar concertina nos semáforos. Passariam a ter a responsabilidade de "policiar" ou "supervisionar" quem durante as viagens tinha estado  "fresco que nem uma alface" e no final da mesma diria que se sentia indisposto. A sua acção, nobre, de resto, passava por dar dois assobios rápidos e piscar o olho ao piloto do barco. Em que medida é tal bom para a transportadora? Vem agora a melhor parte...

Deixaria de haver necessidade de se investir em publicidade destas empresas. E quem paga os ordenados sabe que "publicidade" sugere "dinheiro", "gastos excessivos" e ainda ter 3 reuniões com os "desinteressantes criativos que se vestem de forma incoerentemente alternativa". A publicidade passaria a ser sustentada no "passa palavra" dos passageiros.

Passaria também a ser possível que as pessoas dissessem umas às outras algo do género:..."Nem imaginas. Na viagem de ontem lá de Cacilhas para o Terreiro do Paço, apanhámos vagas de 10 metros de altura. Nem vais acreditar que no final da viagem só 4 passageiros não pagaram. Tinham caído ao rio. Já demos conta disto tarde. De resto a viagem até nem correu mal e chegámos a horas a Lisboa. Calhou bem porque tive de ir cedo às Finanças tratar do imposto do carro. Desconfio que depois de nos deixar em terra, o barco foi ver se encontrava os tais passageiros. De certeza absoluta que vou voltar a viajar nesta empresa!"

Esta é, meus amigos e amigas, a fórmula do sucesso. Poupar na publicidade, ganhando-se claramente na quantidade de passageiros contentes nas viagens entre margens.

Posteriormente, poderia igualmente pensar-se num concurso mensal. O passageiro que conseguir fazer mais vezes a travessia do Rio Tejo, no cacilheiro "Adamastor",  durante um mês inteirinho, ganharia a possibilidade de poder...viajar na cabina de comando do "Adamastor" numa das viagens (Margem Sul <-> Margem Norte) e puxar 3 vezes o sonoro e agradável buzinão!

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segunda-feira, julho 25, 2011

Passe L 123

Foi repleto de júbilo que há mais de 20 anos atrás obtive pela primeira vez o meu primeiro passe social. Para começar, tenho de partilhar o momento singular de ir levantar o meu primeiro passe. Foi naturalmente muito aguardado e claramente envolto em grande expectativa. Se a memória não me falha, não devo ter dormido na noite anterior a este momento festivo. Aliás, outra coisa não seria de esperar, com a mente a ser permanentemente " assaltada" pelo turbilhão da minha mente a imaginar as viagens que poderiam ser feitas na maravilhosa e única cidade de Lisboa. 

Afinal, tudo se resumia a passar a ter um cartão só meu, personalizado, com a minha fotografia e que podia orgulhosamente ser ostentado no meu peito. Um passe social. Para me ser possível utilizar um qualquer transporte da Carris ou do Metropolitano de Lisboa. Sublime, portanto. Basta pensar que em qualquer momento podia acontecer que me apetecesse ir até à Baixa ver as iluminações desse Natal ou mesmo até ao Mercado da Ribeira comer umas pataniscas de bacalhau com arroz de pimentos (Nota: Sim, gosto de pataniscas de bacalhau).

Se durante alguns anos foi com grande responsabilidade e zelo que mantive zelosamente guardado o meu passe social numa carteira com divisória plastificada, desta muy nobre e importante empresa que é a Carris, eis que a dado momento fui submetido a uma nova prova. Por altura de umas férias de Verão, e para me ser possível ir com a rapaziada lá da rua para a praia do Castelo na Costa da Caparica, tive (tal como todos os outros amigalhaços), de evoluir. Ficar mais "crescido". E pela primeira vez na minha vida pedir no guichet da Carris um selo"L 123" para o meu tão bonito passe social.

Não é qualquer pessoa que pede um selo "L 123". Este selo possibilita ao seu detentor ir até onde quiser. É o "topo de gama" dos selos dos passes sociais. Assim haja criatividade, torna-se possível experimentar uma série de coisas, começando e terminando no facto de atravessar a Ponte Salazar num belíssimo laranja e moderno autocarro da Carris. Movido a gás natural. Lembro-me que na altura em que comprei o primeiro selo também me senti importante. Afinal estava a comprar um selo diferenciado e distinto. Lembro-me também de contar os minutos para que esse mês que findava terminasse realmente, para colocar então o tal novo selo. Com uma cor que naturalmente diferente dos selos convencionais. Por razões óbvias.

A primeira que colei este selo no passe social senti-me diferente. Poderoso. Lembro-me como se fosse ontem que quando entrei no "16", para ir para Sete-Rios (e depois apanhar o autocarro para a Costa), colei o passe na cara do motorista. Para que visse bem que não era um "puto" qualquer. Era um puto com um passe da Carris com o selo "L 123". Que saudades desses tempos...

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domingo, julho 24, 2011

Fugas de Informação

Nos dias que correm, é cada vez mais usual ouvir-se falar nas fugas de informação. Na fuga de informação há dois lados claros e perfeitamente identificados: O lesado (na origem da fuga de informação) e o beneficiário (destinatário da fuga de informação).

Exemplos desde o conhecimento prévio por parte de um concorrente de negócio de uma baixa de preços de um determinado bem, passando pelo conhecimento em "primeira mão" da Oposição da adopção de uma medida impopular por parte do Executivo ou mesmo  um segredo qualquer que se julgava estar bem guardado e afinal, quando se dá conta, até a Dona Teresa ali do quiosque já sabe. Acontece e quando menos se espera. Tudo isto está relacionado com as fugas de informação.

É natural que uma fuga de informação associada à compra de mais três submarinos ao consórcio alemão tenha um peso diferente do que a informação relacionada com as crises de hemorroidal que o Sr. Jaime lá rua tem. Basicamente, interessa perceber que consequências tem ou poderá ter o conhecimento de certa informação. Enquanto que os media vivem dos picos de audiência (share) e as revistas vivem das tiragens record, já a informação que a Joaninha difunde na mercearia do Sr. Mário acerca do avô Jaime terá outro peso e avaliação por quem ouve a menina. Não vende. Mas encontra-se a razão pela qual o Sr. Jaime anda tanta vez curvado e com as pernas mais arqueadas.

Para finalizar, há quem use a informação para ganhar uns cobres. Sou contra isso. Porquê? Porque eu nunca consegui ganhar uns cobres com as informações que tenho. Até podia partilhar com alguém que sei muito bem que há uns anos atrás o Bruno andava às fisgadas aos gatos. Ou que o Diogo faltava a uma série de ensaios do côro da Igreja para ir jogar futebol. Mas claro...ninguém valoriza esse tipo de informação. Por isso continuo pobre. Mas esperançado que um dia hei-de saber algo valioso.

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sábado, julho 23, 2011

Atentados Bombistas

Sempre houve notícias sobre actos terroristas. Intimamente associado ao terrorismo sempre esteve o tão clássico e óbvio atentado bombista. Digo "óbvio" porque já vai sendo altura dos terroristas mudarem o seu modus operandi. Já não é "bem" alguém rebentar-se ou imolar-se perto de uma fila para entregar o IRS fora do prazo ou de numa qualquer fila para entregar o euromilhões fora de horas.

Um dos grandes problemas associado ao atentado bombista, no meu entender, passa pela chatice que é estar a passear calmamente no Mosteiro dos Jerónimos, num Domingo à tarde e levar com um braço de um terrorista na cabeça. Ou correr o risco de ficar com um sapato de salto alto da terrorista espetado no meio da testa. Já não falando da poeira e da chuva de calhaus que normalmente tem lugar quando alguém resolve detonar a brincadeira que tem à volta do corpo. Pode magoar a sério alguém.

Uma das grandes dificuldades dos terroristas, quando optam pela medida radical do atentado bombista, passa pela circunscrição dos "danos colaterais". Já aqui usei esta terminologia. Dano colateral, na gíria militar ou operacional táctica, passa pela necessidade em atingir um determinado objectivo ou alvo, sendo que podem acontecer as tão infelizes baixas de pessoas inocentes, que estavam no local errado à hora errada. Nestas baixas estarão incluídas as crianças, naturalmente.

Julgo que doravante, aquando da revindicação de um atentado bombista, o terrorista deverá ser mais concreto e dar mais informação. Por exemplo, passar a explodir-se em zonas concretas e definidas para o efeito. Porque não dizer que se vai detonar na praia de Algés ou numa das várias e bucólicas planícies ribatejanas? Aí, e com toda a certeza, poderiam detonar-se, incendiar-se e sem causar baixas inocentes. E continuavam a fazer valer o seu ponto de vista. Ou não.

