quarta-feira, agosto 31, 2011

Creches

Lembro-me muito bem da minha creche. Já lá vão mais de três décadas e ainda hoje guardo na minha memória as boas e bem dolorosas marcas dos joelhos esfolados, da irritante e obrigatória hora da sesta depois do almoço e claro, das batalhas campais com a creche contígua. Bons velhos tempos.

Foram bons tempos marcados pela despreocupação e alheamento dos problemas inerente à minha tenra idade. Aliás, e se a memória não me trai, creio ter sido nessa altura a altura em que consegui que mais mulheres me ouvissem e acreditassem naquilo que "vendia"...ok, aspirantes a mulheres. Consegui o singelo feito e árduo marco histórico de ter todas as "coleguinhas-da-minha-classe" enamoradas. Assim como uma ou outra da tal creche "inimiga". Naturalmente que isso me ía trazendo algumas agruras durante a minha breve estadia nesta creche. Acompanhadas de algumas acentuadas animosidades com os pares masculinos. Como também se percebia pelas "esperas" que me eram feitas, alegando que estaria a "pisar o risco". Não tivesse eu as minhas tropas alerta e não estaria aqui a partilhar este texto.

É com alguma consternação e preocupação que vejo o estado das creches de hoje em dia. Começo por falar do tempo que as crianças crianças passam na creche, separados dos pais. Demasiado tempo. "Ah e tal, mas há o trabalho dos pais". Bem sei. A culpa não é dos pais. É de quem regula e decide o tempo que os pais podem ficar em casa com os filhos. Também é líquido para mim que a colocação de um filho(a) numa creche nunca é a primeira opção. Quero acreditar nisso. Será pois a consequência de uma vida profissional dos pais, e tendencialmente mais preenchida, fruto das pressões das empresas e por forma a garantir a subsistência...perdão, sobrevivência das famílias nos dias que correm. É neste momento que muitos amigos e amigas me dizem o quão importante e facilitador acaba por ser a questão de terem os pais por perto. Em alguns casos, acaba por ser feito um bypass à temporada das crianças nas creches, assim seja garantido que os avós têm tempo e paciência para aturar as diabruras inerentes a estas tenras idades. Há quem tenha a tal paciência para ajudar na criação e há quem já não a tenha.

Uma questão pertinente está relacionada com os maus tratos comummente infligidos a crianças em creches portuguesas. Há poucas coisas que têm o dom de me tirar do sério. Esta é uma delas. Não consigo entender nem tampouco aceitar a já habitual e nossa conhecida brandura da justiça portuguesa para alguém que espanca ou violenta uma criança indefesa. E em alguns casos que marcada e rapidamente resolvida com um termo de identidade e de residência do(a) presumível agressor(a).

Para terminar, os custos de manter uma criança numa creche fazem com que, na minha opinião, tenham de ser bem avaliados pelos pais todos os cenários possíveis. A eventual disponibilidade e ajuda dos avós, as creches que algumas empresas hoje em dia já têm, facilitando a vida dos seus empregados ou mesmo a decisão de um dos pais ficar em casa até os filhos terem idade de ingressar na escola primária. Assim o outro lado (cônjuge) consiga suportar as despesas de manutenção e quotidiano normal de um lar.

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terça-feira, agosto 30, 2011

Regressões

Há já bastante tempo que oiço falar em regressões. Confesso que é um daqueles temas que me desperta alguma curiosidade e tem o dom de me deixar com a minha tão conhecida taquicardia e a usual "pele de galinha". Ansiedade, portanto. Também já me consciencializei que um destes dias vou fazer uma regressão com um qualquer conceituado psicanalista da nossa "praça".

Ninguém tenha dúvida que a regressão espiritual é algo de sobeja importância. E que não deve ser levada a brincar. Muito pelo contrário. É importante que seja feita com alguém que sabe o que está a fazer. Passo a explicar: No outro dia "fui apanhado" no regresso a casa, vindo da padaria, pela D.ª Maria do Céu, ali do 44. Contou-me a mesma que a prima da tia de uma vizinha que lá tem na terra fez uma regressão com um "endireita-que-também-faz umas-regressões-em-jeito-de-biscate". Parece que a coisa não correu lá muito bem, e a tal vizinha descobriu que...tinha sido uma osga!

É importante que quem voluntariamente faz regressões esteja preparado(a) para a verdade nua e crua das coisas. Tal e qual como elas são e sem as mariquices dos filtros. Afinal, trata-se de perceber de onde vimos. E de ir buscar memórias inacessíveis. No caso, para a vizinha da D.ª Maria do Céu, no maravilhoso e entusiasmante mundo dos répteis.

Pois bem, não tenho dúvida que a minha regressão, quando a fizer, só pode apontar no sentido de ter sido um Santo. Dotado de uma infinita paciência. Para aturar e perdoar sempre os erros dos outros e conseguir ser compreensivo com as reincidências. Só assim encontro a explicação para o facto de estar disponível ouvir os problemas dos outros, envolver-me na resolução dos mesmos e nunca esperar nada em troca. 

Também acredito que a "aparente-condição-de-santidade" sugira a quem me conhece que problemas não são comigo. O que nem sempre corresponde à verdade.

Quero confirmar esta minha teoria. E quem sabe, em breve, possa aqui relatar essa importante "viagem"!

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segunda-feira, agosto 29, 2011

Pulseira electrónica

A pulseira electrónica é, na minha humilde opinião, uma das melhores invenções do século passado. Aliás, confesso que não entendo muito bem como não foi a mesma submetida a referendo, à semelhança de tantos outros assuntos indubitavelmente actuais e importantes.

Os números falam por si. Segundo a edição de ontem de um jornal diário, estão activas no presente momento cerca de 582 pulseiras electrónicas. O jornalista conseguiu ir mais longe e descobriu que o custo diário associado a um recluso que use uma pulseira electrónica tem um valor de 17,20 € /dia,  contra um custo médio de um prisioneiro que viva na cadeia (e por dia) de 50 €. Assim sendo, e como primeira conclusão, é possível ao Estado uma poupança de 32,80 € /dia. Mas continuemos a entusiasmante análise dos números. Cerca de 582 reclusos são no presente momento vigiados electronicamente. Significa isto que o escriba, à semelhança dos leitor(a) que lê esta reflexão, está obrigado a uma contribuição (através do expectável e desejável pagamento dos seus impostos) que possibilite o custeio de cerca de 10.000 € / dia / recluso (vigiados através da pulseira). Chocados? Ainda não é tudo. As "boas notícias" é que a população prisional ascende no presente a um bonito e redondo valor de cerca de 11.921 reclusos. E foi aqui que me dediquei a fazer algumas contas simples. Com recurso à minha simples e obsoleta máquina calculadora, obtive um simpático e agradável custo de 596.050 € / dia / recluso (os que vivem na cadeia). Para se ter uma ideia da grandeza, o custo da população prisional que vive nas cadeias é praticamente 60 vezes superior ao custo dos presos vigiados electronicamente com recurso à pulseira.

Finda que está esta primeira e expressiva abordagem através dos números, oferecem-se-me fazer alguns comentários. No final do tão importante artigo é avançado que 7 em cada 100 reclusos vigiados electronicamente infringe as regras. Mas que ainda assim não será um valor preocupante na medida em que a média europeia ronda os 12 em cada 100 reclusos. Por outras palavras, podem até acontecer reincidências de roubos violentos bombas de gasolina, com coacção por armas de fogo, sequestro e agressão física aos funcionário / Clientes, que não há motivo de preocupação. Sinceramente, fico muito mais descansado. Afinal serão eventos com os quais não devo perder o sono nem ficar alarmado. O valor percentual dos nossos infractores está  abaixo da média europeia.

A segunda abordagem e que não é focada no artigo, é a questão da quantidade de reclusos que habita nos "hotéis". Peço desculpa, nas prisões. No anel imediatamente circundante à bonita e prazerosa cidade de Lisboa, é possível passar uma noite num desses hotéis de estrada por uma quantia inferior à diária de um recluso que vive na cadeia. Dá-me que pensar. Ou os reclusos vivem bem demais, ou estas cadeias de hospedagem são muito más e sacrificam as margens de lucro em detrimento de taxas de ocupação expressivas em tempo de crise. A questão é que conheço relativamente bem estas cadeias de hotéis de estrada. O custo é justo, são confortáveis sem ser excentricamente luxuosas, e também não são os curros dos touros de Barrancos. Ou seja, parece-me que há "alguém" que vive bem demais. E é sempre o mesmo quem custeia estas estadias. Infelizmente. Reclusos que por algum motivo estão detidos, em alguns casos homicidas de famílias inteiras, violadores, criminosos, traficantes, anda tudo a viver à custa de quem tenta fazer frente com honradez e verticalidade a uma crise económica sem precedentes. Ainda que por vezes seja muito difícil e obrigue a cedências e sacrifícios.

Para terminar, uma ilacção que está implícita nesta peça jornalística e que deveria ter sido mais enfatizada É expectável que aumente a população prisional. Porquê? Em consequência da crise económica que se vive actualmente. O pior está para vir. E não tenho dúvidas que a criminalidade e infracções à Lei serão uma constante.Com consequências óbvias.

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domingo, agosto 28, 2011

Bimby

A bimby está para as mulheres assim como o comando da televisão estará para os homens. É bom que esteja por perto. Ao alcance da mão (ou distância de uns passos até à cozinha...a menos que se use a bimby na sala de estar). No caso específico da bimby acontece o milagre da "salvação" naquela noite específica em que se decide fazer lá por casa a tão participada e importante reunião familiar. No caso do comando da televisão, e aproveitando o sempre agradável momento da tal reunião, calha bem que o mesmo esteja por perto, não vá a SIC ou a TVI lembrar-se de passar um daqueles filmes "impróprios para cardíacos", que têm o dom de interromper as conversas familiares, enquanto passa uma daquelas cenas do "demo"...tórridas e em que parece que a menina..querendo partilhar com a câmara que goza o momento...dá ares de estar a ser selvaticamente retalhada com uma daquelas facas do talho do Sr. Jorge.

A moda da bimby veio para ficar. Não tenho dúvidas. À semelhança da moda da "máquina-de-café-que-usa-cápsulas-de-várias-cores-e-que-faz-as-pessoas-jurarem-a-pés-juntos-que-sempre-adoraram-café-mas-que-o-desta-máquina-é-melhor" (quando nem sequer bebiam café), também a bimby já foi consensualmente eleita como a invenção do século XXI por várias mulheres. Ao nível planetário. Sem grande surpresa veio revolucionar as cozinhas portuguesas (e outras), possibilitando aquelas mulheres que terão tanto jeito para a cozinha como o escriba tem para bordar em tafetá, conseguirem fazer autênticos brilharetes e receber rasgados elogios.

