terça-feira, julho 12, 2011

Matrículas na Escolas

Lembro-me que durante vários anos houve o hábito instituído lá em casa de, em reunião familiar "pós jantar " se preencherem os impressos de matrícula para o liceu. Meus e do meu irmão. Com uma paciência digna de santo o meu pai ajudava-nos a escolher e preencher as várias opções disponíveis nos impressos de matrícula. Natural e obviamente que toda aquela informação importantíssima só poderia ser digerida e mentalmente interiorizada por um adulto. Tenho de reforçar a ideia do "informação importantíssima" porque só assim consigo entender que na altura fossem pedidas 47 vezes a minha morada, a filiação, as habilitações literárias dos pais e meu número de telefone de casa. 

Enquanto isso eu pensava noutro tipo de detalhe. A minha preocupação centrava-se essencialmente em tentar que a minha querida e extremosa mãe não se lembrasse de mais uma vez, sugerir veemente ao meu pai que colocasse uma cruz nas aulas de "Religião e Moral" com a Professora Amélia. Nada tenho contra esta amorosa e interessantíssima senhora, não tivesse a mesma a particularidade de ter uma altura que rondaria os 1,40 metros, 440 anos e fosse mais surda que uma porta de carvalho maciço. Já não falando da colónia que deve ter sido um sucesso em 1810. Mas que no final da década de 1980 já estaria naturalmente fora de moda. Só no 5º ano me enganaram. No 6º ano consegui uma qualquer manobra de diversão na altura do preenchimento dessa quadrícula e foi a mesma esquecida para sempre.

Tenho a certeza absoluta que os impressos de matrículas eram pensados e trabalhados numa óptica de testar a paciência das pessoas. O tipo de elementos solicitados, as cópias pedidas, o boletim de vacinas actualizado entre tantos outros elementos fazia-me pensar frequentemente que ingressar na NASA deve ser "um passeio no parque". À distância de umas boas dezenas de anos vejo que o grau de exigência e rigor nos elementos solicitados é o mesmo. Tenho quase a certeza absoluta que os impressos em alguns liceus devem ser os mesmos e que os limites da razoabilidade de qualquer progenitor continuam a ser testados ao limite. Daí ser possível ver-se pessoas tão novas e já com tanto cabelo branco. Deve estar relacionado.

Para terminar, não deixo de achar curioso constatar que a excessiva burocracia se perpetuou ao longo dos tempos. Mais curioso ainda é que a evolução tecnológica (leia-se dotar as escolas portuguesas de meios e pessoas capazes de agilizar todo o processo de matrícula) não aconteceu. Li há dias um artigo de opinião em que percebi que continua tudo na mesma. Sem tirar nem pôr. O pessoal administrativo que está em algumas escolas é mais velho que a própria escola e obviamente que não acredita no computador. O pessoal administrativo mais jovem, é da geração dos "Facebooks, Hi5" e afins. Trabalhar que é bom, "tá quieto". Os papás que o façam. Ou os filhos, como passei eu a fazer a partir do 7º ano. E daí em diante. Sozinho. E sem aulas de "Religião e Moral".

Próximo Tema: Homenagens

1 comentário:

C. disse...

isso mesmo, um pouco melhor nada mais!