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sexta-feira, julho 22, 2011

Cortar no Supérfluo

Dizer à maioria das pessoas para que cortem no supérfluo é o mesmo que dizer se lhes está a apetecer passar com força os nós dos dedos no ralador da cenoura e depois mergulhar a mão num alguidar com álcool. Ninguém quer cortar no supérfluo. Porquê? Porque não há supérfluo. É uma fantasia da troika. Porque esse tipo de raciocínio não é possível ser tido nos dias que correm e em tão evidente clima de prosperidade e crescimento económico de Portugal.

Sempre me assumi como comodista. Amo conduzir e como tal, as raríssimas situações em que não conduzo estão perfeitamente tipificadas e em número de "meia mão". Eventos singulares em que saio à noite e antevejo que que vou beber uns copos a mais. Quando vou para um sítio qualquer onde me arrependo de ter vendido há tempos o Smart. Quando alguém me vai buscar a algum lado. De resto, poucas serão as vezes em que não ando de carro.

Há dias falava com dois amigos sobre a forma como cada um diariamente se desloca para o trabalho. Estamos a falar de pessoas que têm carros do segmento médio-alto, familiares e que naturalmente sei bem o tipo de "mordomia" a que estão habituados. Entrar no carrito, ligar o motor, climatizar o carro a 20ºC, e com serenidade rumar ao escritório. Percebi aquiescendo com a cabeça e fingindo mostrar-me muito impressionado, que ambos, com transportes públicos à porta de casa, juram que a rede de transportes é má e sofrível. Lamentei naquele momento saber onde mora cada um deles. E ainda consegui arregalar mais os olhos, fingindo-me chocado e quase solidário com tamanha injustiça. Em aditamento, posso avançar que num dos casos, mais à porta (ou perto) só se o Metropolitano de Lisboa optasse por colocar das paragens da linha amarela na sua casa de jantar. No outro caso, tenho a certeza absoluta que consigo demorar mais tempo a lavar os dentes depois do jantar que ele a chegar à estação do comboio, estacionar o carro e meter-se no comboio para vir para Lisboa. 

Não vou entrar em grande detalhe do número de transportes que cada um teria de ponderar apanhar para chegar a horas. Mas ronda as 2 vezes num dos casos e as 3 vezes no outro. Se é uma série de trocas que têm de ser ponderadas e equacionadas? É. Mas não vejo outra forma de se poupar. Se há sempre o risco real dos atrasos? Há. Mas mal seria das pessoas se todos os dias acontecessem atrasos nos transportes públicos. Por vezes é importante avaliar as coisas numa perspectiva pragmática. Andei décadas de transportes públicos. Quando necessitava de chegar a algum lado a horas, tinha um bom remédio. Ponderar o imponderável. E ter em linha de conta, no meu horário mentalmente definido, que podia acontecer algum imprevisto. Jogar com a antecedência. E sempre resultou. E não, nunca foi necessário sair com 2 horas de antecedência. Bastava ser sensato e programar tudo de forma eficaz e séria. Quando por outro lado se confia no acaso, às vezes dá asneira.

Tenho recusado vários jantares fora. Por duas razões. Em primeiro lugar, porque cada vez é menor a paciência que tenho para ficar a falar até às 0400H da matina sobre os problemas dos outros e do mundo. Contudo, importa referir que aguardo ansiosamente que alguém me convide para esta conversa às ....0800H. Em segundo lugar, porque estou em contenção. Defini um objectivo monetário a 3/4 anos e estou a trabalhar afincadamente para o atingir. Só me será possível atingir o mesmo recorrendo a uma grande auto-disciplina, que passa por separar mensalmente um "quinhão". Do outro lado, passa a haver um maior controlo nas despesas supérfluas, e nas quais, entre outras, caem os jantares fora ao final de semana. Não digo que não os tenha. Digo que os aceito, mas com mais sensatez e ponderação. Duas palavras que importa reter e interiorizar.

Há milhões de exemplos que podem ser aqui dados e desenvolvidos. Todos saberemos de vários. Pôr em prática, por vezes, sugere uma modificação nos hábitos de vida das pessoas e/ou alteração de rotinas de décadas. E claro, é sabido que o Homem é um animal de rotinas. É avesso à mudança. Sempre foi e continuará a ser. Por essa razão, e para aquelas famílias em que há um maior "desafogo" (tipicamente classe média), cortar no supérfluo é uma realidade distante e que só "afecta os outros". Para já..é manter o mesmo nível de vida. Sem grande mudança.

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quinta-feira, julho 21, 2011

"Quando a esmola é muita..."

.....o pobre desconfia". Como não seria de esperar, algo que já aconteceu comigo. Aliás, e em verdadeiro abono da verdade, tenho de aceitar que poucas serão as coisas que ainda não me aconteceram. Mas isso é outra "liga", como se costuma dizer.

Dar muita esmola, explicando resumidamente, significa pagar-se "agora", para se obter um qualquer favor depois. Esta é a explicação sucinta das coisas, sem floreados. Aconteceu-me ainda há pouco tempo, sensivelmente um ou dois meses. A minha madrinha chegou-se à frente para "comparticipar" uma despesa extraordinária que me terá surgido. Achei por momentos que tinha chegado ao céu sem dar conta. Até porque esta minha tia (e madrinha) consegue ser mais "fona" que o pato mais rico da banda desenhada. É o tipo de pessoa que não compra roupa nova há 250 anos e consegue o feito histórico e memorável de usar o mesmo par de sapatos há mais de 20. E desconfio seriamente que poupa no cabeleireiro e no abrir os cordões à bolsa para o barbeiro do tio. As grandes fortunas fazem-se é poupando e não gastando, bem sei.

Por uma questão de boa educação declinei no imediato a "comparticipação" da minha tia. Naturalmente que dá sempre jeito qualquer ajuda extra, mas também fui educado no sentido de...recusar a primeira abordagem. Dou comigo a pensar no sentimento de culpa que se teria apoderado de mim se a minha tia não tivesse insistido mais. Mas insistiu (felizmente) e lá "aceitei".

A questão revestia-se de uma complexidade maior do que eu podia poderia ter pensado inicialmente. Em causa estava um telefonema que tinha transtornado o meu tio à hora do jantar da noite anterior. E que se resumia a uma cegonha que tinha decidido nidificar (mais uma vez) na chaminé de um monte alentejano que os meus tios têm perto de Moura. E aqui começou a sua odisseia, e logicamente o "reverso da medalha" da tal contribuição...

Vindo de alguém que continua a fazer bancos de urgência (a minha tia é médica) já depois de ter passado (e muito) a idade "normal" até à qual devem os mesmos ser garantidos, devia aqui o escriba ter sido mais ágil no pensamento e percebido que não há "almoços grátis". E não houve, claro. A tal "comparticipação" tinha como contrapartida o levar os meus tios ao tal monte, no meu carro, com partida de Lisboa tipo às....0500H. Pelo meio, passar por Badajoz, porque me juraram a pés juntos que seria nesta localidade espanhola que ia fazer o negócio da minha vida e encontrar a tal peça (responsável pela tal despesa extraordinária). E mais tarde comprovou-se que a tal peça em Espanha, aqui mesmo ao lado, custava....três vezes....mais. Curioso não é? Eu também achei. Os meus tios ficaram à beira de um avc. E claro que sei porquê...começaram rapidamente a pensar se não foram enganados todos estes anos que foram ao país dos caramelos aqui mesmo ao lado...

De Badajoz fomos a Moura e de Moura fomos então à minha saudosa Amareleja, que não visitava há mais de 20 anos. Tudo isto terá durado um dia inteiro. Regressei a casa (Lisboa) seriam umas 2345H. Estafado e com mais de 500 quilómetros em cima do "pêlo". Ah..e no dia seguinte fui trabalhar.
Da próxima vez que alguém me quiser ajudar....vou tentar de certeza tentar perceber muito bem o que "está em jogo". Para não cair novamente neste tipo de "embuste".

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quarta-feira, julho 20, 2011

Crocodilos

De há uns dias atrás a esta parte estive perto de "partir desta para melhor". Ao jantar. Não consigo precisar o dia específico em que tal aconteceu, mas foi há seguramente há coisa de dois ou três dias.

As horas das refeições são sagradas para mim. Fala-se à mesa (e entre garfadas de comida) acerca da forma como correu o dia de cada um. Invariavelmente faço rir a "plateia" que tenho à mesa com qualquer palhaçada que me aconteceu nesse dia, como sempre, e, em paralelo dedico a minha total atenção e extrema concentração ao alinhamento das notícias de que tanto gosto. Principalmente aqueles em que são repetidas, nos vários telejornais desse dia (e dos 2 anteriores), quando não há um qualquer escândalo sexual ou morte de um famoso para se explorar mediática e até à exaustão.

