segunda-feira, agosto 22, 2011

Maquilhagem

A maquilhagem está para a mulher assim como as medidas da austeridade da troika estão para o nosso querido Portugal. Trata-se de um mal necessário para muitas mulheres e que poderá uma excelente forma de disfarçar alguns aspectos menos favoráveis (e.g.: a clássica pele macilenta, a falta de tempo para aparar o buço ou a correcção das imperfeições da cara  - aqui à custa da aplicação de umas "camadas extra de pele da cara" à custa da generosa aplicação de base. Esta é a realidade.

Importa que este assunto seja por mim clarificado para que não subsista qualquer dúvida. Não sou de todo contra a maquilhagem discreta. Acho que dentro do razoável e esteticamente agradável à vista, há várias soluções ponderáveis que não me chocam. A base, o lápis para riscar as pálpebras, o baton são tudo objectos para os quais existe em mim uma forte suspeita que existem obrigatoriamente no necessaire de qualquer mulher. Sei e digo isto porque vejo imensas mulheres a pintarem-se nas filas de trânsito logo de manhã. O que me leva a desconfiar que é algo intrínseco e mais forte que qualquer mulher. Algo incontrolável e que tem também associado o facto do espelho de cortesia dos carros ser fabricado num material único específico, apenas encontrado em minerais extraídos do solo argiloso da Amazónia e que faz as mulheres sentirem-se e parecerem mais bonitas. Aqui reside a razão para o fazerem isto no trânsito e não em casa.

Como não podia deixar de ser, já vi muita coisa e pouco há que me surpreenda verdadeiramente. Desde a "malvada" da fila do trânsito que teimou em parar no preciso momento em que amiga coloria os lábios e inexplicavelmente, do nada, aparece  um risco de baton até à orelha. Ou que dizer dos desejáveis e perfeitos riscos nas pálpebras que podem ficar...até meio da testa numa qualquer travagem mais dura. Delicio-me com este tipo de acontecimento. E em paralelo com o ar atrapalhado quando percebem que foi vista a borrada (literalmente). Ou quando disfarçam a asneira colocando a franja do cabelo para a frente (mas os riscos ficam lá). Espero que não se esqueçam de o apagar antes de entrar no escritório.

Ocorre-me neste momento partilhar com quem me lê, a imagem da Dona Angélica (que Deus Nosso Senhor a tenha e aguarde), avó do Paulo e do Carlos lá da rua. Devia ter no máximo 1,50m de altura com saltos altos e uma idade que não devia andar longe dos 200 anos. A mesma idade do perfume que tão bem conheci durante vários anos e que se fazia sentir a uma distância nunca inferior a 8,5 km. Para remate, uns óculos de massa bem grossos, com uma forma estranhamente geométrica (estreitada e levantada nos cantos) e um agradável e sempre bem escovado sobretudo rosa forte, que lhe conheci em todas as estações do ano. Incluindo no Verão (eventualmente para se manter confortável e agasalhada). A Dona Angélica terá nascido antes de aparecer a própria da maquilhagem, ou seja, os tais 200 anos atrás. No seu caso em concreto, o seu espelho de casa  (ou a sua natural e óbvia falta de visão) tinham como consequência que tivesse permanentemente e religiosamente aplicadas 5 camadas de base na cara. O que de resto era objecto de chacota por parte toda a rapaziada....até que um de nós era apanhado e tinha de dar duas beijocas. E ficar com a marca dos lábios pintados com baton cerise forte na cara. E o perfume....ai o perfume....

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2 comentários:

Anónimo disse...

Quase consegui visualizar a imagem da Dª Angélica :)e fartei-me de rir.

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Anónimo disse...

"A maquilhagem está para a mulher assim como as medidas da austeridade da troika estão para o nosso querido Portugal."
Está tudo dito!
Bem "metida" a imagem,deu-me vontade de me "mascarrar" toda, ainda andei várias vezes a ver se conseguia identificar alguma marca de maquilhagem em especial, mas acho que não...:)
Não fizeste publicidade:)