sexta-feira, agosto 26, 2011

Acampar na Praia

Num momento em que me é dado a conhecer que são tantas as pessoas que escolhem a magnífica extensão de areal das praias do litoral do nosso "rectângulo" para passar momentos de merecido descanso e confraternização entre amigos(as), importa aqui e agora deixar também a minha opinião.

Já aqui falei no blogue sobre a minha experiência de campismo. Até hoje, foram duas vezes que tive oportunidade de acampar. E em ambos os casos foram experiências de tal forma traumáticas que não deixaram saudades. Uma delas não vou considerar enquanto prática do campismo em sentido "estrito". Tive oportunidade de ir dois ou três dias com uns amigos e amigas para uma roulotte dos avós de uma delas. Ali no simpático e agradável parque de campismo da Quinta do Conde. À distância de algumas décadas a esta parte, consigo hoje antever mais emoção em ir tirar o cartão de cidadão no mês de Agosto (quando os emigrantes também estão cá e vão fazer o mesmo), ou mesmo ir bater à porta da D.ª Alcides ali do 31e ficar a conhecer todas as notícias da minha rua.

Acampar na praia pode ser (e com certeza é) muito estimulante. Assim todos estejam devidamente inteirados do que se trata. Ou mesmo que tenham presente que, na quase totalidade dos dias de Verão há um gradiente térmico significativo associado. Ou seja, a diferença de temperatura sentida durante o dia e durante a noite pode chegar aos 20º C. Talvez seja exactamente por isso, o de não ter ficado capacitado dessa enorme variação térmica, que guardo para mim a lembrança de quase ter perdido os lábios com o frio que se fez sentir, de ter pensado que ia ter de ir ao hospital de Tavira para cortar as cabeças dos dedos (mãos e pés) de tal forma estavam roxos e aproveitando a viagem fazer uma lavagem estomacal em consequência das 500 grama da areia branca e fina que ingeri nessa noite. Era um animado grupo de cerca de 20 pessoas acampadas ali no areal da praia. Uma tenda, que naturalmente serviu para quem a levou e que certamente fez as delícias da cara-metade. Na ilha de Tavira até há uma zona de campismo dedicada, que naturalmente não foi por nós ocupada. Optou-se mesmo pelo campismo selvagem. Aparte dessa tenda para duas pessoas, não havia mais nenhuma. Só as toalhas de praia (no meu caso nem uso). Se podíamos ter ficado no parque de campismo? Claro que podíamos. Mas houve algum "iluminado(a)" que entendeu que não teria tanta piada. E assim sendo ficámos a uns 50 metros do mar. Tenho tentado ver se me consigo lembrar quem foi.

A razão de ser desta reflexão de hoje é simples. Quando pensei que todas as lembranças deste infeliz episódio se tivessem "esfumado" para todo o sempre, eis que há uns dias atrás foram reavivadas. Na praia. Fiquei ao lado de uma "família feliz" que decidiu fundear um confortável iglo ali, ao meu lado, e que pelo tamanho me pareceu ser capaz de albergar sem qualquer constrangimento de espaço uma família de 6 pessoas. É sempre bom estar prevenido. Não fosse começar a chover torrencialmente naquele infernalmente soalheiro dia que se sentiu há alguns dias atrás. E foi assim que todas as memórias que pensei que estivessem arrumadas vieram "à tona". Para mal dos meus pecados que vou passar as próximas duas semanas e meia a pensar nisto.

Próximo Tema: Taxação da Riqueza

1 comentário:

carla disse...

Isto é como as Paixões Platónicas... Tudo tem a sua idade e a sua época:)
Campismo, só em frente à casa do 1ºMinistro!:)