Voltando ao início do texto. Se não estou em erro estaria eu a saborear um delicioso pedaço de vitela,  quando ouvi algo que me fez ficar de imediato com as orelhas levantadas e por pouco não ficou a vitela atravessada na minha glote. Uma senhora que afirmava ter visto um crocodilo no rio Zêzere. Um crocodilo!! Um crocodilo aqui em Portugal. A menos de duas horas de viagem, comecei eu logo a pensar. E passo a explicar porquê de tanta alegria...
Os crocodilos sempre exerceram um fascínio enorme em mim. Desde tenra idade e por altura das minhas idas ao Zoo. Devo ter ido ao nosso lindíssimo e único zoológico umas 1600 vezes. Em todas elas senti necessidade de ir ao reptilário, e onde ficava longos minutos a olhar para a "casa" dos crocodilos enquanto os meus colegas se divertiam a ver as desinteressantes e desinteressadas iguanas. Já eu apostava a minha concentração total em ver se conseguia perceber algum movimento nos crocodilos. Nunca os vi a mexer. Cheguei a desenvolver a teoria que algum "mau" teria substituído os exemplares verdadeiros por outros embalsamados sem ninguém dar por isso (Hoje, com alguns anos de distância também não sei o que queria eu....que quando chegasse lá para os ver iam estar a dançar um slow??). Já para não falar que, em todas as vezes que ia ao Zoo, sem novidade alguma chegava a casa e questionava os meus Pais (mais o Pai) acerca da reprodução destes bichos. Fazia-me imensa confusão. Como, quando, onde...esse tipo de questão existencial.

Confesso que desde o momento em que ouvi esta notícia que tenho andado um pouco mais ansioso que o normal e me tenho desdobrado em contactos, no sentido de ver se consigo encontrar o contacto desta importante e voluntariosa senhora (afinal partilhou com o País inteiro esta sua visão, quando poderia ter guardado para si). Posso igualmente avançar que tenho já preparada uma longa e detalhada carta que lhe irei enviar, e na qual conto toda a minha vida, além de expressar a minha paixão pelos répteis e especificamente pelos meus estimados crocodilos. 

É a esta senhora que falou para a câmara de televisão com um boné na cabeça e com uma bata giríssima vestida, que vou endereçar uma carta, confirmando assim a minha total e incondicional disponibilidade para mobilizar os locais desta bela e singela localidade que é a Sertã. Não vai haver um "sertaginense" que não tenha vontade de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para garantir que este crocodilo se sinta nas calmas e pacíficas águas de um qualquer lago, ou seja, como se estivesse em casa. Aliás, pelo que sei, há alguns sertaginenses que até já se adiantaram no trabalho e já andam a percorrer "rio cima-rio abaixo" com peças de carne ensaguentadas para ver se o crocodilo aparece. Têm tido azar. Nada.

Talvez a sorte me bata a mim "bata à porta" e o crocodilo resolva rumar às águas do Sul de Portugal, em busca de água mais tépida. Com as suas ágeis barbatanas e sua dura carapaça, em menos de nada está ali em Belém. Talvez eu esteja nesse dia atento e quando ele passar ou estiver a boiar depois da viagem...e o agarre. E o traga para casa. Onde lhe dedicarei toda a atenção e lhe darei muito mimo. Quem não gosta de ver aqueles olhinhos ovais e o nariz a sair da água? 

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terça-feira, julho 19, 2011

Subtilezas

A subtileza pode ser vista como a forma "aligeirada" como se diz a alguém aquilo que normalmente seria complicado de ser dito. Para desespero de muito boa gente não sou subtil. Opto mesmo por não ser, e na medida em que, como aqui já referi algumas vezes prefiro ser frontal e sincero com as pessoas ao invés de embarcar em subtilezas e floreados patetas.

Um dos dilemas que qualquer homem já teve (ou terá) de passar em algum momento foi o "como" terminar uma relação. Não é nada fácil. Trata-se de algo que queremos que seja o mais rápido possível e indolor. Nem sempre o é. E claro, importa neste delicado momento ser subtil. 

Subtileza, no caso, é aquilo que poderá garantir a integridade física da cana do nariz rachada após a namorada ter tido conhecimento que afinal não é ela "a" escolhida. Quem diz uma cana do nariz diz um olho negro. Ou ainda o clássico e tão frequente "estaladão" bem puxado atrás, bem metido no ouvido e que faz com que qualquer homem oiça 12 as badaladas dos sinos da Sé de Braga. Felizmente nunca aconteceu nada disto comigo. Mas em acessos de fúria das "ex", nestes momentos, já quase que fiquei com portas dos carros ao colo quando as mesmas saíam dos carros.

Para se ser subtil é necessário ser paciente. Preparar um discurso com antecipação e claro, conhecer o temperamento da destinatária de tão infeliz notícia. Já não existe subtileza possível na gasta deixa do: "És boa demais para mim e não te mereço." Ou a célebre; "Mereces melhor que eu e não estou a conseguir dar-te o que mereces." Entre outras frases feitas que qualquer homem que se preze conhece. Por vezes, nem mesmo a oportuna "lágrima de crocodilo" que tornaria este discurso imensamente mais credível a coisa vai lá. 

Já são poucas ou nenhumas mulheres que ainda acreditam neste tipo de prosa. Já lá vai o tempo. Donde, e de forma preventiva, é preferível juntar 3 ou 4 amigalhaços e pedir apoio nesse sentido. Para se conseguir ser subtil e minimamente credível no discurso. Ah..e sair sem mazelas físicas! Já agora..

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segunda-feira, julho 18, 2011

Agências de Rating

Nestes últimos dias muito se tem ouvido falar das agências de rating. "To rate", na língua do meu amigo Obama significa "classificar". E dei nota há poucos dias de viver num País recentemente classificado como "lixo".

Naturalmente que esta classificação me deixou muitíssimo intrigado e algo incomodado. Estive quase para enviar um e-mail para os EUA partilhando este meu estado de espírito com quem de direito. Diz que uma tal empresa do outro lado do Atlântico avaliou ou classificou Portugal como "lixo", ainda que dois dias antes tenha sido apresentado em Bruxelas um plano mais rigoroso e restritivo de medidas de austeridade que o sugerido pela própria troika. Ou seja, fiquei ainda mais baralhado.

Não irei aqui comentar a classificação dada e que me parece óbvia de quem andou a fumar "broca da boa". Digo apenas e só tendo em consideração a tal apresentação das medidas dois dias antes. Só alguém alheado da realidade e que vive num universo paralelo se poderia lembrar de classificar como "lixo" um país que denota esforço e desencadeou uma série de medidas para fazer face a uma situação preocupante.

Importa também perceber as consequências imediatas que houve. Refiro-me natural e obviamente aos investidores atentos à classificação deste tipo de agência. Da "pretensa" credibilidade que a mesma oferece em termos de input para os opinion makers e permitindo o sugestionamento  positivo (ou não) de um investidor aquando da avaliação da injecção de capital no nosso País. Se a nossa situação económica débil já faz muito investidor ficar de "pé atrás" ou reticente, com este tipo de avaliação as coisas ficam bem piores. Como exercício convido qualquer um de vós a pesar se emprestaria ou investiria dinheiro em algo que vos tivessem dito que era dinheiro "deitado fora". Se calhar não.

Importa por outro lado perceber o que aconteceu por cá, e uns meses antes. Se a memória não me trai, a mesma agência tinha atribuído uma classificação bera ainda durante o mandato do governo demissionário. Não seria tão má e sumária como esta de "lixo", mas não andaria longe. Sendo um confesso limitado intelectualmente, há várias coisas que me fogem ao entendimento e percepção. Uma delas é a simples questão : "Que acções concretas foram tomadas aquando do primeiro sinal de alarme?". A resposta? Eu sei. Nenhuma. E que eu seja cão se o argumento da Esquerda não é o  mesmo de sempre..."Não fosse a Direita ter feito cair o Governo e a classificação nunca teria sido esta". Mais do mesmo, portanto. E como sempre, num País de brandos costumes, de forma airosa, de forma despreocupada e irresponsável, qual ratos, abandonam o barco. E vão tirar cursos de Filosofia...para França. Que tristeza.

Uma nota final para a importância que é dada a este tipo de empresas e o poder que têm. A classificação atribuída a Portugal mereceu os mais fortes e condenatórios comentários dos vários quadrantes políticos portugueses. Julgo que terá sido mesmo uma das poucas vezes em que houve consenso. O tal consenso democrático por vezes necessário e tão difícil de alcançar.

