segunda-feira, julho 18, 2011

Agências de Rating

Nestes últimos dias muito se tem ouvido falar das agências de rating. "To rate", na língua do meu amigo Obama significa "classificar". E dei nota há poucos dias de viver num País recentemente classificado como "lixo".

Naturalmente que esta classificação me deixou muitíssimo intrigado e algo incomodado. Estive quase para enviar um e-mail para os EUA partilhando este meu estado de espírito com quem de direito. Diz que uma tal empresa do outro lado do Atlântico avaliou ou classificou Portugal como "lixo", ainda que dois dias antes tenha sido apresentado em Bruxelas um plano mais rigoroso e restritivo de medidas de austeridade que o sugerido pela própria troika. Ou seja, fiquei ainda mais baralhado.

Não irei aqui comentar a classificação dada e que me parece óbvia de quem andou a fumar "broca da boa". Digo apenas e só tendo em consideração a tal apresentação das medidas dois dias antes. Só alguém alheado da realidade e que vive num universo paralelo se poderia lembrar de classificar como "lixo" um país que denota esforço e desencadeou uma série de medidas para fazer face a uma situação preocupante.

Importa também perceber as consequências imediatas que houve. Refiro-me natural e obviamente aos investidores atentos à classificação deste tipo de agência. Da "pretensa" credibilidade que a mesma oferece em termos de input para os opinion makers e permitindo o sugestionamento  positivo (ou não) de um investidor aquando da avaliação da injecção de capital no nosso País. Se a nossa situação económica débil já faz muito investidor ficar de "pé atrás" ou reticente, com este tipo de avaliação as coisas ficam bem piores. Como exercício convido qualquer um de vós a pesar se emprestaria ou investiria dinheiro em algo que vos tivessem dito que era dinheiro "deitado fora". Se calhar não.

Importa por outro lado perceber o que aconteceu por cá, e uns meses antes. Se a memória não me trai, a mesma agência tinha atribuído uma classificação bera ainda durante o mandato do governo demissionário. Não seria tão má e sumária como esta de "lixo", mas não andaria longe. Sendo um confesso limitado intelectualmente, há várias coisas que me fogem ao entendimento e percepção. Uma delas é a simples questão : "Que acções concretas foram tomadas aquando do primeiro sinal de alarme?". A resposta? Eu sei. Nenhuma. E que eu seja cão se o argumento da Esquerda não é o  mesmo de sempre..."Não fosse a Direita ter feito cair o Governo e a classificação nunca teria sido esta". Mais do mesmo, portanto. E como sempre, num País de brandos costumes, de forma airosa, de forma despreocupada e irresponsável, qual ratos, abandonam o barco. E vão tirar cursos de Filosofia...para França. Que tristeza.

Uma nota final para a importância que é dada a este tipo de empresas e o poder que têm. A classificação atribuída a Portugal mereceu os mais fortes e condenatórios comentários dos vários quadrantes políticos portugueses. Julgo que terá sido mesmo uma das poucas vezes em que houve consenso. O tal consenso democrático por vezes necessário e tão difícil de alcançar.

Mas mostrámos bem que não estamos numa posição de subserviência ou de inépcia face a uma classificação péssima. Reagimos e contestámos a classificação atribuída por parte de uma empresa que...por sinal também faz parte de um país que neste momento atravessa uma das piores crises que há memória. Será que também dirá ao "dono do mundo" que os EUA também é "lixo"? Talvez não. Parece-me a mim...

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