segunda-feira, julho 25, 2011

Passe L 123

Foi repleto de júbilo que há mais de 20 anos atrás obtive pela primeira vez o meu primeiro passe social. Para começar, tenho de partilhar o momento singular de ir levantar o meu primeiro passe. Foi naturalmente muito aguardado e claramente envolto em grande expectativa. Se a memória não me falha, não devo ter dormido na noite anterior a este momento festivo. Aliás, outra coisa não seria de esperar, com a mente a ser permanentemente " assaltada" pelo turbilhão da minha mente a imaginar as viagens que poderiam ser feitas na maravilhosa e única cidade de Lisboa. 

Afinal, tudo se resumia a passar a ter um cartão só meu, personalizado, com a minha fotografia e que podia orgulhosamente ser ostentado no meu peito. Um passe social. Para me ser possível utilizar um qualquer transporte da Carris ou do Metropolitano de Lisboa. Sublime, portanto. Basta pensar que em qualquer momento podia acontecer que me apetecesse ir até à Baixa ver as iluminações desse Natal ou mesmo até ao Mercado da Ribeira comer umas pataniscas de bacalhau com arroz de pimentos (Nota: Sim, gosto de pataniscas de bacalhau).

Se durante alguns anos foi com grande responsabilidade e zelo que mantive zelosamente guardado o meu passe social numa carteira com divisória plastificada, desta muy nobre e importante empresa que é a Carris, eis que a dado momento fui submetido a uma nova prova. Por altura de umas férias de Verão, e para me ser possível ir com a rapaziada lá da rua para a praia do Castelo na Costa da Caparica, tive (tal como todos os outros amigalhaços), de evoluir. Ficar mais "crescido". E pela primeira vez na minha vida pedir no guichet da Carris um selo"L 123" para o meu tão bonito passe social.

Não é qualquer pessoa que pede um selo "L 123". Este selo possibilita ao seu detentor ir até onde quiser. É o "topo de gama" dos selos dos passes sociais. Assim haja criatividade, torna-se possível experimentar uma série de coisas, começando e terminando no facto de atravessar a Ponte Salazar num belíssimo laranja e moderno autocarro da Carris. Movido a gás natural. Lembro-me que na altura em que comprei o primeiro selo também me senti importante. Afinal estava a comprar um selo diferenciado e distinto. Lembro-me também de contar os minutos para que esse mês que findava terminasse realmente, para colocar então o tal novo selo. Com uma cor que naturalmente diferente dos selos convencionais. Por razões óbvias.

A primeira que colei este selo no passe social senti-me diferente. Poderoso. Lembro-me como se fosse ontem que quando entrei no "16", para ir para Sete-Rios (e depois apanhar o autocarro para a Costa), colei o passe na cara do motorista. Para que visse bem que não era um "puto" qualquer. Era um puto com um passe da Carris com o selo "L 123". Que saudades desses tempos...

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