Mas mostrámos bem que não estamos numa posição de subserviência ou de inépcia face a uma classificação péssima. Reagimos e contestámos a classificação atribuída por parte de uma empresa que...por sinal também faz parte de um país que neste momento atravessa uma das piores crises que há memória. Será que também dirá ao "dono do mundo" que os EUA também é "lixo"? Talvez não. Parece-me a mim...

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domingo, julho 17, 2011

Novo Acordo Ortográfico

Escrever sobre o novo "Acordo Ortográfico", para mim, é como que abordar esse assunto tão actual interessante que é a espiritualidade segundo a vertente da física quântica do Professor Laércio. Ou seja, dou comigo com pensamentos profundos sobre o porquê de perder o meu precioso tempo a tentar perceber e justificar os estados errantes da minha alma.

Tenho a certeza absoluta de uma coisa. Não vou saber escrever dentro de uns anos. Porquê? Porque não vou aderir ao "novíssimo" Acordo Ortográfico. Lamento. Seria "desaprender" o que aprendi ao longo dos anos e qual carneiro passar a escrever...mal. Sim, mal.

Há regras de sintaxe e de gramática que estão na base de qualquer escrita. Foram essas regras que aprendi. "Ah, mas os tempos mudam e temos de nos adaptar à realidade". Bem sei. Mas também sei que gosto (e faço questão) de escrever bem o português de Portugal. E sei que o novo Acordo visa uma uniformização da Língua Portuguesa nos Países de Língua Oficial Portuguesa. Quero acreditar nisso. Mas também quero acreditar que foram esgotadas todas as possibilidades existentes em cima da mesa no que diz respeito à adaptação das outras línguas à nossa. Ou se, como desconfio, foi a nossa língua adaptada à de outro país...

Por outro lado também, adorava saber quem foram representantes dos países que estiveram presentes na tal reunião em que foram  definidos os moldes em que seria "pensado e decidido" o novo Acordo. Ocorrem-me de repente umas 45 coisas que certamente terão sido feitas durante os dias da reunião e só nos últimos 10 minutos deste encontro se definiu uma lista de palavras como "facto concreto" passar a ser "fato concreto" ou "um fato italiano de corte fino" passarem a ser escritos da mesma forma. Magia? Não. É bom que os destinatários das mensagens passem a estar com muita atenção ou isto vai ser uma confusão de todo o tamanho.

Na minha humilde opinião, o Acordo agora aprovado vai ser bom. Para aquele grupo de pessoas que nunca soube escrever. E que agora vai passar a escrever bem. Ironia do destino.

Do meu lado prefiro escrever mal... Mas de consciência tranquila.

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sábado, julho 16, 2011

Provas Nacionais de Português

Há poucos dias foram conhecidos os resultados das provas nacionais da Língua Portuguesa. E não podiam ser piores. Aliás, foram os piores resultados de sempre nesta disciplina. A par e passo com os resultados da matemática (tema que desenvolverei em breve, não sem antes informar que teve uma taxa de reprovação superior a 50% ), vislumbro que estejam reunidas as condições necessárias e suficientes para que a barba e cabelo do novo responsável pela pasta da Educação fiquem da côr da farinha em menos de um fósforo.

Nesta peça televisiva a que assisti enquanto jantava, fiquei também a conhecer bem melhor a iletracia dos jovens. Uma miúda do liceu que escreve "acessor" (de um qualquer ministro) num quadro branco, um rapazola que escreveu num caderno "richa" a pedido da jornalista e finalmente o iluminado que soletra "i-n-f-e-l-i-s-m-e-n-t-e" para a câmara de televisão com uma determinação assustadora (sendo este aluno de um instituto politécnico). Três singelos casos de jovens portugueses que todo o meu Portugal ficou naquele momento a saber que devem um grande bocado de tempo dedicado aos livros e a mais tempo destinado às composições escritas. Um dos visados (o da "richa") chegou a dizer que lê bastante, e que a razão pela qual dá os erros são os "nervos". Gostei de ouvir a sua segurança e verdade absoluta com que afirmou enquanto era filmado.  Perdi o apetite.

Com estes exemplos que descrevo acima não será de estranhar os maus resultados nesta prova. Aliás, sem desprestígio algum para os que optaram pelo exame da Língua Portuguesa enquanto prova nacional (destinado a quem quer seguir para o desemprego...peço desculpa, pelos cursos superiores das áreas das letras), entendo que é preocupante que tenham sido obtidos resultados tão maus nesta prova. Aliás, foram três as causas avançadas para esta calamidade: a falta de preparação dos professores, o não saber escrever e ainda a má interpretação dos textos. Tudo conjugado tem como consequência esta triste e tão actual realidade.

Para concluir, acho desprestigiante para a classe dos professores que um aluno universitário não saiba escrever. Ou que nunca lhe tenham sido incutidos os hábitos de leitura / interpretação de textos. Os conteúdos programáticos são cada vez mais "esvaídos" do que realmente é essencial em prol de jogos de adivinhas de qual é a capital da Polónia ou da Bulgária. Não faz sentido. É importante que o modelo de ensino da Língua Portuguesa seja repensado. Que seja tornada leitura obrigatória as obras dos bons autores, com livros bem escritos e naturalmente com provas mais que dadas. E que não se caia na tentação do facilitismo. Derivado da tal falta de preparação dos novos professores. Para evitar figuras tristes como a destes três jovens. E que não tenho qualquer dúvida que reflecte o estado do conhecimento da Língua Portuguesa de mais de metade dos portugueses.

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sexta-feira, julho 15, 2011

A abolição da gravata

Já aqui deixei a minha opinião sobre o uso da gravata. Não me incomoda. De todo. Gosto de ver uma gravata bonita e um fato com bom corte. Um bom par de sapatos, um bom relógio e um bom perfume fazem um qualquer homem das obras ali do prolongamento da linha amarela do metro de Lisboa parecer um atarefado e bem sucedido corrector da Wall Street de NY. Curioso não é? É, pois claro. Sempre foi. Trata-se da questão da apresentação, do tal "cartão de visita". Daquilo que se vê logo imediatamente quando se olha para uma pessoa. E a primeira imagem é a que fica.

Por mais que me esforce não consigo imaginar o Presidente da República de todos os portugueses falar sobre a necessidade dos portugueses apertarem mais uma vez o cinto.... sem gravata. Roça o anedótico.Ou pensar que o Padre Martins celebre a missa substituindo a batina por uns calções de ciclista e uma qualquer t-shirt bem justa roubada a uma qualquer stripper da concentração de Faro deste ano: "Wanna be my Daddy?"

Como qualquer homem que se preze, também eu já sofri com o facto de em determinado momento estar a usar gravata, ou seja, estar de fato vestido com temperatura ambiente que rondava os 100º C. Aliás, em verdadeiro abono da verdade, é para mim transparente como a cristalina água do Luso que só se deve usar a gravata quando se veste fato. Não correndo o risco de fazer figuras de pató do tipo de usar gravata com calças de ganga.

Foi com alegria que constatei há poucos dias foi avançada a ideia pioneira da abolição da gravata num determinado ministério. Estarei por cá para ver se a ideia pega e se alastra a outros ministérios ou mesmo à Assembleia da República. Numa óptica de poupança energética e da tão falada "pegada ecológica", faz todo o sentido consolidar esta prática internamente e sugerir em Bruxelas que todos os ministros da zona euro passem a participar nas reuniões com uma indumentária mais leve. Calções, uma blusa "levezita" e as tão conhecidas havaianas. Já agora, abdiquem dos carros que os transportam do aeroporto ao Parlamento e passem a fazê-lo de carroça. 

Na mesma perspectiva de economia e com vista ao desenvolvimento sustentável, aguardo com um elevado estado de ansiedade que se proponha que homens e mulheres deixem de fazer a depilação, deixando os respectivos bigodes e buços crescerem até ao chão (poupa-se no metal usado nas lâminas) e deixem de usar os desodorizantes (poupa-se no alumínio das latas, plásticos e nos ingredientes para as milhentas fragrâncias existentes). Esfregam-se directamente as flores na pele.

Não demorará muito tempo a que voltemos a viver nas cavernas. Por este andar e sequência lógica de acontecimentos. E sugestões...pioneiras.

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quinta-feira, julho 14, 2011

Homenagens

Começo esta reflexão de hoje redimindo-me e avançando que sou uma pessoa um pouco avessa às tão comuns e habituais homenagens por tudo e por nada. Não pelo facto de "ser do contra". Nada disso. Mas sim pelo facto de não reconhecer feitos históricos ou de relevo que justifiquem uma homenagem em vida ou póstuma a algumas pessoas.

