terça-feira, agosto 16, 2011

Concorrência

A concorrência é mais uma daquelas coisas que acho piada. Dou comigo não raro em permanente competição. O mais giro é que é comigo mesmo. Tento muitíssimas vezes superar-me a mim mesmo, em vários momentos do quotidiano. Nesta perspectiva, acho positivo e entendo que enquanto melhoramento de nós mesmos, devemos, em jeito de brincadeira, superar-nos continuamente. Mas não é das minhas competições que falarei hoje. Talvez um dia destes.

Analogamente à concorrência interior que me é dada a experimentar todos os dias, é natural que esteja alerta e atento a outras situações de concorrência. Se pensarmos um pouco, há várias situações de concorrência que podemos elencar. Por exemplo, nos preços: Hipermercado / mercearia do Sr. Mário lá da rua, viatura nova "zerinho" e a sair do stand / viatura usada "com 400.000 kms" e a sair de um dos stands ali da zona de Sintra, doa combustíveis das grandes petrolíferas comparado com o preço dos combustíveis das pequenas petrolíferas, das marcas de roupa das lojas do Colombo / mesmas marcas vendidas na Feira de Cascais.

Centremos a reflexão nos combustíveis. É gritante a disparidade de preços praticados em qualquer um dos 900.000 postos de abastecimento das grandes e o das pequenas petrolíferas. Por vezes no seio da própria marca há discrepâncias significativas.  Ainda não consegui perceber o porquê dos postos de abastecimento do Norte (e Interior) de Portugal conseguirem trabalhar melhor os preços. Quer dizer, consigo. Talvez não tenham uma visão de negócio orientada para a obtenção do lucro como terão os congéneres do Sul do País. Ou seja, "esmagam" mais as margens de lucro comparativamente ao que acontece no restante País, para que no final, seja possível serem praticados preços mais simpáticos e agradáveis para as bolsas dos cada vez mais pobres e tristes portugueses.

Há uns anos atrás falava-se na implementação da "liberalização do preço dos combustíveis". Quer isto dizer que podia acontecer uma petrolífera excêntrica oferecer combustível a quem tivesse feito a cama de manhã (se tivesse forma de o provar) em detrimento de outra que cobrasse 2 euros / litro de combustível a quem se apresentasse num posto de abastecimento com um carro com 4 rodas. Em teoria. O que acontece na prática é que a flutuação de preços verificada nos maiores grupos petrolíferos é nem mais nem menos que concertada. Quando o preço do barril de petróleo aumenta e tem lugar o aumento imediato numa das petrolíferas, as outras petrolíferas, quais macacas de imitação seguem o exemplo. Contudo, e curiosamente, quando o preço do barril do petróleo baixa, não se verifica um abaixamento imediato no preço do litro de combustível.

Chegamos aqui a uma máxima matemática que permite reflectir o conceito de "directamente proporcional" e "inversamente proporcional". O aumento do preço do litro de combustível é directamente proporcional (e imediato) ao aumento do preço do barril de petróleo. E inversamente proporcional (e demorada) ao seu abaixamento. Curioso não é? É. Trata-se de um exemplo clássico da "chica espertice" portuguesa. Aqui o escriba sabe bem do que fala. Dá ideia que os Administradores dos grandes grupos petrolíferos "dormem à porta" da OPEP (Organização dos Países Exportadores do Petróleo). Quando é conhecida uma deliberação da OPEP no sentido do preço do barril aumentar, dão ordem imediata para que encareça o preço do combustível no posto de abastecimento onde abasteço encareça. Quando o preço do barril de petróleo baixa, esquecem-se de avisar logo. Sempre têm mais uns dias de lucro. Faz sentido, até porque são empresas que passam por dificuldades inacreditáveis...

O que se assiste nos dias que correm é aquilo a que chamo de "cartelização" dos preços. É a concertação dos grandes grupos económicos, não só no preço dos combustíveis, mas também quando se fazem compras numa superfície comercial. A minha questão é: Não deveria haver um organismo isento, idóneo e sério que fiscalizasse os fenómenos de cartelização por cá? Porque razão se convidam as troikas para vir cá ver a desgraça em que o País se encontra, acordar memorandos de entendimento e se "varre para baixo do tapete" a questão medíocre dos preços dos combustíveis? Ou da dupla tributação que incide nos carros novos?

A bem do País, deve ser dada oportunidade ao cidadão de escolher. Livre arbítrio, dizem as cabeças pensantes. Para que seja possível a escolha, é necessário que haja alternativas. Para que haja alternativas torna-se necessário que haja a oferta de vários produtos, com o mesmo propósito e com preços diferenciados. Chama-se a isto concorrência. Chama-se a isto lei da oferta e da procura. Chama-se a isto mercado. É precisamente isto que não há.

Nota: Veja-se o caso de um bem essencial como é electricidade. E em jeito de despedida convido que se pense quantas distribuidoras de electricidade há em Portugal. Não há-de ser das poucas a ter lucros de milhões. E claro que também será a única a não querer partilhar a "galinha dos ovos de ouro". Há mais interessados na distribuição da electricidade cá em Portugal...(país vizinho). Mas isso faria com que a margem de dividendos fosse drasticamente diminuída. O que não se quer..obviamente.

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