sexta-feira, agosto 19, 2011

Congelamento de Carreiras

Mais uma vez, a crise económica faz das suas. Desta vez, o actual Governo avança com a ideia impopular de congelamento das carreiras. E no caso, das forças de segurança.

É curioso que oiço sempre este tipo de notícia à hora do meu tão aguardado jantar. Trata-se de um momento de Família e como tal, quer-se Paz, tranquilidade e que a refeição seja abençoada por Deus Nosso Senhor. Não tenho dúvida de que, quem faz alguns alinhamentos noticiosos tenha um especial prazer em tornar o meu jantar indigesto. Sinto isso. Saliento que no caso em apreço nada tenho com o facto dos agentes da autoridade reivindicarem o não congelamento das suas carreiras. Grosso modo, significaria que em alguns casos, volvidos 900 anos de carreira não evoluíssem muito mais além do guarda de "giro". Parece-me pouco razoável. Donde, vejo como legítima a incomodidade vivida por esta classe profissional. Leia-se no seio das forças da autoridade.

Também não estou contra o facto de haver a sindicalização das classes profissionais. Aliás, é um direito consagrado constitucionalmente. Todo e qualquer trabalhador, em sentido lato, terá direito a ser representado por alguém que lute pelos seus direitos / direitos da classe. Há sindicatos fortíssimos (caso do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil ou dos Sindicatos dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves). É fácil de imaginar porquê. Parando a sua actividade ou coordenando-se enquanto elementos que podem contribuir para uma greve, a aviação pára. Fácil.

Já estarei contra os representantes de alguns representativos sindicatos da função pública que não estão minimamente preparados para falar na televisão, dar entrevistas. Entendo e aceito que após uma reunião com o Governo, em que são esgrimidos os argumentos por parte da Tutela que inviabilizam uma progressão "normal" das carreiras da função pública estes dirigentes fiquem "abananados". E percebi isso claramente no telejornal de ontem. Em primeiro lugar, o digníssimo representante do maior sindicato de trabalhadores da função pública deu a entender que preferia estar noutro local qualquer que não ali e naquele momento. Provavelmente a galar o rabiosque de uma qualquer cubana numa praia de Havana, sorvendo deleitado um prazeiroso Mojito acompanhado de um caracteristicamente cheiroso charuto Grand Torpedo. E passo a explicar a minha teoria.

Não se percebe como pode alguém, com o País mergulhado numa das maiores crises económicas de que há memória, insurgir-se contra os congelamentos das carreiras da função pública. Dou também nota de que esta notícia do congelamento das carreiras surge em paralelo a outra em que é avançado que vai acabar "a mama" da nomeação directa dos cargos de dirigentes da administração pública. 

Para quem lê esta reflexão e ainda não conseguiu entender do que se trata, eu ajudo: quem quiser ir para um qualquer cargo de dirigente superior na função pública terá de ser licenciado, apresentar curriculum vitae e ser submetido a uma entrevista por parte de uma Comissão constituída para este fim. Lembro-me perfeitamente de estar nesse momento a cortar um delicioso pedaço de carne estufada (a olhar para o prato, como é claro), enquanto ouvia a jornalista a dizer quais as "regras do jogo" a partir de 2012. Pareceram-me claras e confesso que até cheguei a ficar contente por finalmente haver transparência no processo de recrutamento / nomeação de cargos dirigentes. Eis quando oiço o tal "iluminado" a chamar todo este processo de "hipocrisia política". Tive de me controlar para não chamar um nome feio à televisão. É este tipo de coisas que me tira do sério e me remoem as entranhas...Claro que não consegui evitar começar aos berros com o "Einstein" e questioná-lo se queria manter ad eternum o actual registo não transparente de nomeação de cargos dirigentes.

O que tem a ver a nomeação dos dirigentes com o congelamento das carreiras? Tudo. Estão intimamente relacionados. Não faz sentido que dirigentes que estão no cargo há décadas perpetuem esta condição. E que agora se queixam, pois vêem aquela fonte de rendimento segura que era o Estado acabar com o facilitismo. E acima de tudo a dar oportunidade a quem tem competências provadas de ocupar cargos superiores na função pública. É isto que falta. Ah, e quem está mal...que se mude.

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