É curiosa este tema das homenagens. Há imensas ruas com nomes de pessoas que não conheço nem tampouco alguma vez ouvi falar, e outras para as quais tenho de fazer um esforço enorme para me lembrar em que feito imensamente nobre se destacaram. E em vários casos não consigo encontrar uma razão plausível para que alguém reconheça uma importância tão relevante que justifique uma homenagem ou por exemplo a atribuição desse nome para uma rua ou arruamento.

Já aqui manifestei a minha simpatia pela "causa" militar. Na sua essência encaro esta causa como nobre na medida em que alude à defesa da Pátria e dos seus cidadãos em caso conflito bélico com outra nação. Assim sendo, e na sequência desta linha de pensamento, quando me abordam com o "assunto homenagens", a primeira lembrança que me ocorre, vai directa e imediatamente para as centenas de milhar de militares que perderam a vida no Ultramar. Ou aqueles que inadvertidamente vão perdendo a vida em acidentes que têm lugar em "teatros de guerra" por esse mundo fora em tempos mais recentes. 

O que me deixa um "bocado grande" revoltado é a forma como estes militares que menciono atrás são homenageados. Um singelo evento seguido de uma tímida celebração anual. Não tenho presente, ou por outra, nunca pensei em que moldes podia ou deveria ser prestada tal homenagem. Mas entendo que da forma como o é actualmente é francamente frustrante e insuficiente. Quer para as famílias dos que "ficaram" no Ultramar, quer para os militares sobreviventes. Em muitos casos, com poucos anos a mais que a idade da maioridade tinham a chamada "guia de marcha" para terras longínquas e num continente distante. Sem saber ao que iam. E muitos sem saber que não voltariam.

 Se me faz confusão o que acabo de referir acima, faz-me muito mais confusão o facto de não imperar a razoabilidade aquando de certas condecorações ou homenagens específicas. Falo das condecorações honoris causa, por exemplo. Aquelas que são atribuídas a pessoas detentoras de um qualquer diploma universitário e que se tenham destacado em determinada área (e.g.: artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz, de causas humanitárias, etc.), e que pela sua boa reputação, virtude, mérito ou acções de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições. Acho curiosa esta apreciação e avaliação da prestação individual.

Para terminar, e dado que qualquer pessoa pode ser homenageada, vou ver se um destes dias me "auto-proponho" para uma homenagem. Tenho de ver se perco aqui algum tempo na net ou falo com algum amigalhaço desses que têm um tacho na política (ou têm algum amigo político) para ver se me dão um empurrão. Com sorte fico com mais um grau académico. Vou começar a pensar nisso a sério.
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terça-feira, julho 12, 2011

Matrículas na Escolas

Lembro-me que durante vários anos houve o hábito instituído lá em casa de, em reunião familiar "pós jantar " se preencherem os impressos de matrícula para o liceu. Meus e do meu irmão. Com uma paciência digna de santo o meu pai ajudava-nos a escolher e preencher as várias opções disponíveis nos impressos de matrícula. Natural e obviamente que toda aquela informação importantíssima só poderia ser digerida e mentalmente interiorizada por um adulto. Tenho de reforçar a ideia do "informação importantíssima" porque só assim consigo entender que na altura fossem pedidas 47 vezes a minha morada, a filiação, as habilitações literárias dos pais e meu número de telefone de casa. 

Enquanto isso eu pensava noutro tipo de detalhe. A minha preocupação centrava-se essencialmente em tentar que a minha querida e extremosa mãe não se lembrasse de mais uma vez, sugerir veemente ao meu pai que colocasse uma cruz nas aulas de "Religião e Moral" com a Professora Amélia. Nada tenho contra esta amorosa e interessantíssima senhora, não tivesse a mesma a particularidade de ter uma altura que rondaria os 1,40 metros, 440 anos e fosse mais surda que uma porta de carvalho maciço. Já não falando da colónia que deve ter sido um sucesso em 1810. Mas que no final da década de 1980 já estaria naturalmente fora de moda. Só no 5º ano me enganaram. No 6º ano consegui uma qualquer manobra de diversão na altura do preenchimento dessa quadrícula e foi a mesma esquecida para sempre.

Tenho a certeza absoluta que os impressos de matrículas eram pensados e trabalhados numa óptica de testar a paciência das pessoas. O tipo de elementos solicitados, as cópias pedidas, o boletim de vacinas actualizado entre tantos outros elementos fazia-me pensar frequentemente que ingressar na NASA deve ser "um passeio no parque". À distância de umas boas dezenas de anos vejo que o grau de exigência e rigor nos elementos solicitados é o mesmo. Tenho quase a certeza absoluta que os impressos em alguns liceus devem ser os mesmos e que os limites da razoabilidade de qualquer progenitor continuam a ser testados ao limite. Daí ser possível ver-se pessoas tão novas e já com tanto cabelo branco. Deve estar relacionado.

Para terminar, não deixo de achar curioso constatar que a excessiva burocracia se perpetuou ao longo dos tempos. Mais curioso ainda é que a evolução tecnológica (leia-se dotar as escolas portuguesas de meios e pessoas capazes de agilizar todo o processo de matrícula) não aconteceu. Li há dias um artigo de opinião em que percebi que continua tudo na mesma. Sem tirar nem pôr. O pessoal administrativo que está em algumas escolas é mais velho que a própria escola e obviamente que não acredita no computador. O pessoal administrativo mais jovem, é da geração dos "Facebooks, Hi5" e afins. Trabalhar que é bom, "tá quieto". Os papás que o façam. Ou os filhos, como passei eu a fazer a partir do 7º ano. E daí em diante. Sozinho. E sem aulas de "Religião e Moral".

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segunda-feira, julho 11, 2011

Penhoras

Há poucos dias vi uma reportagem sobre penhoras num dos telejornais. Não me recordo em que canal televisivo foi. Mais uma vez foi abordada a tão conhecida falta de controlo dos portugueses, burrice e o viver acima das possibilidades.

Não atingi bem o propósito da reportagem. Resumidamente, nesta peça televisiva de grande valor, foram acompanhados dois "executores de penhoras" - que não são mais que dois técnicos judiciais que trabalham em coordenação com os tribunais - e vão chatear quem deve dinheiro. Quer ao Estado, quer a outrém (particular). Se a memória não me falha, ouvi falar num número "redondo" e expressivo de uma lista que conta com cerca de 9.000 devedores. Ou seja, os alvos predilectos de quem "executa penhoras".

Num dos casos apresentados na peça, foi dada a conhecer uma empresa que devia dinheiro a um particular. Noutro caso um café que devia dinheiro a uma empresa. E voltamos sempre ao mesmo. Porque razão assumem as pessoas compromissos se não os podem honrar? Será assim tão complicado compreender para quem contrai uma dívida que está a condicionar a vida de alguém, a "jusante"?  Será mais fácil de perceber a que me refiro com um exemplo concreto apresentado na tal peça jornalística de alto valor:

Imaginemos que um de vós tem um café. Um desses que até está bem localizado e tem uma boa afluência diária. A dado momento, e  por via de um qualquer acontecimento local (leia-se rua cortada e impedida ao trânsito,  a abertura de uma grande superfície comercial ou outra razão qualquer), a "fonte de rendimento" começa a escassear. E óbvio que não se vai pensar em fechar o café naquela zona e naquele momento, onde existe há 35 anos. Espera-se por melhores dias. E que o movimento do antigamente volte.

Aqui reside o problema. É que a condição do antigamente....mantém-se. A esperança é a última a morrer. Também se mantém o número de Fornecedores...mantém-se inalterável, porque de forma fantasiosa, negligente, irresponsável e descomprometida as pessoas acreditam em "contos de fadas" e imaginam que o que aconteceu em anos anteriores voltará a acontecer. E assim sendo, mantêm-se as relações com os Fornecedores, muitas delas de há muitos anos. A questão assume outros contornos quando a afluência ao café diminui significativamente. Afinal é mais agradável ir beber um "Delta Platina" ao Colombo do que ir beber um café com sabor a "borrão" no café do Tó. Parece-me a mim. E como eu haverá muita gente que preferirá ir a uma grande superfície comercial, beber um bom café, com ar condicionado ambiente,  ao invés de estar com a pele toda "melada", a enxotar moscas e e ouvir os trolhas a arrotar a cerveja das "mines" que bebem de um trago enquanto coçam as partes baixas e riem alarvemente mostrando os 4 dentes que têm na boca. Isto quando não começam a apalpar-se um aos outros, e ainda se riem mais.