Consigo perceber a bimby como um complemento a qualquer cozinha. Não como uma solução. Quero acreditar que ainda existe a vontade nas mulheres em aprender a cozinhar "à moda antiga", em detrimento de procuraram as 90.000 receitas desta máquina já disponíveis na internet. E porquê tudo isto? Porque em culinária, aquilo que tem associado um maior tempo de confecção, sabe naturalmente melhor. Ninguém tenha dúvidas. Li algures, há pouco tempo, numa entrevista a um Chef  conhecido que não utiliza a bimby. Prefere a forma tradicional de fazer as coisas. Também avançou que se sente mais a ligação com os ingredientes. Ele lá saberá o que quererá dizer...

O que a bimby tem de bom ( facilita a vida da mulher que trabalha um dia inteiro e tem pouco tempo para cozinhar), tem também de mau, na medida em que compromete a secular e importante sabedoria da cozinha tradicional, confeccionada à moda antiga. A título de exemplo, parece-me complicado acertar o ponto de rebuçado com esta tão "maravilhosa" máquina. Ou fazer umas boas e suculentas espetadas em pau de loureiro. Ah, pois é...não dá. Temos pena!

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sábado, agosto 27, 2011

Taxação da Riqueza

Há poucos dias foi divulgada a ideia "peregrina" fazendo alusão ao facto que os mais ricos devem suportar o pagamento de uma taxa adicional, em função do seu património (leia-se riqueza).

Esta é mais uma daquelas ideias que vai ficar na gaveta. Não irá avante. Porquê? Porque os ricos  de imediato disseram que parte dos lucros das suas organizações são habitualmente canalizados para as causas humanitárias. Esta afirmação deixou-me em pulgas até porque nunca ouvi falar dessas "canalizações". O que ouvi falar, e a título de exemplo, foi acerca da realização de uma exposição de quadros no CCB, propriedade de um dos homens mais ricos de Portugal. Será isto a que se referia? É que não consigo perceber no propósito da realização desta mostra de arte qualquer resquício de filantropia. Vejo alguém que gosta de partilhar o que tem. Da mesma forma que outros mostram a colecção de carros. E por aí adiante.

O que se constata é que os ricos são cada vez mais ricos. Mais. Desconfio que quem tem "dinheiro a sério" cá em Portugal vê com bons olhos por cá ir ficando. Afinal, com recurso a alguns esquemas (astuciosamente descobertos e suportados nas lacunas da Lei pelos bons contabilistas e pelos bons advogados - e por isso pagos a peso de ouro), a realidade nacional torna-se próxima de um certamente apetecível e agradável "paraíso fiscal". Por outras palavras, o imposto incidente sobre património / riqueza é tornado ridiculamente baixo e não me admiraria que, após a intervenção dos tais profissionais do assunto que refiro atrás, a taxação sobre a minha riqueza fosse substancialmente superior quando comparada com a taxação sobre a riqueza de quem ainda sorrir com a crise. Como diz o povo, "a crise não afecta todos".

Já há alguns anos que defendo a ideia que Portugal caminha de forma determinada para uma situação social próxima da realidade brasileira. Ou seja, sem classe média, onde há os muito pobres e há os ricos (com graus de diferenciação entre os vários patamares de riqueza). Actualmente, e cá por Portugal, o que vai existindo é a já conhecida classe média sacrificada e que paga as contas dos ricos, que ardilosamente conseguem "furar" as malhas da Lei, e ainda as contas todas dos pobres, que alegam estarem na penúria, mas ainda assim têm dinheiro para comprar tabaco, ter telemóvel e a quem de vez em quando as Câmaras Municipais "brindam com um tecto". Claro que é a custo zero para estes "desfavorecidos", que passam o dia a tentar vender dvd´s e relógios, mas não tenho dúvida que reflectirá um custo acrescido sob forma de "mais um" imposto que será suportado pela já estrangulada classe média.

Por isso e parafraseando mais uma vez o povo, quero "ver para crer" a aplicabilidade desta nova taxa sobre a riqueza. Tenho imensas reservas que alguma vez as grandes riquezas de Portugal venham a ser devidamente taxadas. Entenda-se por devidamente taxadas se vierem a ter lugar alterações de fundo nas leis tributárias e que nivelem em termos de equidade a taxação dos ricos e dos menos ricos. Chama-se a isto justiça. Este é o caminho.

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sexta-feira, agosto 26, 2011

Acampar na Praia

Num momento em que me é dado a conhecer que são tantas as pessoas que escolhem a magnífica extensão de areal das praias do litoral do nosso "rectângulo" para passar momentos de merecido descanso e confraternização entre amigos(as), importa aqui e agora deixar também a minha opinião.

Já aqui falei no blogue sobre a minha experiência de campismo. Até hoje, foram duas vezes que tive oportunidade de acampar. E em ambos os casos foram experiências de tal forma traumáticas que não deixaram saudades. Uma delas não vou considerar enquanto prática do campismo em sentido "estrito". Tive oportunidade de ir dois ou três dias com uns amigos e amigas para uma roulotte dos avós de uma delas. Ali no simpático e agradável parque de campismo da Quinta do Conde. À distância de algumas décadas a esta parte, consigo hoje antever mais emoção em ir tirar o cartão de cidadão no mês de Agosto (quando os emigrantes também estão cá e vão fazer o mesmo), ou mesmo ir bater à porta da D.ª Alcides ali do 31e ficar a conhecer todas as notícias da minha rua.

Acampar na praia pode ser (e com certeza é) muito estimulante. Assim todos estejam devidamente inteirados do que se trata. Ou mesmo que tenham presente que, na quase totalidade dos dias de Verão há um gradiente térmico significativo associado. Ou seja, a diferença de temperatura sentida durante o dia e durante a noite pode chegar aos 20º C. Talvez seja exactamente por isso, o de não ter ficado capacitado dessa enorme variação térmica, que guardo para mim a lembrança de quase ter perdido os lábios com o frio que se fez sentir, de ter pensado que ia ter de ir ao hospital de Tavira para cortar as cabeças dos dedos (mãos e pés) de tal forma estavam roxos e aproveitando a viagem fazer uma lavagem estomacal em consequência das 500 grama da areia branca e fina que ingeri nessa noite. Era um animado grupo de cerca de 20 pessoas acampadas ali no areal da praia. Uma tenda, que naturalmente serviu para quem a levou e que certamente fez as delícias da cara-metade. Na ilha de Tavira até há uma zona de campismo dedicada, que naturalmente não foi por nós ocupada. Optou-se mesmo pelo campismo selvagem. Aparte dessa tenda para duas pessoas, não havia mais nenhuma. Só as toalhas de praia (no meu caso nem uso). Se podíamos ter ficado no parque de campismo? Claro que podíamos. Mas houve algum "iluminado(a)" que entendeu que não teria tanta piada. E assim sendo ficámos a uns 50 metros do mar. Tenho tentado ver se me consigo lembrar quem foi.

A razão de ser desta reflexão de hoje é simples. Quando pensei que todas as lembranças deste infeliz episódio se tivessem "esfumado" para todo o sempre, eis que há uns dias atrás foram reavivadas. Na praia. Fiquei ao lado de uma "família feliz" que decidiu fundear um confortável iglo ali, ao meu lado, e que pelo tamanho me pareceu ser capaz de albergar sem qualquer constrangimento de espaço uma família de 6 pessoas. É sempre bom estar prevenido. Não fosse começar a chover torrencialmente naquele infernalmente soalheiro dia que se sentiu há alguns dias atrás. E foi assim que todas as memórias que pensei que estivessem arrumadas vieram "à tona". Para mal dos meus pecados que vou passar as próximas duas semanas e meia a pensar nisto.

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quinta-feira, agosto 25, 2011

Downsizing

O termo downsizing (down = baixar e sizing = número de empregados) aplicado à realidade empresarial  é uma realidade cada vez mais presente. Efectivamente, e nos dias que correm, com a adopção das medidas que constam do tão falado memorando assinado com a troika, constata-se que o "emagrecimento" do número de trabalhadores é uma das soluções comummente adoptada pelas organizações com o objectivo imediato de possibilitar a sobrevivência em tempo de crise.

Contudo, é de lamentar que tenham de ser tomadas medidas como esta. Numa óptica economicista / gestão de topo da empresa, percebo o "fôlego" ganho e a disponibilidade imediata de verba (à custa da poupança nos vencimentos), sendo assim possível fazer face a mais alguns apertos. A questão é durante quanto tempo mais. 

Intimamente associado a este fenómeno de despedimento (não utilizando terminologias estrangeiras) está um outro aspecto que já aqui desenvolvi em tempos. Estágios. Porquê? Porque é possível que alguém faça o trabalho "sujo" à custa de uma diminuição significativa do montante auferido. Simplificando, o necessário trabalho continua a ser feito, pagando-se menos e ainda sem recurso ao vínculo laboral do estagiário à empresa, tão do agrado destas últimas. Ou seja, findo o período de estágio, alega-se que os tempos estão difíceis, que o curriculum vitae permanecerá em carteira, e assim que necessário, será certamente chamado(a). Tretas. Terminado o período de estágio, admite-se outro. E entra-se num ciclo vicioso e onde há naturalmente um ganhador e um perdedor. Lanço o desafio de adivinhar quem...

Para terminar, subsiste a eterna questão da injustiça em alguns casos. É certo que em causa poderá estar a sobrevivência da empresa, mas também é certo que em muitos casos passa a estar em causa o único sustento de  famílias. E por vezes com realidades bem complicadas.

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quarta-feira, agosto 24, 2011

Nudismo

Há alguns anos que vou a uma praia onde se pratica o nudismo. Não faço nudismo (embora ande a pensar nisso, sempre poupava uns trocos em fatos de banho), mas por vezes dá-me na cabeça para ir para esta praia em particular e para uma zona específica de "não nudismo". Afinal a praia é agradável.

Tratando-se da mesma praia, nos meus longos e prazerosos passeios a pé, passo numa zona específica da praia onde de forma normal e despreocupada há quem goste de estar a ler o Expresso "como veio ao mundo". Acho muito bem. Na "minha zona" não há nada disso. Há, como sempre, a habitual e desinteressante "fauna" que povoa tantas praias portuguesas nesta altura do ano. É esta a minha realidade. 

É claro que não vou andar a pé para ver a nudez alheia. Nada disso. Não sou voyeur nem mirone. Acontece que a praia em causa tem uma extensão de areal muito grande e como tal, terei de passar em algum momento por esta zona. Mas asseguro que o faço sempre de olhos postos no chão. Não olho para os lados. 

