quarta-feira, agosto 31, 2011

Creches

Lembro-me muito bem da minha creche. Já lá vão mais de três décadas e ainda hoje guardo na minha memória as boas e bem dolorosas marcas dos joelhos esfolados, da irritante e obrigatória hora da sesta depois do almoço e claro, das batalhas campais com a creche contígua. Bons velhos tempos.

Foram bons tempos marcados pela despreocupação e alheamento dos problemas inerente à minha tenra idade. Aliás, e se a memória não me trai, creio ter sido nessa altura a altura em que consegui que mais mulheres me ouvissem e acreditassem naquilo que "vendia"...ok, aspirantes a mulheres. Consegui o singelo feito e árduo marco histórico de ter todas as "coleguinhas-da-minha-classe" enamoradas. Assim como uma ou outra da tal creche "inimiga". Naturalmente que isso me ía trazendo algumas agruras durante a minha breve estadia nesta creche. Acompanhadas de algumas acentuadas animosidades com os pares masculinos. Como também se percebia pelas "esperas" que me eram feitas, alegando que estaria a "pisar o risco". Não tivesse eu as minhas tropas alerta e não estaria aqui a partilhar este texto.

É com alguma consternação e preocupação que vejo o estado das creches de hoje em dia. Começo por falar do tempo que as crianças crianças passam na creche, separados dos pais. Demasiado tempo. "Ah e tal, mas há o trabalho dos pais". Bem sei. A culpa não é dos pais. É de quem regula e decide o tempo que os pais podem ficar em casa com os filhos. Também é líquido para mim que a colocação de um filho(a) numa creche nunca é a primeira opção. Quero acreditar nisso. Será pois a consequência de uma vida profissional dos pais, e tendencialmente mais preenchida, fruto das pressões das empresas e por forma a garantir a subsistência...perdão, sobrevivência das famílias nos dias que correm. É neste momento que muitos amigos e amigas me dizem o quão importante e facilitador acaba por ser a questão de terem os pais por perto. Em alguns casos, acaba por ser feito um bypass à temporada das crianças nas creches, assim seja garantido que os avós têm tempo e paciência para aturar as diabruras inerentes a estas tenras idades. Há quem tenha a tal paciência para ajudar na criação e há quem já não a tenha.

Uma questão pertinente está relacionada com os maus tratos comummente infligidos a crianças em creches portuguesas. Há poucas coisas que têm o dom de me tirar do sério. Esta é uma delas. Não consigo entender nem tampouco aceitar a já habitual e nossa conhecida brandura da justiça portuguesa para alguém que espanca ou violenta uma criança indefesa. E em alguns casos que marcada e rapidamente resolvida com um termo de identidade e de residência do(a) presumível agressor(a).

Para terminar, os custos de manter uma criança numa creche fazem com que, na minha opinião, tenham de ser bem avaliados pelos pais todos os cenários possíveis. A eventual disponibilidade e ajuda dos avós, as creches que algumas empresas hoje em dia já têm, facilitando a vida dos seus empregados ou mesmo a decisão de um dos pais ficar em casa até os filhos terem idade de ingressar na escola primária. Assim o outro lado (cônjuge) consiga suportar as despesas de manutenção e quotidiano normal de um lar.

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