terça-feira, julho 26, 2011

Travessia do Tejo

Para qualquer comum lisboeta, a "conversa" da travessia do Tejo é algo que é pouco valorizado. Isso será para os que vivem no deserto. Por outro lado, sei muito bem que se tenta justificar o investimento nos novos barcos, objecto de gastos avultados por parte das concessionárias que exploram este negócio específico e mais lucrativo que o euromilhões em semana de jackpot. O transporte de passageiros entre as duas margens do Rio Tejo. E ninguém ouse duvidar que estes barcos sejam o que de mais avançado existe neste tipo de embarcações.

Defendo que estas empresas que transportam os passageiros entre as duas margens do Rio Tejo deviam ponderar seriamente em fazê-lo pro bono. Explico porquê. Hei-de encontrar uma carta que em tempos escrevi, dirigida a uma das Administrações de uma destas empresas. De forma paciente, estruturada e exaustiva descrevi a minha teoria do porquê ser benéfica para ambas as partes interessadas: passageiro e para que a tal Administração "comprasse".

Claro que comecei por "amansar a fera". Afinal, estamos a falar daqueles primeiros segundos em que começa a ler algo (e não temos tempo para o fazer). Interessa portanto ser conciso, directo. Tive de pensar vários meses como ser assertivo, directo e moldar um parágrafo lindo. Tornei-o maravilhoso. Comecei por referir que, eventualmente o Sr. Administrador desconhecesse o número de pessoas que não gozam da magnífica paisagem durante a curta viagem. Coloquei um necessário e oportuno "Porquê?". E foi com a minha resposta que sei que o fiz endireitar-se na cadeira e ajeitar os óculos de tartaruga no nariz.

A resposta é simples. Porque ficam com náuseas. Sim, porque enjoam durante a viagem. Donde, (aqui dei a primeiro estocada) defendo que estas viagens entre margens podem e devem ser custeadas por todas aquelas pessoas que usufruem em pleno da paisagem e o conseguem fazer sem enjoar. Antevendo uma previsível "Ah, pois claro...então toda a gente passava a dizer que estava enjoada!" preparei nova afiada bandarilha. E continuei o meu raciocínio...

Claro que sim, à boa maneira portuguesa toda a gente passaria a andar enjoada nos barcos. E eis que qual "Pedrito", habilmente maneando a afiada e reluzente bandarilha, enterraei-a sem dó nem piedade nas costas do Sr. Administrador. Quase que o vi espernear. Claro que pensei na forma de contornar a questão que certamente ocorreria ao "moribundo" Administrador "Diga-me por favor como?"...

A explicação figurava na parte final da minha tão interessante carta. Algo simples. Recorrendo a voluntários. Pessoas que estivessem no desemprego e por exemplo passassem o santo dia a arrumar carros. Ou a tocar concertina nos semáforos. Passariam a ter a responsabilidade de "policiar" ou "supervisionar" quem durante as viagens tinha estado  "fresco que nem uma alface" e no final da mesma diria que se sentia indisposto. A sua acção, nobre, de resto, passava por dar dois assobios rápidos e piscar o olho ao piloto do barco. Em que medida é tal bom para a transportadora? Vem agora a melhor parte...

Deixaria de haver necessidade de se investir em publicidade destas empresas. E quem paga os ordenados sabe que "publicidade" sugere "dinheiro", "gastos excessivos" e ainda ter 3 reuniões com os "desinteressantes criativos que se vestem de forma incoerentemente alternativa". A publicidade passaria a ser sustentada no "passa palavra" dos passageiros.

Passaria também a ser possível que as pessoas dissessem umas às outras algo do género:..."Nem imaginas. Na viagem de ontem lá de Cacilhas para o Terreiro do Paço, apanhámos vagas de 10 metros de altura. Nem vais acreditar que no final da viagem só 4 passageiros não pagaram. Tinham caído ao rio. Já demos conta disto tarde. De resto a viagem até nem correu mal e chegámos a horas a Lisboa. Calhou bem porque tive de ir cedo às Finanças tratar do imposto do carro. Desconfio que depois de nos deixar em terra, o barco foi ver se encontrava os tais passageiros. De certeza absoluta que vou voltar a viajar nesta empresa!"

Esta é, meus amigos e amigas, a fórmula do sucesso. Poupar na publicidade, ganhando-se claramente na quantidade de passageiros contentes nas viagens entre margens.

Posteriormente, poderia igualmente pensar-se num concurso mensal. O passageiro que conseguir fazer mais vezes a travessia do Rio Tejo, no cacilheiro "Adamastor",  durante um mês inteirinho, ganharia a possibilidade de poder...viajar na cabina de comando do "Adamastor" numa das viagens (Margem Sul <-> Margem Norte) e puxar 3 vezes o sonoro e agradável buzinão!

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