Encaro o nudismo uma forma de estar na vida. Em primeiro lugar, porque quem faz nudismo aproveita integralmente o tão simpático e luminoso sol da praia. Bronze integral, usando a terminologia de quem gosta destas coisas (de se bronzear, não obrigatoriamente do nudismo). Em segundo lugar, porque  a nudez é encarada como algo perfeitamente natural. Afinal, somos todos homens e mulheres e temos o mesmo (embora por vezes, e através do canto do olho, me seja dado a conhecer a realidade de alguns companheiros que certamente abusaram do tempo que estiveram dentro da água...e que a mesma deve estar um cubo de gelo!!). Em terceiro e último lugar, a prática do nudismo, sendo uma forma de estar na vida, é algo que cada vez mais tem a sua relevância e começam mesmo surgir grupos de pressão junto dos municípios para a constituição de praias ad hoc. Facto que não posso deixar de aplaudir.

O pior inimigo do nudista são os mirones.  Os mirones, tal como eu, adoram passear pela praia. Há contudo marcas que os caracterizam e diferenciam daqui do escriba.

Há um primeiro grupo de mirones que sempre que vai para uma destas praias, tenta convencer a família (mulher, filhos e sogra) que é nas dunas que se está bem. Não me admirava que também já tivesse sido avançado o argumento de que este tipo de praia tem algo bom para a pele...Não raro ficam qual lagartos, imóveis durante um dia inteiro e em posições estrategicamente seleccionadas para ver as vistas.

O segundo grupo de mirones é o mais típico. Mais macho. Faz questão de permanecer em pé tipo "estátua", ostentando orgulhosamente a bigodaça farta e cuidadosamente formatada, com braços cruzados (no direito com a tatuagem dos punhais dos "fuzos" feita na Guiné) e apoiados na incontornável e visível proeminência abdominal. Já para não falar no tão clássico e nosso conhecido fato de banho (slip).

O terceiro e último tipo de mirone poder-se-ia confundir comigo, não fosse a recorrente utilização dos chapéus ou bonés da Selecção Portuguesa (ou da cerveja Sagres) e uns inconfundíveis e sempre actuais óculos escuros com lentes fotocromáticas. Sim, já se adivinha que são pessoas com idade avançada. Se aqui o escriba guarda algumas confessas reservas em olhar de frente para alguém que se aproxima de mim como Deus Nosso Senhor "o trouxe ao mundo", já este tipo de mirone não tem. Aliás, é quase anedótico vê-los a andar de mãos atrás das costas, sandálias, e pararem de 15 em 15 metros. Fingem de forma quase credível fitar de forma interessada o areal (enquanto ajeitam a arcada de dentes superior). É sabido que o que estão a ver são outras coisas. O que não é novidade para ninguém, de resto. Também não tenho dúvida alguma que é importante que levem o fato de banho...se assim não fosse talvez ficassem numa situação menos confortável em consequência do efeito remanescente do "comprimido azul" da noite anterior. Ou talvez  nem se incomodassem por aí além com isso. Afinal, a idade permite-lhes algumas coisas.

Da minha parte, sempre que me lembrar  irei a esta praia. Quem sabe um dia não troco de zona?

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terça-feira, agosto 23, 2011

Classificados

Há muitos anos que tenho o prazer de acompanhar de forma atenta e religiosa uma secção especial de alguns jornais de tiragem diária. Não é mais que a tão diversificada e interessante secção dos classificados. Em bom rigor, hoje em dia é possível encontrar mais emoção em alguns apimentados classificados do que na rotineira e insossa panóplia de notícias sobre a crise profunda que o nosso Portugal atravessa. Não falando da entediante indefinição do modelo de avaliação dos professores.

Para quem inteligentemente não perde muito tempo da sua vida a  ler esta abrangente secção, tenho a informar que não sabe o que perde. Há ali verdadeiras pérolas que o que têm de singelo, têm de valioso. Lembro-me do clássico:" Senhora madura e respeitável atende cavalheiro em ambiente sigiloso e discreto". É possível alguém não ficar logo em pulgas? Não, claro que não. Quão madura será esta simpática senhora? Será mesmo madura..tipo..84 anos? Atende...o telefone? Será que é possível ser uma figura pública conhecida que amável e sensualmente atende o telefone? Por exemplo o meu grande e saudoso amigo António Sala ou a minha querida amiga de sempre Olga Cardoso que tanto me faz rir. Outra coisa..o que será um ambiente discreto? Lembro-me que gosto muito de ver fontes a jorrar continuamente água de várias cores, ao mesmo tempo que é possível ouvir uma daquelas deliciosas músicas que se ouve em "modo contínuo" em qualquer um dos 980.000 restaurantes chineses que por cá existem...Será um ambiente assim? Quero ver se ainda durante esta semana tranquilizo o meu espírito com um telefonema para um destes classificados clarificando todas estas minhas questões.

Outro tipo de classificado que me tira do sério é o de algumas universitárias fogosas que querem à viva força encontrar voluntários para "apagar o fogo que as consome por dentro". Pois bem, se por algum motivo as mesmas me estão a ler, informo que acho uma pouca vergonha. Porque é que hão-de gastar o dinheiro dos papás em alugar espaço publicitário num jornal com tiragem diária? Podem perfeitamente usar os quadros de cortiça que estão próximos das pautas das notas lá da faculdade. Gratuitamente. É preciso ser-se muito má filha para fazer uma coisa dessas para com os pais tão dedicados, trabalhadores e que durante 5 anos (às vezes mais) sustentam a vida universitária da meninas. Que gostam de "festa". E como tal divulgam isso...Vergonha!

Por último, e para terminar, a série de classificados que mais me diverte...aqueles em que é feita publicidade aos atributos físicos. Com uma diversificada adjectivação que enriquece indubitavelmente o próprio do classificado, tornando-o bem mais apelativo e "visual". A frequente conjugação das palavra "peito" associada a números como "44, 46, 48" e ainda a algumas letras do abecedário produzem milagres no ideal masculino conduzindo-o por largos instantes até uma ilha deserta, no Pacífico, acompanhado da tal atributada e certamente simpática moça. A questão é tentar perceber se aquilo que é publicitado corresponde efectivamente à realidade. Até acredito que as tais medidas sejam as correctas. A questão é a idade...e o físico. Faz-me lembrar um anúncio de uma conhecida marca de sumos..em que se ouvia uma voz sensualíssima e depois, do outro lado da linha estava.....era uma senhora "de pêso" (literalmente - uns 400 kg) e com rôlos na cabeça!

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segunda-feira, agosto 22, 2011

Maquilhagem

A maquilhagem está para a mulher assim como as medidas da austeridade da troika estão para o nosso querido Portugal. Trata-se de um mal necessário para muitas mulheres e que poderá uma excelente forma de disfarçar alguns aspectos menos favoráveis (e.g.: a clássica pele macilenta, a falta de tempo para aparar o buço ou a correcção das imperfeições da cara  - aqui à custa da aplicação de umas "camadas extra de pele da cara" à custa da generosa aplicação de base. Esta é a realidade.

Importa que este assunto seja por mim clarificado para que não subsista qualquer dúvida. Não sou de todo contra a maquilhagem discreta. Acho que dentro do razoável e esteticamente agradável à vista, há várias soluções ponderáveis que não me chocam. A base, o lápis para riscar as pálpebras, o baton são tudo objectos para os quais existe em mim uma forte suspeita que existem obrigatoriamente no necessaire de qualquer mulher. Sei e digo isto porque vejo imensas mulheres a pintarem-se nas filas de trânsito logo de manhã. O que me leva a desconfiar que é algo intrínseco e mais forte que qualquer mulher. Algo incontrolável e que tem também associado o facto do espelho de cortesia dos carros ser fabricado num material único específico, apenas encontrado em minerais extraídos do solo argiloso da Amazónia e que faz as mulheres sentirem-se e parecerem mais bonitas. Aqui reside a razão para o fazerem isto no trânsito e não em casa.

Como não podia deixar de ser, já vi muita coisa e pouco há que me surpreenda verdadeiramente. Desde a "malvada" da fila do trânsito que teimou em parar no preciso momento em que amiga coloria os lábios e inexplicavelmente, do nada, aparece  um risco de baton até à orelha. Ou que dizer dos desejáveis e perfeitos riscos nas pálpebras que podem ficar...até meio da testa numa qualquer travagem mais dura. Delicio-me com este tipo de acontecimento. E em paralelo com o ar atrapalhado quando percebem que foi vista a borrada (literalmente). Ou quando disfarçam a asneira colocando a franja do cabelo para a frente (mas os riscos ficam lá). Espero que não se esqueçam de o apagar antes de entrar no escritório.

Ocorre-me neste momento partilhar com quem me lê, a imagem da Dona Angélica (que Deus Nosso Senhor a tenha e aguarde), avó do Paulo e do Carlos lá da rua. Devia ter no máximo 1,50m de altura com saltos altos e uma idade que não devia andar longe dos 200 anos. A mesma idade do perfume que tão bem conheci durante vários anos e que se fazia sentir a uma distância nunca inferior a 8,5 km. Para remate, uns óculos de massa bem grossos, com uma forma estranhamente geométrica (estreitada e levantada nos cantos) e um agradável e sempre bem escovado sobretudo rosa forte, que lhe conheci em todas as estações do ano. Incluindo no Verão (eventualmente para se manter confortável e agasalhada). A Dona Angélica terá nascido antes de aparecer a própria da maquilhagem, ou seja, os tais 200 anos atrás. No seu caso em concreto, o seu espelho de casa  (ou a sua natural e óbvia falta de visão) tinham como consequência que tivesse permanentemente e religiosamente aplicadas 5 camadas de base na cara. O que de resto era objecto de chacota por parte toda a rapaziada....até que um de nós era apanhado e tinha de dar duas beijocas. E ficar com a marca dos lábios pintados com baton cerise forte na cara. E o perfume....ai o perfume....

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domingo, agosto 21, 2011

Parque Expo

O Parque Expo é uma daquelas "instituições" que me é muito querida. Demasiado querida. Não só pelo facto de ter tornado possível a requalificação de um espaço urbano que durante décadas foi depósito / cemitério de contentores, como da dotação das infra-estruturas necessárias para que pudesse ter lugar a "Expo 98".

Ninguém terá dúvida alguma de todo o trabalho que esta instituição desenvolve na manutenção de um espaço que, como referi anteriormente foi requalificado há mais de uma década. Aliás, "Parque Expo" nem sequer foi o nome primário. A primeira designação foi "Parque das Nações".

