domingo, agosto 21, 2011

Parque Expo

O Parque Expo é uma daquelas "instituições" que me é muito querida. Demasiado querida. Não só pelo facto de ter tornado possível a requalificação de um espaço urbano que durante décadas foi depósito / cemitério de contentores, como da dotação das infra-estruturas necessárias para que pudesse ter lugar a "Expo 98".

Ninguém terá dúvida alguma de todo o trabalho que esta instituição desenvolve na manutenção de um espaço que, como referi anteriormente foi requalificado há mais de uma década. Aliás, "Parque Expo" nem sequer foi o nome primário. A primeira designação foi "Parque das Nações".

Esta instituição, ora com um nome ora com o outro (é irrelevante para o caso), surge numa altura em que Portugal "ganha" a realização da "Expo 98". Um fenómeno demasiado importante, que foi conhecido à escala internacional e com a consequente projecção mundial deste País na cauda da Europa. Afinal, desde o início que se promoveu esta Exposição a uma escala próxima da planetária. Fazia todo o sentido que um turista chinês abonado (a quem fosse possível suportar a viagem China - Lisboa) quisesse vir ver o Pavilhão dedicado ao seu país (de dia) e de noite fosse comer umas sardinhas assadas a uma das 1000 casas de fados existente no Bairro Alto ou Alfama. O mesmo para um qualquer cidadão residente num  país da África Equatorial. Ou da Índia. E por aí adiante.

Assim sendo, quem desde o início acompanhou este projecto sabe do que falo. À boa maneira portuguesa, a equipa de desenvolvimento do projecto foi constituída em "cima do acontecimento". Ou seja, 1 ano e pouco antes da concretização desta importante e visível exposição. O que teve como resultado alguns aspectos menos bons, em consequência dos prazos de tempo apertados. Afinal, não seria de bom tom por parte de Portugal, País anfitrião, solicitar às empresas que garantiam "aviões cheios de chineses" que esperassem mais duas semanas porque o Pavilhão da China ainda não estava pronto. Talvez não fosse bem acolhido. Digo eu.

O que interessa, e para esta reflexão, é que houve a constituição desta instituição e as coisas funcionaram. Mal ou bem, a Expo 98 abriu as portas a tempo e os visitantes não tiveram conhecimento que 90% das habitações nesta zona construídas têm problemas de infiltrações. Ou que em muitos casos de imóveis de 300.000 euros (valores mínimos) as paredes são de pladur. Parece anedota? Não é. A força das circunstâncias, a pressa de entregar as casas dentro do espaço determinado, conduziu a que alguns construtores civis menos escrupulosos tivessem utilizado materiais não aceitáveis em imóveis desta gama de valores. E a selecção dos construtores civis (e consequente fiscalização das obras em curso e concluídas) tem responsabilidades determinadas contratualmente. E que foram convenientemente esquecidas. Adiante.

Assim como foi criado o Parque Expo (ou foi dada continuidade ao "Parque das Nações") deveria ter sido repensado o seu modelo e moldes em que o mesmo assenta no presente momento. Afinal, garantir a manutenção da Expo (e objectivamente falando dos imóveis existentes, do oceanário, das zonas de restauração, da estação de comboio e metro e do Vasco da Gama) não carece de uma organização tão pesada. O António Costa "faz a festa" com muito menos e é Presidente da Câmara de um dos municípios mais populosos do País... 

Há poucos dias atrás foi noticiado o fim do Parque Expo. Não posso deixar de concordar. Não faz sentido que, à semelhança de tantos outros projectos que há em Portugal, se mantenham estruturas organizacionais pesadas, com um avultado capital humano afecto e capital monetário necessariamente investido. É um pouco aquilo que as algumas Seguradoras automóveis optam por fazer...esquecendo-se de actualizar o valor do prémio do seguro em função da idade do carro. Não raro, descobre-se que se paga o mesmo valor de prémio do seguro de um carro com 10 anos e de quando o mesmo era novo... Ver se pega. É um pouco o que aconteceu com o "Parque Expo". A Administração foi vendo se pegava. Pegou com dois mandados do ex-Governo. Não pegou agora. Acabe-se com a instituição Parque Expo.

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