sábado, agosto 20, 2011

Paixões Platónicas

Ninguém estranha que o escriba já tenha sofrido por amor. E muito, diga-se em abono da verdade. O sofrimento por amor, quando platónico, assemelha-se a um embate frontal com um comboio que segue a alta velocidade. Para facilitar a visualização, pense-se na velocidade "supersónica" do TGV tão acarinhado (e defendido até ao último minuto) por "alguém" que foi estudar Filosofia para Paris.  

A paixão platónica é como o próprio nome indica...isso mesmo. Não que seja uma paixão igual à do Platão. Nada disso. Trata-se de uma paixão casta. Isenta de lascívia.  Assenta em algo de carácter espiritual. E que na generalidade das vezes não é correspondida. Porquê? Simples..há o total desconhecimento por parte de um dos lados do que é sentido pelo outro. Ou pode também acontecer que seja conhecido, mas seja impossível a concretização do mesmo (e.g.: estado civil de uma das partes ou em casos extremados a não correspondência da atracção). Em qualquer uma das situações tem lugar a frustração daquele(a) que sente um amor imenso.

Encontro aqui a explicação para o tipo de sentimento que desenvolvi por algumas das minhas queridas Professoras do liceu. Homem que é "H"omem, teve uma fixação por uma Professora. Naturalmente que com 11 ou 12 anos não me aquecia por aí além a Professora Amélia da disciplina de Religião e Moral que já não tinha dentes seus. O efeito desta tão minha querida Professora em mim era o mesmo que derivava da contemplação de um saco plástico do Continente. A "experimentação" deste tipo de sensações aconteceu uns anos mais tarde. Objectivamente falando, com as Professores das disciplinas de Português (Directora de Turma) e de História. Em ambos os casos não tenho qualquer dúvida que havia ali "qualquer coisa". Talvez derivado do facto de ter sido anos a fio eleito como "Delegado de Turma". Era natural que houvesse um contacto mais frequente com os Professores. O que para mim, obviamente, era tido e interiorizado como um lógico interesse destas mulheres maduras, cerca de 20 anos mais velhas que eu. Ou seja, enquanto que para qualquer uma delas eu era "o-João-delegado-da-turma-Z", já para mim os cenários eram um "pouco" diferentes. Havia ali um interesse diferente e que na minha ingenuidade e início da adolescência tinham como explicação uma intensa e pecaminosa atracção.

Li algures há uns tempos atrás que estas paixões platónicas são aquelas que ficam. Muito por culpa da intensidade de sentimentos envolvidos. O "platonismo" das paixões passa muitas vezes pela admiração. Pelo desenvolvimento / crescimento de determinado tipo de sentimento que o que têm de genuíno têm de intenso. Finalmente, acredito que na esmagadora maioria deste tipo de paixões não haja conhecimento por parte do visado(a). Paixões secreta, portanto. O que não é necessariamente mau...Mas pode ser imensamente mau se não souber ser gerido!

Próximo Tema: Parque Expo

2 comentários:

carla disse...

Ai as paixões Platónicas... quem não as teve que ponha o dedo no ar:)

Moi même disse...

Pois é....
Paixão platónica é uma mistura de sentimentos bons e maus.
É uma mistura do belo,do essencial,do sentimento único aliado a uma sensação de impotência, de infelicidade de não ser correspondido.
Mas , já diziam os antigos, "o que tiver de ser... será"

Beijo doce