Esta instituição, ora com um nome ora com o outro (é irrelevante para o caso), surge numa altura em que Portugal "ganha" a realização da "Expo 98". Um fenómeno demasiado importante, que foi conhecido à escala internacional e com a consequente projecção mundial deste País na cauda da Europa. Afinal, desde o início que se promoveu esta Exposição a uma escala próxima da planetária. Fazia todo o sentido que um turista chinês abonado (a quem fosse possível suportar a viagem China - Lisboa) quisesse vir ver o Pavilhão dedicado ao seu país (de dia) e de noite fosse comer umas sardinhas assadas a uma das 1000 casas de fados existente no Bairro Alto ou Alfama. O mesmo para um qualquer cidadão residente num  país da África Equatorial. Ou da Índia. E por aí adiante.

Assim sendo, quem desde o início acompanhou este projecto sabe do que falo. À boa maneira portuguesa, a equipa de desenvolvimento do projecto foi constituída em "cima do acontecimento". Ou seja, 1 ano e pouco antes da concretização desta importante e visível exposição. O que teve como resultado alguns aspectos menos bons, em consequência dos prazos de tempo apertados. Afinal, não seria de bom tom por parte de Portugal, País anfitrião, solicitar às empresas que garantiam "aviões cheios de chineses" que esperassem mais duas semanas porque o Pavilhão da China ainda não estava pronto. Talvez não fosse bem acolhido. Digo eu.

O que interessa, e para esta reflexão, é que houve a constituição desta instituição e as coisas funcionaram. Mal ou bem, a Expo 98 abriu as portas a tempo e os visitantes não tiveram conhecimento que 90% das habitações nesta zona construídas têm problemas de infiltrações. Ou que em muitos casos de imóveis de 300.000 euros (valores mínimos) as paredes são de pladur. Parece anedota? Não é. A força das circunstâncias, a pressa de entregar as casas dentro do espaço determinado, conduziu a que alguns construtores civis menos escrupulosos tivessem utilizado materiais não aceitáveis em imóveis desta gama de valores. E a selecção dos construtores civis (e consequente fiscalização das obras em curso e concluídas) tem responsabilidades determinadas contratualmente. E que foram convenientemente esquecidas. Adiante.

Assim como foi criado o Parque Expo (ou foi dada continuidade ao "Parque das Nações") deveria ter sido repensado o seu modelo e moldes em que o mesmo assenta no presente momento. Afinal, garantir a manutenção da Expo (e objectivamente falando dos imóveis existentes, do oceanário, das zonas de restauração, da estação de comboio e metro e do Vasco da Gama) não carece de uma organização tão pesada. O António Costa "faz a festa" com muito menos e é Presidente da Câmara de um dos municípios mais populosos do País... 

Há poucos dias atrás foi noticiado o fim do Parque Expo. Não posso deixar de concordar. Não faz sentido que, à semelhança de tantos outros projectos que há em Portugal, se mantenham estruturas organizacionais pesadas, com um avultado capital humano afecto e capital monetário necessariamente investido. É um pouco aquilo que as algumas Seguradoras automóveis optam por fazer...esquecendo-se de actualizar o valor do prémio do seguro em função da idade do carro. Não raro, descobre-se que se paga o mesmo valor de prémio do seguro de um carro com 10 anos e de quando o mesmo era novo... Ver se pega. É um pouco o que aconteceu com o "Parque Expo". A Administração foi vendo se pegava. Pegou com dois mandados do ex-Governo. Não pegou agora. Acabe-se com a instituição Parque Expo.

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sábado, agosto 20, 2011

Paixões Platónicas

Ninguém estranha que o escriba já tenha sofrido por amor. E muito, diga-se em abono da verdade. O sofrimento por amor, quando platónico, assemelha-se a um embate frontal com um comboio que segue a alta velocidade. Para facilitar a visualização, pense-se na velocidade "supersónica" do TGV tão acarinhado (e defendido até ao último minuto) por "alguém" que foi estudar Filosofia para Paris.  

A paixão platónica é como o próprio nome indica...isso mesmo. Não que seja uma paixão igual à do Platão. Nada disso. Trata-se de uma paixão casta. Isenta de lascívia.  Assenta em algo de carácter espiritual. E que na generalidade das vezes não é correspondida. Porquê? Simples..há o total desconhecimento por parte de um dos lados do que é sentido pelo outro. Ou pode também acontecer que seja conhecido, mas seja impossível a concretização do mesmo (e.g.: estado civil de uma das partes ou em casos extremados a não correspondência da atracção). Em qualquer uma das situações tem lugar a frustração daquele(a) que sente um amor imenso.

Encontro aqui a explicação para o tipo de sentimento que desenvolvi por algumas das minhas queridas Professoras do liceu. Homem que é "H"omem, teve uma fixação por uma Professora. Naturalmente que com 11 ou 12 anos não me aquecia por aí além a Professora Amélia da disciplina de Religião e Moral que já não tinha dentes seus. O efeito desta tão minha querida Professora em mim era o mesmo que derivava da contemplação de um saco plástico do Continente. A "experimentação" deste tipo de sensações aconteceu uns anos mais tarde. Objectivamente falando, com as Professores das disciplinas de Português (Directora de Turma) e de História. Em ambos os casos não tenho qualquer dúvida que havia ali "qualquer coisa". Talvez derivado do facto de ter sido anos a fio eleito como "Delegado de Turma". Era natural que houvesse um contacto mais frequente com os Professores. O que para mim, obviamente, era tido e interiorizado como um lógico interesse destas mulheres maduras, cerca de 20 anos mais velhas que eu. Ou seja, enquanto que para qualquer uma delas eu era "o-João-delegado-da-turma-Z", já para mim os cenários eram um "pouco" diferentes. Havia ali um interesse diferente e que na minha ingenuidade e início da adolescência tinham como explicação uma intensa e pecaminosa atracção.

Li algures há uns tempos atrás que estas paixões platónicas são aquelas que ficam. Muito por culpa da intensidade de sentimentos envolvidos. O "platonismo" das paixões passa muitas vezes pela admiração. Pelo desenvolvimento / crescimento de determinado tipo de sentimento que o que têm de genuíno têm de intenso. Finalmente, acredito que na esmagadora maioria deste tipo de paixões não haja conhecimento por parte do visado(a). Paixões secreta, portanto. O que não é necessariamente mau...Mas pode ser imensamente mau se não souber ser gerido!

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sexta-feira, agosto 19, 2011

Congelamento de Carreiras

Mais uma vez, a crise económica faz das suas. Desta vez, o actual Governo avança com a ideia impopular de congelamento das carreiras. E no caso, das forças de segurança.

É curioso que oiço sempre este tipo de notícia à hora do meu tão aguardado jantar. Trata-se de um momento de Família e como tal, quer-se Paz, tranquilidade e que a refeição seja abençoada por Deus Nosso Senhor. Não tenho dúvida de que, quem faz alguns alinhamentos noticiosos tenha um especial prazer em tornar o meu jantar indigesto. Sinto isso. Saliento que no caso em apreço nada tenho com o facto dos agentes da autoridade reivindicarem o não congelamento das suas carreiras. Grosso modo, significaria que em alguns casos, volvidos 900 anos de carreira não evoluíssem muito mais além do guarda de "giro". Parece-me pouco razoável. Donde, vejo como legítima a incomodidade vivida por esta classe profissional. Leia-se no seio das forças da autoridade.

Também não estou contra o facto de haver a sindicalização das classes profissionais. Aliás, é um direito consagrado constitucionalmente. Todo e qualquer trabalhador, em sentido lato, terá direito a ser representado por alguém que lute pelos seus direitos / direitos da classe. Há sindicatos fortíssimos (caso do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil ou dos Sindicatos dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves). É fácil de imaginar porquê. Parando a sua actividade ou coordenando-se enquanto elementos que podem contribuir para uma greve, a aviação pára. Fácil.

Já estarei contra os representantes de alguns representativos sindicatos da função pública que não estão minimamente preparados para falar na televisão, dar entrevistas. Entendo e aceito que após uma reunião com o Governo, em que são esgrimidos os argumentos por parte da Tutela que inviabilizam uma progressão "normal" das carreiras da função pública estes dirigentes fiquem "abananados". E percebi isso claramente no telejornal de ontem. Em primeiro lugar, o digníssimo representante do maior sindicato de trabalhadores da função pública deu a entender que preferia estar noutro local qualquer que não ali e naquele momento. Provavelmente a galar o rabiosque de uma qualquer cubana numa praia de Havana, sorvendo deleitado um prazeiroso Mojito acompanhado de um caracteristicamente cheiroso charuto Grand Torpedo. E passo a explicar a minha teoria.

Não se percebe como pode alguém, com o País mergulhado numa das maiores crises económicas de que há memória, insurgir-se contra os congelamentos das carreiras da função pública. Dou também nota de que esta notícia do congelamento das carreiras surge em paralelo a outra em que é avançado que vai acabar "a mama" da nomeação directa dos cargos de dirigentes da administração pública. 

Para quem lê esta reflexão e ainda não conseguiu entender do que se trata, eu ajudo: quem quiser ir para um qualquer cargo de dirigente superior na função pública terá de ser licenciado, apresentar curriculum vitae e ser submetido a uma entrevista por parte de uma Comissão constituída para este fim. Lembro-me perfeitamente de estar nesse momento a cortar um delicioso pedaço de carne estufada (a olhar para o prato, como é claro), enquanto ouvia a jornalista a dizer quais as "regras do jogo" a partir de 2012. Pareceram-me claras e confesso que até cheguei a ficar contente por finalmente haver transparência no processo de recrutamento / nomeação de cargos dirigentes. Eis quando oiço o tal "iluminado" a chamar todo este processo de "hipocrisia política". Tive de me controlar para não chamar um nome feio à televisão. É este tipo de coisas que me tira do sério e me remoem as entranhas...Claro que não consegui evitar começar aos berros com o "Einstein" e questioná-lo se queria manter ad eternum o actual registo não transparente de nomeação de cargos dirigentes.

O que tem a ver a nomeação dos dirigentes com o congelamento das carreiras? Tudo. Estão intimamente relacionados. Não faz sentido que dirigentes que estão no cargo há décadas perpetuem esta condição. E que agora se queixam, pois vêem aquela fonte de rendimento segura que era o Estado acabar com o facilitismo. E acima de tudo a dar oportunidade a quem tem competências provadas de ocupar cargos superiores na função pública. É isto que falta. Ah, e quem está mal...que se mude.

