quinta-feira, julho 21, 2011

"Quando a esmola é muita..."

.....o pobre desconfia". Como não seria de esperar, algo que já aconteceu comigo. Aliás, e em verdadeiro abono da verdade, tenho de aceitar que poucas serão as coisas que ainda não me aconteceram. Mas isso é outra "liga", como se costuma dizer.

Dar muita esmola, explicando resumidamente, significa pagar-se "agora", para se obter um qualquer favor depois. Esta é a explicação sucinta das coisas, sem floreados. Aconteceu-me ainda há pouco tempo, sensivelmente um ou dois meses. A minha madrinha chegou-se à frente para "comparticipar" uma despesa extraordinária que me terá surgido. Achei por momentos que tinha chegado ao céu sem dar conta. Até porque esta minha tia (e madrinha) consegue ser mais "fona" que o pato mais rico da banda desenhada. É o tipo de pessoa que não compra roupa nova há 250 anos e consegue o feito histórico e memorável de usar o mesmo par de sapatos há mais de 20. E desconfio seriamente que poupa no cabeleireiro e no abrir os cordões à bolsa para o barbeiro do tio. As grandes fortunas fazem-se é poupando e não gastando, bem sei.

Por uma questão de boa educação declinei no imediato a "comparticipação" da minha tia. Naturalmente que dá sempre jeito qualquer ajuda extra, mas também fui educado no sentido de...recusar a primeira abordagem. Dou comigo a pensar no sentimento de culpa que se teria apoderado de mim se a minha tia não tivesse insistido mais. Mas insistiu (felizmente) e lá "aceitei".

A questão revestia-se de uma complexidade maior do que eu podia poderia ter pensado inicialmente. Em causa estava um telefonema que tinha transtornado o meu tio à hora do jantar da noite anterior. E que se resumia a uma cegonha que tinha decidido nidificar (mais uma vez) na chaminé de um monte alentejano que os meus tios têm perto de Moura. E aqui começou a sua odisseia, e logicamente o "reverso da medalha" da tal contribuição...

Vindo de alguém que continua a fazer bancos de urgência (a minha tia é médica) já depois de ter passado (e muito) a idade "normal" até à qual devem os mesmos ser garantidos, devia aqui o escriba ter sido mais ágil no pensamento e percebido que não há "almoços grátis". E não houve, claro. A tal "comparticipação" tinha como contrapartida o levar os meus tios ao tal monte, no meu carro, com partida de Lisboa tipo às....0500H. Pelo meio, passar por Badajoz, porque me juraram a pés juntos que seria nesta localidade espanhola que ia fazer o negócio da minha vida e encontrar a tal peça (responsável pela tal despesa extraordinária). E mais tarde comprovou-se que a tal peça em Espanha, aqui mesmo ao lado, custava....três vezes....mais. Curioso não é? Eu também achei. Os meus tios ficaram à beira de um avc. E claro que sei porquê...começaram rapidamente a pensar se não foram enganados todos estes anos que foram ao país dos caramelos aqui mesmo ao lado...

De Badajoz fomos a Moura e de Moura fomos então à minha saudosa Amareleja, que não visitava há mais de 20 anos. Tudo isto terá durado um dia inteiro. Regressei a casa (Lisboa) seriam umas 2345H. Estafado e com mais de 500 quilómetros em cima do "pêlo". Ah..e no dia seguinte fui trabalhar.
Da próxima vez que alguém me quiser ajudar....vou tentar de certeza tentar perceber muito bem o que "está em jogo". Para não cair novamente neste tipo de "embuste".

Próximo Tema: Cortar no Supérfluo

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