quinta-feira, agosto 04, 2011

Chamada para o INEM

Por ocasião de uma reunião com o Presidente do INEM, foi efectuada uma chamada por parte do PSD para o centro de atendimento do Instituto de Emergência Médica, com o objectivo de aferir o tempo de resposta do mesmo.

Se a ideia foi boa, já a forma de o concretizar foi má. Em primeiro lugar, porque foi efectuada à revelia do responsável máximo daquele Instituto, por acaso presente na tal reunião. O efeito teria sido muito eficaz e mais devastador se a dado momento fosse interrompida a tal reunião, comunicada a intenção do telefonema e o mesmo fosse efectuado na sua presença. Em tempo real, o responsável teria percebido (ou não) a debilidade do sistema de comunicação das emergências médicas. Neste sentido foi mal pensado, mal conduzido e o efeito que se obteve foi de crispação imediata da Oposição. Que consigo perceber.

Em segundo lugar, e para aqueles que nunca experimentaram ligar para o 112, passo a clarificar alguns aspectos. A primeira fase da chamada telefónica consiste em carregar duas vezes na tecla "1" e uma vez na tecla "2" do telefone mais próximo. Passados alguns segundos ouve-se uma voz com quem é conveniente manter uma conversação calma. Esta é a segunda fase da chamada telefónica. Tenho quase a certeza absoluta que das poucas vezes que liguei, separadas por alguns meses entre si, foi sempre o mesmo "desgraçado" que me ouviu, o que me leva a crer que não dormiu uns 5 ou 6 meses seguidos. O adjectivo "desgraçado" tem razão de ser na medida em que esta pessoa tem de ter alguma capacidade para adivinhar o que mensagem quer o emissor passar. No meio de um momento destes, marcado pela ansiedade, entre várias outras qualidades, este alguém terá de ser imensamente dotado intelectualmente para perceber isto. Nos casos em concreto, não posso corroborar isto. Esta pessoa não era muito dada à inteligência. Em coisas óbvias. Mas adiante. Chamemos-lhe "Pereira".
Este "Sr. Pereira" é quem naquele momento concreto tem tanto poder como o Obama. Manda em tudo. Nas ambulâncias, nos VMIR (Veículos Médicos de Intervenção Rápida), Bombeiros e na Polícia. Basicamente, domina Portugal. Em menos de nada pode mandar avançar um carro de polícia a um qualquer ponto da cidade onde está alguém a ser degolado, ou pode enviar um médico num carro a alta velocidade assistir um parto de quadrigémeos seguido da ambulância do "suporte à vida".

É impossível, no meio da emoção e ansiedade normais num telefonema de emergência para o 112 conseguir passar a mensagem à primeira. É preciso acalmar e de forma coordenada responder às perguntas do Pereira. O que nem sempre é fácil, quando o Pereira acabou de ser arrancado do sofá onde passava pelas brasas por breves instantes e ainda não está no mesmo comprimento de onda da pessoa que ligou e que pretende uma resposta em segundos. Enquanto se acertam detalhes, passaram alguns minutos. Menos de 5 minutos certamente, mas que parecem 30 minutos, naquele telefonema.

Resumindo, compreendo o propósito dos deputados PSD em alertar para a demora na resposta do telefonema da emergência médica, mas não concordo com a forma. Aliás, gostava de saber se a forma foi aprovado pelo actual Secretário-Geral do partido. Mais a mais, subsiste a questão de ter sido um "teste" que poderá ter feito com que alguém que realmente necessitasse de ajuda não a tivesse - ainda que existam mais operadores no atendimento telefónico. A forma de efectuar o teste demonstrou alguma imaturidade e má definição dos potenciais problemas. Ainda que o fosse importante aferir o tempo para se atingir o propósito - tempo de resposta a uma situação de emergência..

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