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quinta-feira, agosto 18, 2011

Preconceito

Tenho o hábito de dizer que acredito que a generalidade dos portugueses que afirma que não tem preconceitos mente. Com os poucos dentes verdadeiros que ainda restarão, em alguns casos. Não há grande novidade neste assunto. A côr da pele, o relacionamento entre pessoas com uma grande diferença de idades, o relacionamento entre pessoas de diferentes estratos sociais, o pertencer a uma minoria étnica, a assumpção da condição de seropositividade, entre outras, constituem factores de descriminação e naturalmente objecto de justificação para os preconceituosos.
O preconceito é uma questão social. Em alguns casos demasiado "intrincado" na forma de pensar dos portugueses. Sendo o ser humano tipicamente "adverso à mudança", o questão do preconceito perpetua-se confortavelmente através das várias gerações e dificilmente é alterado. Ok, a menos que por algum motivo alheio à ordem natural das coisas (leia-se lançamento da 2ª Bomba de Hiroshima) uma família inteira seja dizimada...Aí torna-se difícil passar a palavra para as gerações vindouras..Ou seja, torna-se mais fácil ser preconceituoso e não "fazer ondas" do que não ser preconceituoso e "comprar guerras". E alguns casos fracturantes.

No caso de Portugal, e na minha opinião, há uma justificação para alguns dos preconceitos que referi acima. Não se pode alhear do facto de Portugal ter vivido 4 décadas de uma política hermética, caracterizada por uma mentalidade trabalhada no sentido da exclusão social e imediata daqueles que divergiam de um modelo "socialmente aceite". Em paralelo, a incontornável e sempre presente ocupação das ex-colónias, onde os portugueses foram "patrões" desde a colonização iniciada desde tempos que remontam aos Descobrimentos Portugueses. E onde foram sendo adoptadas formas de estar consensualmente aceites na altura.
Concluída que foi a má descolonização, e "alavancada" por uma democratização da vontade popular, constatam-se que alguns preconceitos perduraram ao longo dos tempos. Volvidos que são mais de 30 anos após a revolução que conduziu à "liberdade de expressão" que é possível hoje,  e a uma expectável alteração dos hábitos e formas de estar, é ainda tornado possível perceber que há momentos em que o preconceito emerge com uma assustadora facilidade. Basta pensar a quem é associada de imediato a responsabilidade da elevada e expressiva taxa de criminalidade patente em Portugal. Ou interiorizar que só no ano passado as Forças Armadas "desblindaram" a sua forma de pensar característica e aceitaram integrar nos seus quadros militares com uma assumida orientação sexual homossexual. Ou porque não digerir que os relacionamentos entre pessoas com uma grande diferença de idades não é usualmente "abençoado" pela família de uma das partes. Já para não referir o triste exemplo da segregação imediata e da quase impiedosa humilhação a que um(a) contaminado(a) com o vírus HIV se sujeito(a) se e quando partilhar a sua doença com alguém que lhe é mais próximo ou mesmo no empregador. 

Desconfio que a gradual mudança de mentalidades nas camadas mais jovens (tipicamente mais permissivas / tolerantes) possa vir a influenciar a forma de pensar dos progenitores (e avós). Reservo-me contudo ao direito de manter as minhas reservas se a mesma será bem sucedida. A seu tempo poderei perceber.

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quarta-feira, agosto 17, 2011

Aprender a Lição

Se há coisa em que sou pródigo é em aprender lições. A bem ou mal tenho muitas: Aquelas que há para aprender.

Aprender a lição passa, na minha opinião, por se conseguir retirar o que de importante há em algo. Na maioria das vezes de um erro. Quem me segue de há algum tempo a esta parte, perceberá sem grande surpresa que serei a pessoa em todo o planeta que mais ensinamentos tem retirado dos seus erros. Porquê? Porque erro bastante.  E porque tenho uma palavra a dizer relativamente à forma de retirar "a tal" parte importante dos erros...

Por exemplo, posso assegurar que aprendi muitas lições em consequência do avivar da memória dos estaladões dados pela minha Mãe, que faziam a minha cara arder como se fosse a grelha incandescente de assar sardinhas ali do restaurante do Tó. Quantas e quantas lições não aprendi eu!! Sei a cartilha toda. É claro que estes "mimos" só tinham lugar quando aqui o escriba entendia que se devia esforçar em portar mal. Mas alguns anos mais tarde, em cima desta "carcaça velha", e tem a minha vida mostrado que de monótona tem pouco. Porquê? São vários os "abanões" que me tem dado. Com uns tremo mais, com outros tremo menos. O que interessa é o resultado final. Aprender ou não a lição.

Se consigo aprender a lição na maioria das vezes, em algumas tal não acontece. Um bom exemplo disto será  a confiança depositada nas pessoas. Também sei que algum dia terá de mudar, mas tem sido complicado. Todo o "santo dia" alguém que estimo consegue o feito ímpar e difícil de me desiludir e faz com que a realidade de confiar no próximo me pareça cada vez mais distante. E claro, quando cheguei a pensar que já tinha aprendido a lição, "lambido as feridas" e conseguido andar para a frente...eis que algo de surpreendente acontece, contrariando toda a lógica e natural ordem das coisas.

É nestas alturas que acho que há algumas lições que ainda não aprendi. Ou talvez não sejam para aprender!

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terça-feira, agosto 16, 2011

Concorrência

A concorrência é mais uma daquelas coisas que acho piada. Dou comigo não raro em permanente competição. O mais giro é que é comigo mesmo. Tento muitíssimas vezes superar-me a mim mesmo, em vários momentos do quotidiano. Nesta perspectiva, acho positivo e entendo que enquanto melhoramento de nós mesmos, devemos, em jeito de brincadeira, superar-nos continuamente. Mas não é das minhas competições que falarei hoje. Talvez um dia destes.

Analogamente à concorrência interior que me é dada a experimentar todos os dias, é natural que esteja alerta e atento a outras situações de concorrência. Se pensarmos um pouco, há várias situações de concorrência que podemos elencar. Por exemplo, nos preços: Hipermercado / mercearia do Sr. Mário lá da rua, viatura nova "zerinho" e a sair do stand / viatura usada "com 400.000 kms" e a sair de um dos stands ali da zona de Sintra, doa combustíveis das grandes petrolíferas comparado com o preço dos combustíveis das pequenas petrolíferas, das marcas de roupa das lojas do Colombo / mesmas marcas vendidas na Feira de Cascais.

Centremos a reflexão nos combustíveis. É gritante a disparidade de preços praticados em qualquer um dos 900.000 postos de abastecimento das grandes e o das pequenas petrolíferas. Por vezes no seio da própria marca há discrepâncias significativas.  Ainda não consegui perceber o porquê dos postos de abastecimento do Norte (e Interior) de Portugal conseguirem trabalhar melhor os preços. Quer dizer, consigo. Talvez não tenham uma visão de negócio orientada para a obtenção do lucro como terão os congéneres do Sul do País. Ou seja, "esmagam" mais as margens de lucro comparativamente ao que acontece no restante País, para que no final, seja possível serem praticados preços mais simpáticos e agradáveis para as bolsas dos cada vez mais pobres e tristes portugueses.

Há uns anos atrás falava-se na implementação da "liberalização do preço dos combustíveis". Quer isto dizer que podia acontecer uma petrolífera excêntrica oferecer combustível a quem tivesse feito a cama de manhã (se tivesse forma de o provar) em detrimento de outra que cobrasse 2 euros / litro de combustível a quem se apresentasse num posto de abastecimento com um carro com 4 rodas. Em teoria. O que acontece na prática é que a flutuação de preços verificada nos maiores grupos petrolíferos é nem mais nem menos que concertada. Quando o preço do barril de petróleo aumenta e tem lugar o aumento imediato numa das petrolíferas, as outras petrolíferas, quais macacas de imitação seguem o exemplo. Contudo, e curiosamente, quando o preço do barril do petróleo baixa, não se verifica um abaixamento imediato no preço do litro de combustível.

Chegamos aqui a uma máxima matemática que permite reflectir o conceito de "directamente proporcional" e "inversamente proporcional". O aumento do preço do litro de combustível é directamente proporcional (e imediato) ao aumento do preço do barril de petróleo. E inversamente proporcional (e demorada) ao seu abaixamento. Curioso não é? É. Trata-se de um exemplo clássico da "chica espertice" portuguesa. Aqui o escriba sabe bem do que fala. Dá ideia que os Administradores dos grandes grupos petrolíferos "dormem à porta" da OPEP (Organização dos Países Exportadores do Petróleo). Quando é conhecida uma deliberação da OPEP no sentido do preço do barril aumentar, dão ordem imediata para que encareça o preço do combustível no posto de abastecimento onde abasteço encareça. Quando o preço do barril de petróleo baixa, esquecem-se de avisar logo. Sempre têm mais uns dias de lucro. Faz sentido, até porque são empresas que passam por dificuldades inacreditáveis...

O que se assiste nos dias que correm é aquilo a que chamo de "cartelização" dos preços. É a concertação dos grandes grupos económicos, não só no preço dos combustíveis, mas também quando se fazem compras numa superfície comercial. A minha questão é: Não deveria haver um organismo isento, idóneo e sério que fiscalizasse os fenómenos de cartelização por cá? Porque razão se convidam as troikas para vir cá ver a desgraça em que o País se encontra, acordar memorandos de entendimento e se "varre para baixo do tapete" a questão medíocre dos preços dos combustíveis? Ou da dupla tributação que incide nos carros novos?

A bem do País, deve ser dada oportunidade ao cidadão de escolher. Livre arbítrio, dizem as cabeças pensantes. Para que seja possível a escolha, é necessário que haja alternativas. Para que haja alternativas torna-se necessário que haja a oferta de vários produtos, com o mesmo propósito e com preços diferenciados. Chama-se a isto concorrência. Chama-se a isto lei da oferta e da procura. Chama-se a isto mercado. É precisamente isto que não há.

Nota: Veja-se o caso de um bem essencial como é electricidade. E em jeito de despedida convido que se pense quantas distribuidoras de electricidade há em Portugal. Não há-de ser das poucas a ter lucros de milhões. E claro que também será a única a não querer partilhar a "galinha dos ovos de ouro". Há mais interessados na distribuição da electricidade cá em Portugal...(país vizinho). Mas isso faria com que a margem de dividendos fosse drasticamente diminuída. O que não se quer..obviamente.