Há vários "Tós" em Portugal. Que ingenuamente contraem créditos na banca para começar a pagar as dívidas que se vão somando dos Fornecedores. Entretanto são também necessárias obras no café e lá em casa. Outro crédito. Um plasma lá para a sala e ainda um negócio único que o primo Jaime que trabalha na Mercedes da Bélgica jura ter encontrado. E o banco do Tó continua a "bancar", como é óbvio. No final do ano, e dado que a Cristina lá do banco (gestora de conta) diz que a taxa de juro do empréstimo para crédito pessoal está baixa...contrai-se outro para ir lá à Bélgica buscar o "espada" e já agora passar por Paris (fazer a rodagem) pernoitando em casa da Maria de Jesus, irmã do Tó que lá está há 24 anos como porteira de um prédio no centro da cidade. E há sempre dinheiro. Mas também há créditos que pagam outros créditos. E...começam as faltas de pagamento e a dado momento, bens penhorados. Ah...e as taxas de juro aumentaram...Pois é..a troika não brinca...e estamos em crise.

Como em tantos outros casos, Portugal é pródigo neste tipo de irresponsabilidade e desculpabilização. É suposto eu ter pena de quem não paga a um Fornecedor? Ou se calhar deve ser perdoada a dívida dos 20.000 € devidos a um Fornecedor? Ah..porque é um coitadinho e tem filhos e casa para pagar? O Fornecedor vive do ar, portanto. Não tem filhos, deve morar debaixo da ponte, já que não tem casa para pagar ou compromissos para honrar. A dada altura torna-se um ciclo vicioso e aqueles que são bons pagadores passam por maus pagadores porque alguém não tem dinheiro. Mas tem vícios.

Defendo penas de prisão efectiva para as pessoas que não sabem gerir o dinheiro. E responsabilização pelos seus actos. Existe moldura penal para quem contrata serviços e depois não paga. Momentaneamente há "celebrado um contrato" que sugere um pagamento após o bom serviço. Se vou beber um café tenho de pagar após tê-lo consumido. Se vou pôr gasóleo num dos carros cá de casa convém que não me esqueça de pagar no "pós" abastecimento. E por aí adiante. É importante reter que na" base da pirâmide", há empresas. As empresas são constituídas por pessoas. Essas pessoas têm compromissos e também têm famílias para sustentar. Por isso me insurjo tão violentamente quando me vêm falar em sentimento de comiseração para com os penhorados. A minha pergunta é invariavelmente uma: dívida contraída por herança ou contraída voluntariamente? No caso da herança há mecanismos legais para "desmontar" esta obrigação legal. Já no caso da dívida contraída voluntariamente não. E aí defendo as penhoras. Sem apelo nem agravo.

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Formatação de Texto

Há várias coisas que têm o "condão" de me tirar do sério. Muitas mesmo, confesso. Formatar um texto no computador é uma delas. Porquê? Porque a juntar ao facto de ter uma relação de "amor-ódio" com estas máquinas do demónio (os computadores), consigo a singela proeza de demorar horas a formatar um texto. E quando a "juntar à festa" entra para edição os cabeçalhos e rodapés de um trabalho, piora tudo. Muito mesmo.

Para os mais novos, aqueles que já nasceram com um teclado nos dedos, e que escrevem um sms de 20 linhas mais rápido do que eu escrevo esta frase, as coisas são básicas e tornam-se lógicas. Tal como para mim foi lógico viver até aos 18 ou 19 anos sem telemóvel. Hoje em dia qualquer miúdo com 9 anos tem um telefone para ligar ao papá e à mamã. Parece-me "líquido" que aqueles que desde tenra idade mexem em computadores, naturalmente que desenvolveram uma capacidade bestial de trabalhar e explorar todas as potencialidades destas máquinas. Aqui o escriba deu inicio a essa árdua tarefa devido a necessidade imperiosa. E para não ter de entregar relatórios de faculdade com 350 páginas manuscritas.

Falando destes relatórios de faculdade. Os relatórios típicos de engenharia têm tipicamente duas partes: a) Parte teórica e b) Parte Prática. O que quer dizer que quando tenho de inserir fórmulas matemáticas no word fico à beira de um esgotamento nervoso, e quando quero "justificar" o alinhamento do texto ou baixar 0,5 mm no excel, fico perto de entrar em apoplexia. É simples. A Microsoft faz isto de propósito. Há longos anos que penso nisto e defendo esta tese.

A "cereja no topo do bolo" surge aquando da elaboração dos índices automáticos. Parece fácil não é? Não é. Vão por mim. Já tentei de diversas formas fazer os tão famosos índices automáticos. Tentei subverter o sistema, enganá-lo de forma astuciosa e inteligente, mas não fui bem sucedido. Faço batota e faço índices à "unha". 

Quantas e quantas vezes não tenho de interromper a tal formatação do texto e ir dar uma volta longa a qualquer lado, de preferência a pé, para ver se esfrio as ideias e me acalmo. Já perdi a conta das vezes em que tal aconteceu. Também há as situações extremas. Tipicamente, aquelas que sucedem após ter perdido um bom par de horas a formatar um texto qualquer. Ou o facto de o  computador se desligar no meio deste trabalho ou mesmo aquela maravilhosa e remota possibilidade dos caracteres do texto passaram para símbolos gregos. Dá imenso jeito e claro que já me aconteceu. Fiquei dois dias sem conseguir ir ao portátil. Deprimido e com uma frustração sem antecedentes. Valeu-me o ter tempo para entregar esse trabalho. E ao fim de 3 dias sem ter conseguido olhar para o computador lá cedi. Conseguimos "reatar", lá fiz o texto (de uma forma tão básica que qualquer um dos meus primos com menos de 16 anos pareceria um profissional) e lá cumpri o meu objectivo. Não obstante, tenho andado a ver se descubro um cursito desses de computadores. Com uma carga horária forte na disciplina da formatação de texto.

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domingo, julho 10, 2011

Primos e Primas

Já aqui referi anteriormente que tenho uma família numerosa. Não tão numerosa como certamente existirão muitas famílias, mas certamente mais numerosa que a grande e esmagadora maioria das famílias portuguesas.

Primos direitos e em primeiro grau, somos 13. É obra. O mais velho tem 46 anos, e a mais nova tem 35 anos. Por sinal a prima com quem me dou mais e com quem mantenho mais contacto. Também é natural que me dê melhor com alguns primos que com outros. Para isso contribui uma maior proximidade geográfica e interesses em comum. Por outro lado, e como não podia deixar de ser, aqueles com quem me identifico mais são sempre mais velhos e com interesses ou gostos similares. A saber: carros e mulheres (na altura, agora já são casados). E as primeiras voltas de carro (às escondidas) foram dadas com um deles, o Luís.

Lembro-me de um momento único e marcante que foi uma das várias saídas à noite foi com a maior parte dos primos. Quase totalidade. Julgo que por uma das 900 reuniões das tias, ou seja, toda a Família concentrou-se lá em baixo. Recordo-me objectivamente de uma saída em que estávamos todos os primos. Não faltou ninguém e se não estou em erro coincidiu com a inauguração da Kadoc, no Algarve. Estávamos no ano de 1800, portanto. 

É claro que com os primos mais velhos por perto e já "batidos" nestas andanças da noite, os mais novos desforraram-se. Forte. Ainda hoje se fala das figuras que o meu irmão fez nessa noite. Foi um dos tais que se desforrou na bebida e "afogou" uma qualquer mágoa desse momento nas várias garrafas de álcool que existia disponível nos 1500 bares desta discoteca. Ah, importa dizer que um dos meus primos (o mais velho, o Pedro) era segurança. O seu irmão logo a seguir em termos de idade, o meu primo João, também era para ter sido segurança. Digo "era para ser" porque na primeira noite de serviço pôs literalmente na rua um grupo pequeno de espanhóis que estavam na conversa depois de ter fechado a discoteca. Eles bem que tentaram dissuadi-lo na língua de "nuestros hermanos".

Infelizmente foi em vão. Zeloso do trabalho feito, conta-se que o João veio para dentro da discoteca encontrar-se com o meu primo Pedro vangloriando-se que os últimos clientes tinham sido postos na rua. O Pedro não sabia onde enfiar-se ao saber quem o João tinha posto na rua. Tão somente os donos da Kadoc, na altura.

Há muitas mais histórias. O que é certo é que a Família também aumentou muito. Os primos direitos já têm filhos, quase todos, e começa a ser necessário ter em linha de conta o tamanho do restaurante para albergar tanta gente, por altura dos almoços de Família. Mas dá-me um gozo ver tanta gente junta e principalmente quando se começam a contar histórias uns dos outros.

