domingo, agosto 28, 2011

Bimby

A bimby está para as mulheres assim como o comando da televisão estará para os homens. É bom que esteja por perto. Ao alcance da mão (ou distância de uns passos até à cozinha...a menos que se use a bimby na sala de estar). No caso específico da bimby acontece o milagre da "salvação" naquela noite específica em que se decide fazer lá por casa a tão participada e importante reunião familiar. No caso do comando da televisão, e aproveitando o sempre agradável momento da tal reunião, calha bem que o mesmo esteja por perto, não vá a SIC ou a TVI lembrar-se de passar um daqueles filmes "impróprios para cardíacos", que têm o dom de interromper as conversas familiares, enquanto passa uma daquelas cenas do "demo"...tórridas e em que parece que a menina..querendo partilhar com a câmara que goza o momento...dá ares de estar a ser selvaticamente retalhada com uma daquelas facas do talho do Sr. Jorge.

A moda da bimby veio para ficar. Não tenho dúvidas. À semelhança da moda da "máquina-de-café-que-usa-cápsulas-de-várias-cores-e-que-faz-as-pessoas-jurarem-a-pés-juntos-que-sempre-adoraram-café-mas-que-o-desta-máquina-é-melhor" (quando nem sequer bebiam café), também a bimby já foi consensualmente eleita como a invenção do século XXI por várias mulheres. Ao nível planetário. Sem grande surpresa veio revolucionar as cozinhas portuguesas (e outras), possibilitando aquelas mulheres que terão tanto jeito para a cozinha como o escriba tem para bordar em tafetá, conseguirem fazer autênticos brilharetes e receber rasgados elogios.

Consigo perceber a bimby como um complemento a qualquer cozinha. Não como uma solução. Quero acreditar que ainda existe a vontade nas mulheres em aprender a cozinhar "à moda antiga", em detrimento de procuraram as 90.000 receitas desta máquina já disponíveis na internet. E porquê tudo isto? Porque em culinária, aquilo que tem associado um maior tempo de confecção, sabe naturalmente melhor. Ninguém tenha dúvidas. Li algures, há pouco tempo, numa entrevista a um Chef  conhecido que não utiliza a bimby. Prefere a forma tradicional de fazer as coisas. Também avançou que se sente mais a ligação com os ingredientes. Ele lá saberá o que quererá dizer...

O que a bimby tem de bom ( facilita a vida da mulher que trabalha um dia inteiro e tem pouco tempo para cozinhar), tem também de mau, na medida em que compromete a secular e importante sabedoria da cozinha tradicional, confeccionada à moda antiga. A título de exemplo, parece-me complicado acertar o ponto de rebuçado com esta tão "maravilhosa" máquina. Ou fazer umas boas e suculentas espetadas em pau de loureiro. Ah, pois é...não dá. Temos pena!

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1 comentário:

carla disse...

Novamente, tudo dito! Qualquer mulher que sabe o que é a arte de cozinhar e de colocar os tão maravilhosos condimentos na "panela", não aceita ter esse "acessório" na sua cozinha, aliás o preço é assustador,e realmente misturar tudo para o "balde"... não dá qualquer interesse e gozo. Perde-se a arte, perde-se o gosto e por vezes até a vontade de não mais cozinhar.