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segunda-feira, agosto 15, 2011

Dança da Cadeira

Para quem não vive neste Planeta e nunca ouviu falar da "dança da cadeira", trata-se de uma palhaçada que algum(a) desocupado(a) inventou e que ainda estou para entender qual é a piada que tem. De dança pouco tem. Explicando resumidamente: são colocadas umas cadeiras em círculo no centro de uma sala, sendo o seu número inferior em uma unidade do que o número de participantes. Ou seja, há 6 cadeiras para 7 participantes (já se adivinha que alguém vai ficar em pé ou ao colo de outrem). É posta a tocar uma música e de repente, o engraçadinho do "DJ" interrompe a música. E cada participante terá de se sentar numa das cadeiras vagas. Quem não for suficientemente rápido, lamentavelmente não se conseguirá sentar a tempo. Passa por badoxa e tem de sair da prova. O que não deixa de ser algo e humilhante.

No mundo da política as coisas processam-se como na tal dança da cadeira. Começa tudo bem. Ao sabor de uma música agradável. A mesma que os portugueses ouvem e gostam. Mas o "DJ" de serviço, neste caso aqueles que estão no Parlamento Europeu, levam este jogo muito a sério. E em breve vão "cortar som". Significa isto que muito em breve vai ter início a dança da cadeira. E explico porquê...

Já aqui falei do "período de graça". Em que é permitido a alguém que tenha piada e se lhe desculpam algumas coisas. A questão que se coloca é que os portugueses concederam um curto período de graça ao novo Governo, assim viram no mesmo a possibilidade de um "balão de Oxigénio". A questão é que desde que o novo Governo tomou posse, já foram tomadas algumas medidas impopulares, bem como já foram avançadas outras que não tenho dúvida alguma irão comprometer severamente a qualidade de vida dos portugueses. Ainda assim entendidas, aceites e interiorizadas pelos portugueses, entendo os mesmos que eram necessárias e vêm em consequência da má gestão do Governo demissionário.

Quero com isto dizer que a partir de determinado momento os portugueses não vão conceder mais período de graça. São tantos os sacrifícios que lhes são pedidos e são tantas as desigualdades sociais que lhes são dadas a conhecer que, com legitimidade, passam a haver "culpados" por todas as situações menos boas. Finanças, Economia são normalmente os "bodes expiatórios" de serviço. Aqueles em quem recai a culpa de todos os males do País e da desgraça em que o mesmo se encontra. Ou seja, analogamente à dança da cadeira, os "dançarinos" começam a perceber que não vão ter cadeira para se sentar quando a música for interrompida. Quer porque Bruxelas as escondeu, quer porque os portugueses querem menos sacrifícios.

Espero estar enganado. E espero que seja dado "tempo de música" a estes dois Ministros para quem possam dançar. E claro, que se possam sentar nas cadeiras naquelas vezes em que a música deixar de tocar. Só assim Portugal conseguirá fazer face aos tempos complicados que aí vêm. "Deixem-nos trabalhar", já dizia alguém.

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domingo, agosto 14, 2011

Identidade dos Criminosos

Nunca consegui entender muito bem o porquê de não ser possível dar a conhecer a identidade (nome, morada, estado civil, número de filhos, clube de futebol, etc.) dos criminosos. Se um criminoso comete um crime, imaginemos, contra uma Igreja,"subtraíndo-lhe" o valioso recheio, deveria ser possível a sua identificação pública quando da captura. Afinal trata-se de um acto perpetrado contra algo que é público, e como tal, sendo o tal "corajoso" apanhado, a sua identidade deveria ser do conhecimento de toda a gente.
 
Defendo a existência de uma rubrica dedicada nos telejornais, para dar a conhecer este tipo de informação. Não seria inédito, de resto (se não estou em erro, quer nos USA quer Brasil já há esta prática): "Arménio Rodrigues, morado na Rua da Baixa da Banheira 1 Frente, divorciado de Cleide Rosa Simões de quem tem 7 filhos e sócio número 134965 do Palmeiras Clube de Futebol, foi ontem de noite capturado enquanto jantava um bitoque de vaca, acompanhado de um copo de tinto da casa, da zona do Redondo e colheita de 2010).

Acredito que nos países árabes, não só mostram o criminoso, como não me admira absolutamente nada que exista uma apresentação devidamente assinalada com bola encarnada no canto superior direito do écran da televisão) da(s) mão(s) cortada(s) pelo facto de ter sido apanhado a roubar.

Não iria tão longe. Cá em Portugal devia haver um sistema adequado aos brandos costumes pelos quais o nosso tão querido País é conhecido. Voltar-se à chibatada. Cujo número seria proporcional à gravidade do crime. Mas isso deixarei para desenvolver noutra altura... Posso contudo avançar que defendo que para um violador o número de chibatadas seria ditado pelos turnos contínuos de chibatadas durante 14 semanas. Non Stop. E com muito alcool vertido nas feridas nos intervalos. Talvez lhe passasse o calor e a vontade de ser "maluco" com quem não deve.

A grande vantagem da identificação pública dos criminosos é que nunca mais lhes seria dada uma oportunidade para mostrar o quão boas pessoas podiam ser. O sistema seria implacável para com estes cidadãos. Para começar, passariam a ter tatuado no antebraço direito (ou esquerdo, sendo este o único momento em que poderiam opinar), que eram criminosos. Com um código claro e inequívoco que identificasse o tipo de crime: A01 corresponderia a "tráfico de influências"; A02 diria respeito a "invasão de propriedade alheia"; A03 seria "desacatos e crime de desobediência à autoridade"; A05 "condução sem habilitação e sob o efeito de drogas duras"; A06 "Mentira aos portugueses e ingerência do País" e por aí adiante. Quem comete um crime uma vez....dificilmente não cometerá segunda vez se tiver oportunidade. Assim sendo, na medida em que se pensou em gastar tanto dinheiro em obras megalómanas e sem interesse nenhum ou justificação plausível (e.g: 11 estádios de futebol), deveriam ter sido criados "colonatos" de criminosos.  Longe das grandes urbes. Esta seria o único momento em que teria lugar uma contribuição da sociedade para com estas pessoas.

Todos os seus "habitantes" estariam naturalmente bem identificados. Conviveriam e iriam coabitar nas mesmas ruas dedicadas ao criminosos que tivessem cometido o mesmo tipo de crime (ver parágrafo anterior): Rua Código A01; Rua Código A02, etc. Facilitaria o trabalhos da distribuição da correspondência.  Os "colonatos" teriam uma economia paralela e em momento algum um "colono-criminoso" poderia ir à grande urbe dos "não colonos-não criminosos". A menos que pedisse autorização e fosse devidamente escoltado. Ah, economia paralela não significa que houvesse isenção do pagamento de impostos. Dado viverem em Portugal, teriam de pagar impostos e serem taxados em todos os outros descontos que qualquer cidadão "não criminoso" normalmente é. Mais a mais, o ter um tecto para dormir e não apanhar chuva, erguido com o dinheiro dos contribuintes "não criminosos", seria o "avançar" de uma benesse por parte dos cidadãos "não criminosos". Não um direito adquirido. Actualmente o que acontece é que os cidadãos portugueses "não criminosos" pagam as estadias dos presos...

Para terminar, o estado em que o País se encontra tem naturalmente uma razão de ser. Já aqui reflecti sobre isso. Em primeiro lugar, a actual crise económica que assola o mundo inteiro. Em segundo lugar, uma razão especial e que dá pelo nome de "ingerência". Do Governo demissionário. Orientado por alguém que, na minha opinião deveria ser julgado pelo crime de mentira, omissão da verdade e ainda tráfico de influências. Entre tantos outros crimes. Mas à boa maneira portuguesa, está perfeitamente identificado o "cidadão" mas nada lhe aconteceu. Infelizmente.

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sábado, agosto 13, 2011

Sacerdócio no Feminino

Tive uma educação marcadamente religiosa. Desde pequeno que eu e o meu irmão acompanhávamos a minha Mãe no preceito semanal (ou missa vespertina ao Sábado ou ao Domingo). Outras ocasiões especiais eram a Missa da Vigília Pascal e Missa do Galo. Pelo meio uma série de celebrações religiosas nesta secular e importante Instituição que é a Igreja.

Mal sabia dizer o meu nome já me ocupava o lugar à direita da Mãe nos bancos corridos das Igrejas. O meu irmão do lado esquerdo. Sempre foi assim. Não podíamos ficar os dois juntos porque já se sabia que ía dar risota (eu fazia sempre palhaçadas e dizia segredos ao ouvido do meu irmão gozando com alguém). Quando me ensaiava a fazer algo, levava um beliscão da Mãe que até via as estrelas todas do céu! Ou quando me desatava a rir porque alguém atrás de nós cantava como se não houvesse dia seguinte, ou porque a ladainha da reza era rápida demais (o que faz com que naturalmente terminasse algumas orações antes do Padre) ou mesmo porque alguém tinha adormecido e ressonava qual comboio que vai arrancar na pista 2 de Santa Apolónia.
Toda a minha vida religiosa me habituei a ver "o" sacerdote, "o" Senhor Padre, "o" Bispo, o "Frei", "o" Cardeal, "o" Papa, "o" Monsenhor...e por aí adiante (entretanto acho que consegui dizer todas as ordenações possíveis...não deve haver muitas mais!!). Quero com isto dizer que está intimamente interiorizado para mim o género masculino para os digníssimos representante desta maravilhosa Instituição que é a minha querida Igreja. E aqui começa a minha reflexão do dia de hoje.

Para começar, confesso que o meu limitado e pobre cérebro não encontra (nem aceita) o género feminino para qualquer uma das ordenações que refiro acima. Aliás, alerta-me de imediato para a grande probabilidade de roçar o ridículo. Mas não é da semântica que versa a reflexão de hoje. É mesmo da minha opinião relativamente ao face do sexo feminino ter lugar no sacerdócio. Ou não.

Já ouvi algures (deve ter sido na televisão) que há mulheres que concelebram a Eucaristia. Sinceramente, e permitam-me o desabafo, faz-me confusão. Se têm tanto direito a concelebrar como o Homem tem? Certamente que sim. Mas não deixa de me parecer algo estranho e atípico. Da mesma forma que não conseguirei passar os meus habituais 3/4 de hora a confessar os meus pecados a uma "Senhora". Não consigo. Entre mim e o meu querido e estimado representante de Deus, naquele momento da confissão, é estreitada uma relação única de confidência e partilha da minha lista de pecados. Não sei se seria capaz de falar com uma representante de Deus. Não que exista algo contra. Nem tampouco sexismo. Não consigo. Foge ao meu conceito de normalidade!

