quarta-feira, agosto 10, 2011

Motins

Nos últimos dias tenho assistido com muita atenção as notícias que me chegam de Inglaterra e que me dão conta dos verdadeiros motins em Londres e noutras cidades britânicas. Como não podia deixar de ser, esta temática interessa-me de sobremaneira, não vá a moda pegar e qualquer dia sem saber nem como nem porquê ainda apanho com um tijolo atirado com toda a força na cabeça. Vindo de algures.

O que está a acontecer neste momento na capital britânica não é muito diferente do que aconteceu há algum tempo atrás na capital parisiense. Resumidamente, a "velha" e já nossa conhecida problemática associada aos gangues e as autoridades policiais. Julgo que se ligam tanto como o azeite e a água. O que me parece, é que a violência no caso do Reino Unido assumiu proporções bem superiores e mais graves que aquelas que aconteceram na sua congénere gaulesa. Mas só quando tudo isto tiver terminado será possível comparar a duração, os estragos, quantificar prejuízos e estudar a organização de tamanha confusão e que conduziu ao caos urbano.

Há vários problemas latentes associados a esta temática e que poderão, na minha modesta e simplista opinião, estar na origem de tudo. Em primeiro lugar, parece-me redutor pensar que tudo isto deriva da questão de um membro de um gangue ter sido abatido ou preso. Não o é. Nem tampouco se deve apenas às condições precárias de vida para muitos ingleses. Não é apenas a crise. E também não será caso de se julgar ser uma resposta de alguns membros da sociedade contra a apresentação de um plano de medidas de austeridade pelo Governo ou mesmo de um memorando acordado com a Troika (Nota: Duvido que alguns destes gandulos conseguissem pronunciar correctamente austeridade. Ou saibam o que é um memorando. Ou ainda que não confundam Troika com uma qualquer variante do ecstasy...).

Em segundo lugar, outro problema que me parece algo preocupante, tem que ver com o facto de no Reino Unido, sempre se ter entendido que as armas de fogo não era necessárias. Soube disto há poucos dias. Desconhecia por completo. Fiquei a pensar com os poucos botões que tenho nesta altura do ano, como será que um polícia inglês apanhará um larápio malvado. Assobia bem alto e grita com toda a força: "Mãos ao ar senhor ladrão! Fique quieto onde está, se fizer favor, enquanto vou ali ao carro buscar a vara de marmeleiro para "massajar" essas costas!". Basicamente, a autoridade policial britânica sempre afastou a possibilidade de dotar os seus efectivos com armas de fogo. Até agora.

Em terceiro lugar, urge entender e estudar o fenómeno da mobilização deste tipo de evento. A opinião pública foi rapidamente conduzida para um pensamento directo. A importância e poder que as redes sociais podem ter quando associadas a um terminal (telefone). Já para não falar da projecção que uma marca conhecida de telefones teve, à escala planetária, com estes infelizes episódios. Crê-se que a convocatória de tudo isto foi feito através de uma versão do messenger para essa marca de telefone.

Para terminar, as tenras idades com que são perpetradas muitas das pilhagens. Miúdos com 10, 11 anos, com máscaras (caras tapadas) que pilham / pilharam lojas. Agradou-me a intervenção do actual Primeiro-Ministro britânico, que avançou a ameaça (legítima) de que essas pessoas não são inimputáveis. Vai mais longe. Se têm idade para cometer estas ilegalidades, terão também de ter idade para "sentir o peso da Lei". Certamente que qualquer cidadão britânico se sentirá mais descansado em saber que um miúdo de 11 anos vai ficar os próximos 4 anos numa cela partilhada com algum violador compulsivo, passando a ser o seu peluche ou mascote. E terminará o liceu remotamente (tv escola).

Esperemos que termine tudo rápido. Para o bem de todos.

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1 comentário:

carla disse...

"Duvido que alguns destes gandulos conseguissem pronunciar correctamente austeridade. Ou saibam o que é um memorando. Ou ainda que não confundam Troika com uma qualquer variante do ecstasy...)"
Apesar do tema ser "deveras" preocupante não posso deixar de me rir...:)Eu diria mais que não conseguissem dividir a palavra silabicamente e classifica-la...:) Muy bien...Sempre fantásticos os textos!