Ainda hoje conseguimos mantemos contacto uns com os outros. Uns mais que outros, como é normal. Com as mais variadas actividades profissionais mas sempre com a vontade nos ajudarmos uns aos outros. Uns ajudam mais que outros....os outros estão na galhofa. O grupo onde estou sempre, de resto.

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sábado, julho 09, 2011

Matinés

Quem nunca foi a uma matiné não pode é boa gente. Eu devo ter ido a uma dezena. Donde só posso ser uma óptima pessoa, pois claro.

Para quem não sabe, a ida à matiné é em tudo similar na ida à discoteca. Contudo, em vez de se ir para a discoteca às 0200H (como é frequente hoje em dia), ia-se às 1600H. Pois é. Estranho? Não. Na altura era a solução ideal para quem tinha problemas em sair à noite. Também eu tive alguns até certo momento. Momento esse que referencio como sendo aquele em que os meus Pais "conseguiram" argumentar e fazer valer o seu ponto de vista sábio e naturalmente mais ponderado. A partir desse momento (ou idade, se preferirem), a conversa passou a ser outra. E a vida ganhou côr.

Hoje em dia, e à distância de mais de duas décadas, consigo facilmente perceber que o ir a uma discoteca da parte da tarde é como pensar em bronzear-se numa qualquer praia durante a madrugada. Não faz sentido. Para começar, ir para uma discoteca da parte da tarde é sinónimo de não se "lavar a vista". E é sabido que qualquer pessoa gosta disso. O gostar de dançar é a treta da desculpa mais utilizada. A verdade é que as pessoas gostam de ver pessoas bonitas. E claro que a noite tem magia. Ou não fosses todos os gatos pardos nesta altura do dia..

Presença certa nestas andanças era mesmo o chato do Ricardo, colega de carteira, que por não ser bafejado pela sorte com as miúdas achava que devia apostar na Amizade comigo. Não descolando..tipo "lapa". É claro que isso condicionava em muito a minha abordagem com o sexo oposto. Tinha sempre o "secretário" por perto.
Não sei muito bem se hoje em dia ainda há as tão famosas matinés. Julgo que sim. Mas também acredito que sejam cada vez mais raras. Há uns anos atrás havia discotecas que conseguiam ter dois tipos de clientelas distintas e em diferentes momentos do dia e da semana. Mas vivíamos noutra altura. Era possível nessa altura ver gerações diferentes de irmãos que frequentavam o mesmo local em dias e horários diferentes. Hoje em dia é cada vez mais raro.

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sexta-feira, julho 08, 2011

O Algarve no Verão

Para quem como eu conhece relativamente bem o Algarve, consegue com facilidade perceber o que o Algarve de hoje, nesta altura do Verão, não é o Algarve de há uns anos atrás. Muita coisa mudou. Para pior, na quase totalidade dos casos.

O Sul de Portugal, e em concreto o Algarve, é conhecido pelos turistas por três razões: praias, golfe e a tão famosa alfarrobeira. Não há lá nada mais de interesse (a não ser as pessoas simpáticas, é claro). De resto, pouco sobra a não ser as 15.600 formas de confeccionar a deliciosa doçaria algarvia. Com a alfarroba, claro.

Gosto particularmente do Algarve durante o Inverno. Vazio e sem muita gente para me azucrinar a cabeça com pressa de ir dar o último mergulho da vida à praia da Falésia. Há restaurantes que estão fechados porque o movimento não "paga" o custo de terem as portas abertas e os vencimentos dos zelosos e algumas vezes simpáticos trabalhadores. Tipicamente, os proprietários dos restaurantes não têm só um negócio, pelo que, não fará "grande mossa" durante meia dúzia de meses estarem de portas fechadas. Compensa-se no Verão.

O Algarve no Verão. Sem dúvida a "silly season". Personalidades e famosos é vê-los "a banhos" no Sul do País. Gosto disto. À semelhança de tantos outros locais igualmente "bem frequentados", agrada-me ir à Praia da Falésia nesta altura do ano ver todos os novos modelos das marcas de automóveis. Já sei que se quiser ver algum modelo novo da BWM, Mercedes, Audi ou Porsche, é lá que encontro. Aliás, da última vez que lá fui, há uns anos, havia trânsito, porque alguém queria estacionar o "seu espada" milimetricamente....num lugar onde cabiam 4 camiões TIR atravessados. É verdade. "Dá Deus nozes a quem não tem dentes".

Já aqui falei sobre os "comes e bebes" na praia. Tenho aversão a levar para a praia mais do que uma revista de automóveis (ou jornal semanal, se fôr final de semana), o telefone e a carteira. A toalha roubo a alguém que vá comigo ou uso aquela que a natureza me dá gratuitamente - a areia. Ou seja, é impensável levar comida e bebida. Donde, com alguma facilidade interiorizo que certamente haverá lá no sítio um local onde possa comprar uma sandwich de delícias do mar e uma coca-cola acabada de sair do Polo Norte. Haver até há..o problema é que também sou "assaltado" quando chega o momento do pagamento. Normalmente apodera-se de mim a incredulidade e questiono-me se estare a pagar a conta das pessoas que estão atrás de mim...Já falei sobre isso aqui no blogue.

O Algarve vive disto. Da exploração desmedida do consumidor incauto em consequência do inflaccionamento criminoso dos preços dos bens. Bem sei que "Quem vai ao mar avia-se em terra." Mas também sei que na altura em que o este ditado popular surgiu, há 976 anos a esta parte, não existia uma ASAE nem tampouco uma DECO. E são instituições cujo objecto primordial é a garantia da defesa dos direitos dos consumidores e naturalmente das condições óptimas de salubridade de confecção de determinados bens consumidos. É caso para dizer que, assim me lembre, e talvez queixa faça com que um "restaurantezito qualquer" tenha de justificar a uma Autoridade Económica o porquê de pedir 25 euros (5 contos na moeda antiga) por uma bandeja de 10 sardinhas. Com guardanapos de papel e com o agradável e inconfundível aroma das águas da marina misturadas com o gasóleo dos motores das lanchas. 

É curioso ver que cada vez mais o Algarve se destina a bolsas que não a dos portugueses. Ou dos portugueses "medianos". Para um turista norte-americano ou de um qualquer país europeu nórdico, o custo de vida "tuga" é barato, tendo em consideração que auferem enquanto reformados o mesmo que o nosso Presidente da República aufere enquanto vencimento no activo. Donde, facilmente embarcam na ideia de ter por cá uma casa, com tudo do bom e do melhor instalado, a 40 segundos da praia (se lhes apetecer ir), uma piscina capaz de fazer inveja a muitas piscinas autárquicas e claro, poderem jogar o tão necessário e interessante jogo do golfe. É certo que há um investimento nesta zona do País, uma dinamização do comércio local e, entre outros aspectos que aqui poderiam ser elencados, um aumento da projecção de Portugal além-fronteiras. Não posso é concordar que os portugueses sejam privados de poderem usufruir desta zona do País (sua, de resto), em consequência de um foco nas carteiras dos turistas.

Mas há portugueses que levam isto mais a peito. É a única explicação que encontro para os brutais espancamentos que se têm verificado maioritariamente na bonita região de seu nome Albufeira. Julgo que são cidadãos que se cansaram das misérias de vencimentos que recebem por cá, e descarregam em cima dos abonados (e ébrios) turistas nórdicos. E todas as semanas há notícias deste tipo. E que mais uma vez dominam os blocos noticiosos.

Neste momento de severa austeridade económica, é importante que dê entrada capital estrangeiro. Mas, é também importante que sejam reunidas as condições para que os que são de cá possam ir ao "All"garve. Como era no antigamente.

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Fazer omeletes sem ovos

"Fazer omeletes sem ovos" é como o próprio nome indica, fazer o impossível. Remar contra a maré. É o de forma estóica e corajosa enfrentar as vicissitudes e contrariedades da vida. Com verticalidade, com hombridade e muitas vezes sozinho, sem qualquer tipo de apoio. Todos já experimentámos esta sensação.

Pessoalmente falando, serão (e infelizmente), várias as situações com as quais já me deparei e para as quais esta frase curiosa assenta na perfeição. É um pouco o mesmo que pedirem que um carro seja conduzido sem volante ou sem rodas. Se é possível? Claro que é. Mas mais complicado será garantir que se chegue ao destino. Ou pelo menos que o faça durante os próximos 457 anos.