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sexta-feira, agosto 12, 2011

Moda

Nunca fui um verdadeiro seguidor de modas. A minha relação com a moda resume-se ao gostar de estar bem comigo mesmo, tentar o mais possível ser harmonioso na conjugação de cores das roupas que visto e claro tentar não chocar as pessoas com quem lido ostentando camisas com estampados de flores californianas com bicos das golas até meio do peito e correntes de ouro ao pescoço.

Como em tudo, defendo a ideia de que o meio em que alguém cresce e mais tarde se move (leia-se trabalha), dita a tendência da moda que segue, ou a forma como se vestirá, se preferirem. Desconfio que o Christian Louboutin não será conhecido em 98% dos bairros desfavorecidos e periféricos à cidade de Lisboa, assim como a utilização da terminologia "parro" em vez de "relógio" poderá fazer com que o meu Tio Carlos Alberto que mora ali na Lapa pense que ensandeci e que lhe estou a chamar algum nome feio. Basicamente, trata-se de tendências que serão características de determinadas classes sociais e zonas geográficas. E será sempre assim. E muitos mais exemplos poderiam ser dados...

Cresci num meio em que sempre se deu importância às marcas. Frequentei escolas e universidades em que o exterior (o que se vestia) era valorizado. Também enquanto lazer frequentei / frequento locais onde o que se veste, quase que de forma imediata e despropositada é avaliada. Mas nem sempre fui uma pessoa grandemente preocupada em seguir o que os outros vestem. Aliás, posso assegurar que tenho bem presente um episódio em que numa saída à noite entendi vestir umas calças de ganga de uma conhecida marca americana, mas com um modelo que ninguém conhecia. Nem eu. E com um corte que não tinha a ver com nada! No meu entender não estará em causa a marca do que se veste. Estará em causa sim o sentir-me melhor com algumas roupas / sapatos / acessórios de algumas marcas do que com outras. Aquelas que acabam por ser a escolha óbvia e normal de todos os homens (falando objectivamente de mim e do meu sexo - leia-se género masculino e não outra coisa!).

Com tudo o que refiro acima, torna-se óbvio e natural que tenha desenvolvido ao longo dos tempos um sentido crítico apuradíssimo e a um nível assustadoramente corrosivo. Por exemplo, e sem qualquer desprestígio da classe, entendo que um dos requisitos para se ser bancário é calçar sapatos de biqueira "quadrada". Preferencialmente com uma bela e grossa chapa metálica no peito do pé, solidamente cravada no sapato e com o nome de um conhecido estilista português. Contudo, as surpresas não terminam aqui. Explico porquê. Sou de opinião que devia haver algum descomprometimento na libertação de "uns trocos" para pagar uns trocos ou tirar do desemprego algum "consultor(a) de moda". No sentido e com o claro objectivo de proporcionar algumas luzes na forma como a pessoa se veste numa actividade que lida directamente com o grande público. Em termos de apresentação, além do que referi dos sapatos, também não me parece muito estético / recomendável que o Ricardo, meu gestor de conta lá do Banco, use um relógio com um mostrador muito pouco diferente do tamanho de uma tampa de esgoto. Gosto de relógios grandes, mas não chego a este nível de excentricidade. Acho abusivo.

Para terminar, já aqui referi que tenho muito presente na minha Família o típico caso de quem se "não vai em modas". Acho óptimo. Falo da forma desprendida como uma das minhas Tias encara a moda. Em paralelo, e para não destoar, o meu Tio também tem uma relação muito especial e peculiar com a tesoura do barbeiro. As grandes fortunas não aparecem do nada, é sabido. Por vezes, é necessário abdicar de alguns bens materiais (roupas, acessórios, perfumes e mesmo cortes de cabelo) em prol de uma poupança de umas centenas de euros. Assim sendo, torna-se frequente que nas reuniões de Família, a minha Mãe consiga descobrir na minha Tia uma saia de...há 25 anos atrás. Um par de sapatos que já devem ter tido umas 5 meias-solas. Ou a mala castanha que faz parte intrínseca da minha Tia e que deve ter feito as delícias das mulheres em 1837. No dia em que vir a minha Tia com outra mala algum mal está para vir ao mundo. 

A história "pia de outra forma" no que toca ao meu Tio (o tal do monte alentejano que falei há uns meses atrás). É o típico e habitual cliente da Feira do Relógio. Segundo o mesmo, é onde se fazem as melhores compras de calças ao sabor (sentido estrito) de uma boa e gordurosa bifana. Tem então lugar uma mistura curiosa de estilos que me consegue causar algumas vertigens. De forma estóica, o meu Tio tenta conjugar o desportivo de umas calças desportivas com 56 bolsos (que sem dúvida alguma despertariam a cobiça daquele tipo inglês que come cobras e já escalou umas 45 vezes o Evereste), com um "cinzentão" pólo de picot que desconfio que será mais velho que eu e "terminando" com um par de mocassins de sola pretos impecavelmente engraxados. A "cereja no topo do bolo", é sem dúvida o cabelo do meu tio.  Quando o mesmo começa a crescer aparenta estar "armado", fazendo um efeito tipo cogumelo ou abat-jour. Fica muito giro. Tipo o cabelo do Einstein. Mas maior e mais espetado para os lados. Talvez se  esteja a tentar implementar uma nova moda. Não faço ideia. Mas sei que quando está assim...tenho a certeza absoluta absoluta que anda zangado com a tesoura do barbeiro. 

Torna-se óbvio que este meu querido e tão estimado casal de Tios é objecto das mais variadas trocas de anedotas e piadas (sempre saudáveis) nas reuniões familiares. Mas têm a sua própria forma de estar na vida. E são felizes assim. Temos de respeitar!

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quinta-feira, agosto 11, 2011

Café

Começo esta reflexão aludindo ao facto de não ter a certeza se já terei escrito sobre este tema. Se fõr o caso, aproveito a ocasião para desde já endereçar um sentido e profundo pedido de desculpas. Mas acaba por ser compreensível que em quase 600 temas desenvolvidos em pouco mais de ano e meio me doa a cabeça quando tento encontrar temas novos e possam acontecer as naturais repetições.

Não sou viciado em cafeína. Nunca fui. Lembro-me das variadíssimas vezes raspar o fundo das chávenas de café dos meus (açúcar misturado com café). Já lá vão umas boas décadas. E creio que só quando comecei a sair à noite é que comecei a sentir a necessidade de beber café. Nunca entendi muito bem o porquê, mas bebia. Talvez para parecer mais crescido. Um pouco como o cigarro. O café em mim tem o mesmíssimo efeito que um copo de água natural. Se tiver sono, caio. É uma equação simples e directa.

Não sendo um entusiasta desta bebida que faz com que "as-pessoas-fiquem-com-dores-de-cabeça-e-na-iminência-de-espancar-selvaticamente-alguém-enquanto-não-tomam-os-habituais-e-obrigatórios-3-cafés-matinais", gosto do cheiro. Pode parecer estupidez, mas sempre gostei de ir a uma qualquer casa de cafés (havia perto da minha casa) comprar biscoitos e chocolates. Ou seja, era um pouco ir à casa de frangos assados e pedir um um bacalhau cru para levar para casa, mas era a minha realidade. Ía a uma casa de cafés comprar biscoitos.

O que nunca ninguém entende é que o truque reside exactamente aqui. Eu não ía à tal casa de cafés (com o honrado nome de "Casa da Selva") para comprar café. Ía lá deliciar-me com o cheiro emanado do café em grão nas sacas de tecido e obviamente observar atentamente os outros clientes a serem aviados pelo dono da loja, que habilmente vertia os copos medidores de café em grão para o moinho. 

Hoje em dia perdeu-se isto. São cada vez mais raras as verdadeiras casas de café. As mesmas que foram substituídas por algumas marcas que passaram de um anonimato cinzento e esbatido para uma apocalíptico colorido estado celestial de estrelato, e que não só comercializam o café como também conseguem / conseguiram uma penetração bastante expressiva do mercado com máquinas de café estilizadas. Deixarei para um destes dias a minha apreciação relativamente ao fenómeno das pessoas que nunca apreciaram café (e não sabem a diferença entre um bom café e um mau café), e agora, quando bebem um café desta tal marca internacionalmente conhecida, adorarem. Consigo abanar as orelhas freneticamente e divertir-me com os comentários de "sublime", "divino", "único". E mais ainda me divirto com o preço das cápsulas e do marketing da marca. Um fenómeno digno de ser estudado por uma qualquer universidade prestigiada.

Contra tudo isto a tal "Casa da Selva" não consegue competir. Eventualmente competirá com a questão do trato ser mais personalizado, marcação "homem a homem"...mas só isso..infelizmente...e que pouco vale nos dias que correm.

Para terminar, a beber, prefiro o café feito à moda antiga. Em filtro de papel e café moído (ok, os mais puristas ainda iriam moer o grão, mas não vou tão longe). O cheiro que fica cá em casa é sublime. Misturando-se com o fresco matinal, é qualquer coisa de sublime. Aqui sim....

Em detrimento dessas marcas da modernice....ou da "água-de-lavar-pés" que por vezes se servem em alguns estabelecimentos da restauração.

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quarta-feira, agosto 10, 2011

Motins

Nos últimos dias tenho assistido com muita atenção as notícias que me chegam de Inglaterra e que me dão conta dos verdadeiros motins em Londres e noutras cidades britânicas. Como não podia deixar de ser, esta temática interessa-me de sobremaneira, não vá a moda pegar e qualquer dia sem saber nem como nem porquê ainda apanho com um tijolo atirado com toda a força na cabeça. Vindo de algures.

O que está a acontecer neste momento na capital britânica não é muito diferente do que aconteceu há algum tempo atrás na capital parisiense. Resumidamente, a "velha" e já nossa conhecida problemática associada aos gangues e as autoridades policiais. Julgo que se ligam tanto como o azeite e a água. O que me parece, é que a violência no caso do Reino Unido assumiu proporções bem superiores e mais graves que aquelas que aconteceram na sua congénere gaulesa. Mas só quando tudo isto tiver terminado será possível comparar a duração, os estragos, quantificar prejuízos e estudar a organização de tamanha confusão e que conduziu ao caos urbano.

Há vários problemas latentes associados a esta temática e que poderão, na minha modesta e simplista opinião, estar na origem de tudo. Em primeiro lugar, parece-me redutor pensar que tudo isto deriva da questão de um membro de um gangue ter sido abatido ou preso. Não o é. Nem tampouco se deve apenas às condições precárias de vida para muitos ingleses. Não é apenas a crise. E também não será caso de se julgar ser uma resposta de alguns membros da sociedade contra a apresentação de um plano de medidas de austeridade pelo Governo ou mesmo de um memorando acordado com a Troika (Nota: Duvido que alguns destes gandulos conseguissem pronunciar correctamente austeridade. Ou saibam o que é um memorando. Ou ainda que não confundam Troika com uma qualquer variante do ecstasy...).

