quinta-feira, agosto 11, 2011

Café

Começo esta reflexão aludindo ao facto de não ter a certeza se já terei escrito sobre este tema. Se fõr o caso, aproveito a ocasião para desde já endereçar um sentido e profundo pedido de desculpas. Mas acaba por ser compreensível que em quase 600 temas desenvolvidos em pouco mais de ano e meio me doa a cabeça quando tento encontrar temas novos e possam acontecer as naturais repetições.

Não sou viciado em cafeína. Nunca fui. Lembro-me das variadíssimas vezes raspar o fundo das chávenas de café dos meus (açúcar misturado com café). Já lá vão umas boas décadas. E creio que só quando comecei a sair à noite é que comecei a sentir a necessidade de beber café. Nunca entendi muito bem o porquê, mas bebia. Talvez para parecer mais crescido. Um pouco como o cigarro. O café em mim tem o mesmíssimo efeito que um copo de água natural. Se tiver sono, caio. É uma equação simples e directa.

Não sendo um entusiasta desta bebida que faz com que "as-pessoas-fiquem-com-dores-de-cabeça-e-na-iminência-de-espancar-selvaticamente-alguém-enquanto-não-tomam-os-habituais-e-obrigatórios-3-cafés-matinais", gosto do cheiro. Pode parecer estupidez, mas sempre gostei de ir a uma qualquer casa de cafés (havia perto da minha casa) comprar biscoitos e chocolates. Ou seja, era um pouco ir à casa de frangos assados e pedir um um bacalhau cru para levar para casa, mas era a minha realidade. Ía a uma casa de cafés comprar biscoitos.

O que nunca ninguém entende é que o truque reside exactamente aqui. Eu não ía à tal casa de cafés (com o honrado nome de "Casa da Selva") para comprar café. Ía lá deliciar-me com o cheiro emanado do café em grão nas sacas de tecido e obviamente observar atentamente os outros clientes a serem aviados pelo dono da loja, que habilmente vertia os copos medidores de café em grão para o moinho. 

Hoje em dia perdeu-se isto. São cada vez mais raras as verdadeiras casas de café. As mesmas que foram substituídas por algumas marcas que passaram de um anonimato cinzento e esbatido para uma apocalíptico colorido estado celestial de estrelato, e que não só comercializam o café como também conseguem / conseguiram uma penetração bastante expressiva do mercado com máquinas de café estilizadas. Deixarei para um destes dias a minha apreciação relativamente ao fenómeno das pessoas que nunca apreciaram café (e não sabem a diferença entre um bom café e um mau café), e agora, quando bebem um café desta tal marca internacionalmente conhecida, adorarem. Consigo abanar as orelhas freneticamente e divertir-me com os comentários de "sublime", "divino", "único". E mais ainda me divirto com o preço das cápsulas e do marketing da marca. Um fenómeno digno de ser estudado por uma qualquer universidade prestigiada.

Contra tudo isto a tal "Casa da Selva" não consegue competir. Eventualmente competirá com a questão do trato ser mais personalizado, marcação "homem a homem"...mas só isso..infelizmente...e que pouco vale nos dias que correm.

Para terminar, a beber, prefiro o café feito à moda antiga. Em filtro de papel e café moído (ok, os mais puristas ainda iriam moer o grão, mas não vou tão longe). O cheiro que fica cá em casa é sublime. Misturando-se com o fresco matinal, é qualquer coisa de sublime. Aqui sim....

Em detrimento dessas marcas da modernice....ou da "água-de-lavar-pés" que por vezes se servem em alguns estabelecimentos da restauração.

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2 comentários:

carla disse...

Para começar, os meus parabéns por caracterizar tão bem o texto sobre o Cheiro fabuloso de um bom café feito à antiga. Eu ao ler o texto quase que estava a sentir-me inalada pelo mesmo, só meteste foto? É que eu senti o cheiro nas palavras...Felizmente percebi tão bem e encontrei-me ao ponto de recordar o café brasileiro que a titia me fez durante dois meses que esteve comigo... fui leva-la hoje de volta a terras de vera cruz...Adoro o cheiro do café,contudo não sou viciada apenas faria umas linhasitas se resultasse:) Ainda tens em Sacavém casa dos cafés e na Portela... e por aí fora Chiado...Fizeste-me recordar. Foi Bom! Muchas Gracias.

Elsa disse...

Tambem adoro esse cheirinho de café pela manhã, quando era miúda a minha mãe fazia aquele café que a cafeteira se separa em três partes, a do fundo é para a água a parte do meio para o café e a parte superior era depois onde saía o café já feito.Não sei se é anterior ao café de saco ou não mas sei que o aroma era muito bom também, recordações de infancia.
Quanto ao vicio, eu se nao beber fico mesmo com dor de cabeça, mas tento resistir em nao aumentar a dose diaria, que sao 3 (manha, depois de almoço e depois de jantar) eu tenho tendencia a ter tensao baixa daí pode ser a origem de dor de cabeça se não o beber.
Quando vou para a praia levo sempre comigo uma garrafinha de café gelado que adoro e tambem sinto que me faz falta durante o dia principalmente quando a praia não tem onde matar o vicio.