sexta-feira, julho 08, 2011

O Algarve no Verão

Para quem como eu conhece relativamente bem o Algarve, consegue com facilidade perceber o que o Algarve de hoje, nesta altura do Verão, não é o Algarve de há uns anos atrás. Muita coisa mudou. Para pior, na quase totalidade dos casos.

O Sul de Portugal, e em concreto o Algarve, é conhecido pelos turistas por três razões: praias, golfe e a tão famosa alfarrobeira. Não há lá nada mais de interesse (a não ser as pessoas simpáticas, é claro). De resto, pouco sobra a não ser as 15.600 formas de confeccionar a deliciosa doçaria algarvia. Com a alfarroba, claro.

Gosto particularmente do Algarve durante o Inverno. Vazio e sem muita gente para me azucrinar a cabeça com pressa de ir dar o último mergulho da vida à praia da Falésia. Há restaurantes que estão fechados porque o movimento não "paga" o custo de terem as portas abertas e os vencimentos dos zelosos e algumas vezes simpáticos trabalhadores. Tipicamente, os proprietários dos restaurantes não têm só um negócio, pelo que, não fará "grande mossa" durante meia dúzia de meses estarem de portas fechadas. Compensa-se no Verão.

O Algarve no Verão. Sem dúvida a "silly season". Personalidades e famosos é vê-los "a banhos" no Sul do País. Gosto disto. À semelhança de tantos outros locais igualmente "bem frequentados", agrada-me ir à Praia da Falésia nesta altura do ano ver todos os novos modelos das marcas de automóveis. Já sei que se quiser ver algum modelo novo da BWM, Mercedes, Audi ou Porsche, é lá que encontro. Aliás, da última vez que lá fui, há uns anos, havia trânsito, porque alguém queria estacionar o "seu espada" milimetricamente....num lugar onde cabiam 4 camiões TIR atravessados. É verdade. "Dá Deus nozes a quem não tem dentes".

Já aqui falei sobre os "comes e bebes" na praia. Tenho aversão a levar para a praia mais do que uma revista de automóveis (ou jornal semanal, se fôr final de semana), o telefone e a carteira. A toalha roubo a alguém que vá comigo ou uso aquela que a natureza me dá gratuitamente - a areia. Ou seja, é impensável levar comida e bebida. Donde, com alguma facilidade interiorizo que certamente haverá lá no sítio um local onde possa comprar uma sandwich de delícias do mar e uma coca-cola acabada de sair do Polo Norte. Haver até há..o problema é que também sou "assaltado" quando chega o momento do pagamento. Normalmente apodera-se de mim a incredulidade e questiono-me se estare a pagar a conta das pessoas que estão atrás de mim...Já falei sobre isso aqui no blogue.

O Algarve vive disto. Da exploração desmedida do consumidor incauto em consequência do inflaccionamento criminoso dos preços dos bens. Bem sei que "Quem vai ao mar avia-se em terra." Mas também sei que na altura em que o este ditado popular surgiu, há 976 anos a esta parte, não existia uma ASAE nem tampouco uma DECO. E são instituições cujo objecto primordial é a garantia da defesa dos direitos dos consumidores e naturalmente das condições óptimas de salubridade de confecção de determinados bens consumidos. É caso para dizer que, assim me lembre, e talvez queixa faça com que um "restaurantezito qualquer" tenha de justificar a uma Autoridade Económica o porquê de pedir 25 euros (5 contos na moeda antiga) por uma bandeja de 10 sardinhas. Com guardanapos de papel e com o agradável e inconfundível aroma das águas da marina misturadas com o gasóleo dos motores das lanchas. 

É curioso ver que cada vez mais o Algarve se destina a bolsas que não a dos portugueses. Ou dos portugueses "medianos". Para um turista norte-americano ou de um qualquer país europeu nórdico, o custo de vida "tuga" é barato, tendo em consideração que auferem enquanto reformados o mesmo que o nosso Presidente da República aufere enquanto vencimento no activo. Donde, facilmente embarcam na ideia de ter por cá uma casa, com tudo do bom e do melhor instalado, a 40 segundos da praia (se lhes apetecer ir), uma piscina capaz de fazer inveja a muitas piscinas autárquicas e claro, poderem jogar o tão necessário e interessante jogo do golfe. É certo que há um investimento nesta zona do País, uma dinamização do comércio local e, entre outros aspectos que aqui poderiam ser elencados, um aumento da projecção de Portugal além-fronteiras. Não posso é concordar que os portugueses sejam privados de poderem usufruir desta zona do País (sua, de resto), em consequência de um foco nas carteiras dos turistas.

Mas há portugueses que levam isto mais a peito. É a única explicação que encontro para os brutais espancamentos que se têm verificado maioritariamente na bonita região de seu nome Albufeira. Julgo que são cidadãos que se cansaram das misérias de vencimentos que recebem por cá, e descarregam em cima dos abonados (e ébrios) turistas nórdicos. E todas as semanas há notícias deste tipo. E que mais uma vez dominam os blocos noticiosos.

Neste momento de severa austeridade económica, é importante que dê entrada capital estrangeiro. Mas, é também importante que sejam reunidas as condições para que os que são de cá possam ir ao "All"garve. Como era no antigamente.

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4 comentários:

Ana disse...

Falar sobre o Algarve a partir de Lisboa até será fácil, e não o Algarve não é só praia e golfe, mas enfim são opiniões, e quem espanca turistas em Albufeira não serão cidadãos cansados disto ou daquilo, mas jovens marginais a quem não foi dada nem educação, nem valores e provavelmente nem identidade, e que as forças de segurança teem dificuldade em controlar, como aliás acontece noutras zonas do país até mesmo em Lisboa

Anónimo disse...

mas, podemos sempre ir de férias para outro lado!!!!!!!!!!!!!

C. disse...

pois podemos???????????

cmg060 disse...

Ui, tb ia convidar a vires cá ter no fds mas com tanto convite....Lol. Estás a precisar de voltar lindo, tb não é tanto assim. Ah, e podes sempre vir. Beijinho