Em segundo lugar, outro problema que me parece algo preocupante, tem que ver com o facto de no Reino Unido, sempre se ter entendido que as armas de fogo não era necessárias. Soube disto há poucos dias. Desconhecia por completo. Fiquei a pensar com os poucos botões que tenho nesta altura do ano, como será que um polícia inglês apanhará um larápio malvado. Assobia bem alto e grita com toda a força: "Mãos ao ar senhor ladrão! Fique quieto onde está, se fizer favor, enquanto vou ali ao carro buscar a vara de marmeleiro para "massajar" essas costas!". Basicamente, a autoridade policial britânica sempre afastou a possibilidade de dotar os seus efectivos com armas de fogo. Até agora.

Em terceiro lugar, urge entender e estudar o fenómeno da mobilização deste tipo de evento. A opinião pública foi rapidamente conduzida para um pensamento directo. A importância e poder que as redes sociais podem ter quando associadas a um terminal (telefone). Já para não falar da projecção que uma marca conhecida de telefones teve, à escala planetária, com estes infelizes episódios. Crê-se que a convocatória de tudo isto foi feito através de uma versão do messenger para essa marca de telefone.

Para terminar, as tenras idades com que são perpetradas muitas das pilhagens. Miúdos com 10, 11 anos, com máscaras (caras tapadas) que pilham / pilharam lojas. Agradou-me a intervenção do actual Primeiro-Ministro britânico, que avançou a ameaça (legítima) de que essas pessoas não são inimputáveis. Vai mais longe. Se têm idade para cometer estas ilegalidades, terão também de ter idade para "sentir o peso da Lei". Certamente que qualquer cidadão britânico se sentirá mais descansado em saber que um miúdo de 11 anos vai ficar os próximos 4 anos numa cela partilhada com algum violador compulsivo, passando a ser o seu peluche ou mascote. E terminará o liceu remotamente (tv escola).

Esperemos que termine tudo rápido. Para o bem de todos.

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terça-feira, agosto 09, 2011

Anarquia

Por incrível que possa parecer ainda há quem acredite e defenda a causa anárquica. Acho bestial haver pessoas crédulas a este ponto. Confesso dou comigo variadíssimas vezes a meditar sobre esta questão durante as minhas noites de insónia. Porquê? Pela pertinência do tema e porque, como é sabido, gosto de estar preparado para toda e qualquer discussão. Recorrendo a uma argumentação estruturada e consolidada.

A defesa de um sistema caótico. Só de pensar nisto fico ansioso. Sinto a respiração acelerar por "aí acima" e começo a ficar encalorado. Sensações típicas de quem é "anti-caos". Quem em algum momento me quiser castigar e ver-me sofrer, sabe que o conseguirá induzindo um momento de caos. É algo limpo e indolor. E como consequência imediata fico sem forças e muito triste. Donde, quando é defendida a tese de que um qualquer país se pode "auto-governar" ou "auto-gerir", não raro tenho de me encostar bem a algum lado para não cair para o lado e não me querer levantar mais.

Também quero ver se não me esqueço de um  destes dias ir a uma tertúlia de defensores da anarquia. Vou ver se procuro na internet se estas reuniões são realizadas em algum hotel da capital ou se em alguma casa recentemente "okupada". Parece que está na moda. Não tenho dúvida alguma que será uma experiência única e interessante. Falar mal do Governo enquanto se fumam umas "brocas das boas" e se goza com look de "penteado à beto" de alguém que foi cortar 40 cm da "rasta". Toda a conversa, como não pode deixar de ser, certamente será acompanhada pelo ritmado e agradável som do jambé. 

Também considero que o direito à greve, devida e justamente consagrado constitucionalmente, para todo e qualquer cidadão português deve ser integral e cabalmente respeitado. Sinto-me particularmente sensibilizado quando me é dado a conhecer no telejornal das oito da noite uma qualquer manifestação de anarquistas ali no Rossio. Gosto, a sério. Não tenho dúvida alguma que alguns jornalistas fiquem drogados (gratuitamente)  com o cheiro inalado da erva que por ali se fuma e que faz com que exista uma neblina tão típica naquela zona da cidade, naquele momento específico e que se assemelha ao nevoeiro matinal da conhecida capital das terras de "Her Majesty the Queen"...

Haja paciência!

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segunda-feira, agosto 08, 2011

A Insegurança em Albufeira

Se não estou em erro, já aqui aflorei o tema de hoje, neste humilde espaço onde tenho o privilégio de partilhar com os meus leitores e leitoras os meus pontos de vista. Hoje, em causa está um que muito me tem consumido é que é sem dúvida a questão da insegurança lá em baixo. Especificamente em Albufeira.

Tenho-me controlado para não ir ali à cabine telefónica do final da rua e pedir para falar com o bem parecido MAI (Ministro da Administração Interna). Assim não dá e isto não pode continuar assim. Sempre que o vejo na televisão tem um sorriso na cara. Tenho de admitir aqui e agora que é um sorriso que me contagia. E que, por incrível que pareça me faz sorrir igualmente. Não consigo controlar. O reverso da medalha é que fico na dúvida se o MAI se ri de felicidade ou se ri da desgraça.

Num dos meus textos anteriores falei sobre o Algarve. O "meu" Algarve. Gostava de informar que também conheço muitíssimo bem a zona de Albufeira onde passei vários Verões. Muito felizes por sinal. Quer em família quer com os amigalhaços do peito. Torna-se assim muito doloroso para mim ouvir algumas notícias que os meus queridos amigos pivots dos telejornais me têm dado conta. E com uma frequência que me preocupa.
Parece-me que as coisas lá por baixo estão complicadas e se não estou em erro até já houve um morto a lamentar desde que teve início o Verão. De há muitos anos a esta parte, por esta altura, é normal e conhecido o reforço policial (patrulhamento) e do corpo médico (urgências) para fazer face às vicissitudes sazonais. Conheço quem tenha feito parte quer de um grupo quer do outro. O que não consegui ainda entender é o facto de ser quase "necessário" lamentar a perda de uma vida humana, no caso de um cidadão estrangeiro, para que se pense em reforçar a segurança em Albufeira. Confesso que não tenho feito outra coisa que não seja tentar encontrar uma explicação que me pareça razoável e minimamente credível, no sentido do apaziguamento o meu espírito curioso. Sem êxito. Ou por outro lado, tentar perceber a razão pela qual os meios necessários não tivessem até então sido accionados. Infelizmente, para mal dos meus pecados (e sono) não consegui. Ainda. Talvez chegue lá um dia.

Numa altura em que é necessário dar a "volta por cima" e enaltecer o que realmente Portugal terá de bom (e.g.: turismo, praias, gastronomia regional), importa apostar em incrementar a vinda de mais turistas. Mostrar que somos bons a receber. Que sabemos receber. Que tratar bem é algo que não nos assusta e que Portugal é um País seguro. Aparte do bem receber e da boa sardinha (este ano nada de especial, por sinal), não temos conseguido mostrar o que de melhor temos. "Ele" é assaltos, espancamentos e mortos. E por incrível que pareça acontece tudo com cidadãos estrangeiros. Nórdicos.

Não percebo muito bem onde vai isto parar. Urge uma tomada de medida de força. Eficaz e eficiente. Que traga de novo a paz e a tranquilidade a esta parte do Algarve...tão minha querida.

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domingo, agosto 07, 2011

Trabalhar Fora

Conheço várias pessoas que trabalham fora de Portugal. É cada vez maior o número de pessoas que realiza que viver em Portugal é sinónimo de muito em breve ter de passar por algumas dificuldades.

Percebe-se no presente momento a uma clara "contracção" do tecido económico português que deriva directamente de uma acentuada e grave crise económica que neste momento assola o nosso Portugal. E que veio para ficar. Em consequência, aquele grupo de pessoas que se iniciou nas lides do mundo do trabalho há cerca de uma década e "uns trocados", e que obviamente ainda tem bons "costados" para "alancar", acaba por "abraçar" novos desafios. Nomeadamente o de trabalhar fora durante uns tempos.

Trabalhar fora tem que se lhe diga. Para começar, é importante que seja muito bem estudada a proposta recebida. As condições de remuneração, o alojamento, o transporte e tantos outros detalhes que normalmente fazem parte do pack proposto. Contudo, e na minha perspectiva simplista, é também importante avaliar o que se perde ou se deixa cá. Família, amigos, conforto, segurança. E para isto não há dinheiro que chegue ou pague.

Também não deixa de ser irónico que os portugueses tenham como grande fito neste momento o ir trabalhar para África. Para aqueles países com quem....houve guerra. Baixas a lamentar de ambas as partes. Mas o dinheiro consegue falar mais alto. E almejando uma choruda conta bancária, com mais 3 ou 4 zeros, optam por oferecer os seus préstimos ou aceitar o convite de empresas africanas. Ainda que para isso tenham de ser sacrificados toda uma série de aspectos como aqueles que referi anteriormente. Quem diz África diz outros países da chamada "economia emergente".

Graficamente, acho que a situação económica portuguesa possa ser representada por uma parábola. Ramo descendente, concavidade e ramo ascendente. Neste momento, e na minha percepção ridiculamente linear da actual situação económica do País, estou capaz de apostar 2 euros com alguém em como estamos no tal ramo descendente da parábola. E na loucura aposto mais 1 euro em como falta ainda um pouco mais para ser atingida a concavidade da parábola que, no meu entender espelhará o pior momento da economia portuguesa. Só depois desta fase terá início a retoma económica e consequentemente a melhoria da qualidade de vida dos portugueses. Estamos a falar de uma distância temporal não inferior a 10 anos. Pelo meio veremos se não vamos ter de sair do "euro" e voltar a usar as notas da "Dona Maria II". É uma realidade cada vez mais presente e quer-me parecer que vamos ser "obrigados" a caminhar nesse sentido. Esperemos que não...

Cientes desta realidade actual e que será uma constante durante os próximos tempos, algumas pessoas começam a procurar a sorte e buscam melhores condições de vida fora de Portugal. Acho óptimo e só evidencia coragem, vontade de mudança e busca da tal melhor condição de vida. 

No que me toca, talvez não seja uma ideia tão distante quanto isso, como era há uns anos atrás, mas não é algo que seja realizável / realizável / exequível num futuro próximo. Mais lá para a frente...quem sabe. Mas custa-me bastante deixar o meu Portugal. A sair, teria de ser com condições muito boas. O que não é difícil de encontrar. É preciso é ter vontade de sair!

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