sexta-feira, agosto 12, 2011

Moda

Nunca fui um verdadeiro seguidor de modas. A minha relação com a moda resume-se ao gostar de estar bem comigo mesmo, tentar o mais possível ser harmonioso na conjugação de cores das roupas que visto e claro tentar não chocar as pessoas com quem lido ostentando camisas com estampados de flores californianas com bicos das golas até meio do peito e correntes de ouro ao pescoço.

Como em tudo, defendo a ideia de que o meio em que alguém cresce e mais tarde se move (leia-se trabalha), dita a tendência da moda que segue, ou a forma como se vestirá, se preferirem. Desconfio que o Christian Louboutin não será conhecido em 98% dos bairros desfavorecidos e periféricos à cidade de Lisboa, assim como a utilização da terminologia "parro" em vez de "relógio" poderá fazer com que o meu Tio Carlos Alberto que mora ali na Lapa pense que ensandeci e que lhe estou a chamar algum nome feio. Basicamente, trata-se de tendências que serão características de determinadas classes sociais e zonas geográficas. E será sempre assim. E muitos mais exemplos poderiam ser dados...

Cresci num meio em que sempre se deu importância às marcas. Frequentei escolas e universidades em que o exterior (o que se vestia) era valorizado. Também enquanto lazer frequentei / frequento locais onde o que se veste, quase que de forma imediata e despropositada é avaliada. Mas nem sempre fui uma pessoa grandemente preocupada em seguir o que os outros vestem. Aliás, posso assegurar que tenho bem presente um episódio em que numa saída à noite entendi vestir umas calças de ganga de uma conhecida marca americana, mas com um modelo que ninguém conhecia. Nem eu. E com um corte que não tinha a ver com nada! No meu entender não estará em causa a marca do que se veste. Estará em causa sim o sentir-me melhor com algumas roupas / sapatos / acessórios de algumas marcas do que com outras. Aquelas que acabam por ser a escolha óbvia e normal de todos os homens (falando objectivamente de mim e do meu sexo - leia-se género masculino e não outra coisa!).

Com tudo o que refiro acima, torna-se óbvio e natural que tenha desenvolvido ao longo dos tempos um sentido crítico apuradíssimo e a um nível assustadoramente corrosivo. Por exemplo, e sem qualquer desprestígio da classe, entendo que um dos requisitos para se ser bancário é calçar sapatos de biqueira "quadrada". Preferencialmente com uma bela e grossa chapa metálica no peito do pé, solidamente cravada no sapato e com o nome de um conhecido estilista português. Contudo, as surpresas não terminam aqui. Explico porquê. Sou de opinião que devia haver algum descomprometimento na libertação de "uns trocos" para pagar uns trocos ou tirar do desemprego algum "consultor(a) de moda". No sentido e com o claro objectivo de proporcionar algumas luzes na forma como a pessoa se veste numa actividade que lida directamente com o grande público. Em termos de apresentação, além do que referi dos sapatos, também não me parece muito estético / recomendável que o Ricardo, meu gestor de conta lá do Banco, use um relógio com um mostrador muito pouco diferente do tamanho de uma tampa de esgoto. Gosto de relógios grandes, mas não chego a este nível de excentricidade. Acho abusivo.

Para terminar, já aqui referi que tenho muito presente na minha Família o típico caso de quem se "não vai em modas". Acho óptimo. Falo da forma desprendida como uma das minhas Tias encara a moda. Em paralelo, e para não destoar, o meu Tio também tem uma relação muito especial e peculiar com a tesoura do barbeiro. As grandes fortunas não aparecem do nada, é sabido. Por vezes, é necessário abdicar de alguns bens materiais (roupas, acessórios, perfumes e mesmo cortes de cabelo) em prol de uma poupança de umas centenas de euros. Assim sendo, torna-se frequente que nas reuniões de Família, a minha Mãe consiga descobrir na minha Tia uma saia de...há 25 anos atrás. Um par de sapatos que já devem ter tido umas 5 meias-solas. Ou a mala castanha que faz parte intrínseca da minha Tia e que deve ter feito as delícias das mulheres em 1837. No dia em que vir a minha Tia com outra mala algum mal está para vir ao mundo. 

A história "pia de outra forma" no que toca ao meu Tio (o tal do monte alentejano que falei há uns meses atrás). É o típico e habitual cliente da Feira do Relógio. Segundo o mesmo, é onde se fazem as melhores compras de calças ao sabor (sentido estrito) de uma boa e gordurosa bifana. Tem então lugar uma mistura curiosa de estilos que me consegue causar algumas vertigens. De forma estóica, o meu Tio tenta conjugar o desportivo de umas calças desportivas com 56 bolsos (que sem dúvida alguma despertariam a cobiça daquele tipo inglês que come cobras e já escalou umas 45 vezes o Evereste), com um "cinzentão" pólo de picot que desconfio que será mais velho que eu e "terminando" com um par de mocassins de sola pretos impecavelmente engraxados. A "cereja no topo do bolo", é sem dúvida o cabelo do meu tio.  Quando o mesmo começa a crescer aparenta estar "armado", fazendo um efeito tipo cogumelo ou abat-jour. Fica muito giro. Tipo o cabelo do Einstein. Mas maior e mais espetado para os lados. Talvez se  esteja a tentar implementar uma nova moda. Não faço ideia. Mas sei que quando está assim...tenho a certeza absoluta absoluta que anda zangado com a tesoura do barbeiro. 

Torna-se óbvio que este meu querido e tão estimado casal de Tios é objecto das mais variadas trocas de anedotas e piadas (sempre saudáveis) nas reuniões familiares. Mas têm a sua própria forma de estar na vida. E são felizes assim. Temos de respeitar!

Próximo Tema: Sacerdócio no Feminino

2 comentários:

Elsa disse...

Conheço muitos meninos e meninas que só vestem roupa de marca, felicidade a deles se é mesmo marca e não da feira de Carcavelos, é sinal que ganham bem, eu nao posso dizer mesmo não tenho vida para vestir marcas nem ligo a isso, gosto de vestir bem mas sou poupada sei onde ir fazer as compras, visto-me bem (no meu ver) e não é preciso usar marcas, sou filha duma senhora que fazia os vestidinhos para as filhas, e tive o privilégio de me fazer o meu vestido de noiva, além dos vestidos para as minhas irmãs e até para minha filha levar à cerimonia do meu matrimónio.
Daí o meu gosto pela moda, moda sim, marcas não.

carla disse...

Muito bem...:)Há sempre uma tendência inconsciente ou não para seguirmos um determinado estilo que se enquadre ao que se veste e usa no momento, depois cabe a cada um de nós criar e ajustar ao seu... Claro que me preocupo minimamente com o visual, gosto de me sentir confortavel e bem comigo própria se isso é seguir a moda, então eu sigo e não resisto a um bom par de sapatos e a um bom e lindo relógio de marca, sem dúvida tb canalizo algum dinheirito nesses bens materiais. Enfim, o importante é nos sentirmos bem andando ou não na moda...