quinta-feira, julho 14, 2011

Homenagens

Começo esta reflexão de hoje redimindo-me e avançando que sou uma pessoa um pouco avessa às tão comuns e habituais homenagens por tudo e por nada. Não pelo facto de "ser do contra". Nada disso. Mas sim pelo facto de não reconhecer feitos históricos ou de relevo que justifiquem uma homenagem em vida ou póstuma a algumas pessoas.

É curiosa este tema das homenagens. Há imensas ruas com nomes de pessoas que não conheço nem tampouco alguma vez ouvi falar, e outras para as quais tenho de fazer um esforço enorme para me lembrar em que feito imensamente nobre se destacaram. E em vários casos não consigo encontrar uma razão plausível para que alguém reconheça uma importância tão relevante que justifique uma homenagem ou por exemplo a atribuição desse nome para uma rua ou arruamento.

Já aqui manifestei a minha simpatia pela "causa" militar. Na sua essência encaro esta causa como nobre na medida em que alude à defesa da Pátria e dos seus cidadãos em caso conflito bélico com outra nação. Assim sendo, e na sequência desta linha de pensamento, quando me abordam com o "assunto homenagens", a primeira lembrança que me ocorre, vai directa e imediatamente para as centenas de milhar de militares que perderam a vida no Ultramar. Ou aqueles que inadvertidamente vão perdendo a vida em acidentes que têm lugar em "teatros de guerra" por esse mundo fora em tempos mais recentes. 

O que me deixa um "bocado grande" revoltado é a forma como estes militares que menciono atrás são homenageados. Um singelo evento seguido de uma tímida celebração anual. Não tenho presente, ou por outra, nunca pensei em que moldes podia ou deveria ser prestada tal homenagem. Mas entendo que da forma como o é actualmente é francamente frustrante e insuficiente. Quer para as famílias dos que "ficaram" no Ultramar, quer para os militares sobreviventes. Em muitos casos, com poucos anos a mais que a idade da maioridade tinham a chamada "guia de marcha" para terras longínquas e num continente distante. Sem saber ao que iam. E muitos sem saber que não voltariam.

 Se me faz confusão o que acabo de referir acima, faz-me muito mais confusão o facto de não imperar a razoabilidade aquando de certas condecorações ou homenagens específicas. Falo das condecorações honoris causa, por exemplo. Aquelas que são atribuídas a pessoas detentoras de um qualquer diploma universitário e que se tenham destacado em determinada área (e.g.: artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz, de causas humanitárias, etc.), e que pela sua boa reputação, virtude, mérito ou acções de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições. Acho curiosa esta apreciação e avaliação da prestação individual.

Para terminar, e dado que qualquer pessoa pode ser homenageada, vou ver se um destes dias me "auto-proponho" para uma homenagem. Tenho de ver se perco aqui algum tempo na net ou falo com algum amigalhaço desses que têm um tacho na política (ou têm algum amigo político) para ver se me dão um empurrão. Com sorte fico com mais um grau académico. Vou começar a pensar nisso a sério.
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