Consequência de uma série de factores, bem como das pressões sociais, concorrenciais (em termos organizacionais) as regras do jogo são claras - nada é ou pode ser impossível. Pede-se às pessoas que hipotequem o seu tempo de Família e de descanso em prol de uma maior produtividade empresarial. Em paralelo, ocorre-me o presente momento em que a tudo isto se junta uma carga fiscal tendencialmente superior, maiores sacrifícios pedidos aos portugueses e claro, no final, uma qualidade de vida severamente comprometida. Mas nada é impossível.

A questão que se coloca, no meu entender, é que as omeletes têm mesmo de ser feitas. Com ou sem ovos. Criatividade é algo que terá de estar sempre presente. Inequivocamente. O que sucede é que por vezes as pessoas não estão preparadas. Nem nunca vão estar. Mas..."dos fracos não reza a história". E nos dias que correm, e na actual "conjuntura sócio-político-económica"...quem não conseguir defender-se ou encontrar formas alternativas de combate ficará naturalmente para trás. Chama-se a isto selecção natural, e só os mais aptos sobreviverão.

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quarta-feira, julho 06, 2011

Sentimento de Posse

Desde tenra idade que me foi incutido (bem como ao meu irmão) a noção de partilha. Ou seja, o sentimento de posse de um bem material é algo distante na minha concepção. Mas a reflexão de hoje não versa em concreto o sentimento de posse de bens materiais, mas sim o sentimento de posse para com alguém.

Todos conhecemos casos em que o sentimento de posse de alguém por outrem extrapola ou extrapolou o limite do razoável. O que começa por ser algo bonito, intenso e agradável, na medida em que se sente desejo, vontade de estar, "presença", pode tornar-se ao longo do tempo um verdadeiro e comprometedor pesadelo. Não falo naturalmente nos primeiros meses ou anos de uma relação, em que se assiste ao chamado "Período de graça" e no qual tudo corre bem - como aqui desenvolvi há dias. Falo no momento "pós". Falo no momento em que, uma das partes, eventualmente menos razoável entende que não sente verdadeiramente que o outro lado esteja num processo de entrega na relação como o seu. E...surge então o sentimento de posse. Algo marcado pela intensidade de sensações más que são vivenciadas, pelo desgaste emocional e que em alguns casos pode mesmo passar pela violência física. Até ao crime passional : "Se não és minha/meu não serás de mais ninguém".

O sentimento de posse, nos moldes que refiro acima, pode assumir contornos que nem sempre é possível que sejam resolvidos no seio do casal. Pode suceder que seja necessária a intervenção externa (médica), com o objectivo de detectar a causa de tal descompensação e acção subsequente em conformidade. Noutros casos, e nos tais casos mais extremados, poderá ser chamada a intervir a autoridade policial competente.

Em jeito de conclusão, julgo que a conjunção de palavras "sentimento de posse" tem associada uma conotação pejorativa. Não consigo perceber quais as vantagens, mas consigo avançar as desvantagens. Em todo o caso, julgo que importa que ao mínimo sinal deste tipo de sentimento, as partes se "sentem" e falem sobre o mesmo, se tal fôr possível e houver espaço para o debate. Que sejam colocados em cima da mesa todos os argumentos tidos como lógicos, naturais, de ambas as partes e que sejam analisados em conjunto. Mais uma vez, só a dois as coisas podem ser entendidas e resolvidas.

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terça-feira, julho 05, 2011

Ficar sozinho

Integrado numa fase de vida partilhada com tantas outras pessoas que vou conhecendo, é natural e óbvio o pensamento de como será ficar sozinho. Para trás ficam arrumados e abandonados os relacionamentos que termiram por alguma razão, ou por minha culpa ou por culpa do outro lado. Parece-me simples. Também posso avançar que não me tenho como sendo daquelas pessoas que diz que a culpa é sempre do outro lado. Assumo a minha responsabilidade quando tenho de o fazer. E nem por isso é raro fazê-lo...

Tenho visto muita coisa. Porventura tenho tido azar, dirão alguns, e só vejo o que de pior existe. Ou que sou demasiado exigente e não deixo aproximarem-se ou conhecerem-me. É certo. Concordo. Até pode ser por aí. Mas o que tenho visto não me agrada. Lamento que as pessoas não sejam sinceras e verdadeiras umas com as outras. Faz-me confusão como é que perduram relacionamentos de fachada e que são mantidos durante anos. Estabilidade económica, dizem uns. Resignação, dirão outros. Anormalidade e mentira, direi eu. Como já tive oportunidade de aqui referir há uns dias atrás, em alguns destes relacionamentos de fachada há uma anuência / consentimento com a fenómeno tão comum da infidelidade, de parte a parte. Isso sim, faz-me reflectir para onde vamos.

É claro que não sou santo. É claro que muitas das pessoas que lêem estas sabem que devo estar a fazer um mea culpa ao escrever estas linhas. Sou a pessoa com o feitio mais complicado que existe à face do Planeta Terra. Não há ninguém mais complicado que eu nos 4 planetas seguintes à Terra (no tão conhecido e querido sistema planetário). Esta é a minha realidade. A questão que se coloca, é que todas as demais pessoas com que me vou cruzando são menos complicadas. Ainda que tenham ou possam ter problemas tão ou mais graves que aqueles com que tenho de lidar e ultrapassar no dia-a-dia. Uma questão de valorização do que se tem em mãos, julgo eu. E de prioridades, pois claro.

O ficar sozinho tem vantagens e desvantagens. Há uns tempos atrás tinha para mim que as desvantagens eram mais que muitas. Desde a dramatização do ficar sozinho (e morrer abandonado), passando pelo afastamento da ideia de conhecer pessoas novas (interessantes ou não na óptica de relacionamento afectivo) e terminando num grau de exigência muitíssimo elevado. E do qual não estou seguramente interessado em abrir mão. Tenho pena. Não só não quero sofrer, como não quero fazer sofrer. Se posso dar oportunidade de me dar a conhecer e conhecer alguém? Poder posso, é claro. Mas tem muito mais piada tornar as coisas menos óbvias. Para complicar logo o esquema todo, entendo não ter de desviar 1 cm da linha que delineei para meu projecto de vida e no que diz respeito em dar-me a conhecer. Sou mesmo assim. Não há volta a dar-lhe. Quem gosta come. Não não gosta põe de lado.

Outra desvantagem que decorre da opção de ficar sozinho é não ter ninguém com quem partilhar, confidenciar e saber que se pode contar para debater alguma ideia, boa / má notícia, ou um simples segredo. Deixa de existir uma referência - tipo, quero conhecer alguém. Pode eventualmente passar a ter várias, momentaneamente, e com o firme objectivo de tentar "acertar" naquela que mais lhe agradar. Mas "no final do dia",não está ninguém casa à espera. Está o silêncio. E claro, há o risco real de, não tendo ainda chegado a essa fase, não haver filhos. Ainda que os queira.
As vantagens são várias e amplamente defendidas por quem gosta (e quer estar) sozinho. Normalmente digo que as pessoas que gostam de estar sozinhas podem ser de dois tipos: a) Provêem de uma família disfuncional, e que como tal nunca tiveram / cresceram com uma referência em termos de "Instituição Família", donde, é fácil optar por um tipo de vida solitário e sem correr o risco de se apegar a quem quer que seja ou, b) Alguém que passou um mau bocado no passado e reflectindo sobre a vida e o que vê acontecer à sua volta pondera a real possibilidade de ficar só.

Neste último caso, é necessário que se tenha alguma "cabeça" para que se possam usufruir das verdadeiras vantagens do estar só. Não é necessário justificar puto a quem quer que seja. Pode-se tomar café com uma pessoa diferente todos os dias. Jantar fora com alguém novo todos os finais de semana. E claro, ser invejado pelos amigos /as porque "rotina" é algo que deixa de existir no léxico pessoal. Faço menção ao facto de ser necessária alguma "cabeça" porque é nestas alturas que se têm os desgostos amorosos. Acontece que alguns casos não foi convenientemente efectuado o "luto" de relacionamentos passados. Surge então a confusão mental e frequentemente há precipitação por parte de alguém que se sente carente e desesperado por ter alguém. São as pessoas que têm fobia de terminar os seus dias sem ninguém ao lado. E que confundem uma série de sentimentos. Na ânsia de ter alguém apaixonam-se perdidamente por pessoas que conhecem...há dias.

Para terminar (já que este deve ser um dos maiores textos que aqui já escrevi), julgo que o "denominador comum" deve ser sempre a interiorização e capacitação desta nova condição de vida. Pesar os prós e os contras. Avaliar o que se quer ter e o que se tem para dar. É esse o pensamento que deverá nortear qualquer decisão. E sempre, mas sempre, tentar ser o mais verdadeiro e honesto consigo mesmo. De nada vale ir ao engano. Mais cedo ou mais tarde dá mau resultado.

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