quinta-feira, agosto 18, 2011

Preconceito

Tenho o hábito de dizer que acredito que a generalidade dos portugueses que afirma que não tem preconceitos mente. Com os poucos dentes verdadeiros que ainda restarão, em alguns casos. Não há grande novidade neste assunto. A côr da pele, o relacionamento entre pessoas com uma grande diferença de idades, o relacionamento entre pessoas de diferentes estratos sociais, o pertencer a uma minoria étnica, a assumpção da condição de seropositividade, entre outras, constituem factores de descriminação e naturalmente objecto de justificação para os preconceituosos.
O preconceito é uma questão social. Em alguns casos demasiado "intrincado" na forma de pensar dos portugueses. Sendo o ser humano tipicamente "adverso à mudança", o questão do preconceito perpetua-se confortavelmente através das várias gerações e dificilmente é alterado. Ok, a menos que por algum motivo alheio à ordem natural das coisas (leia-se lançamento da 2ª Bomba de Hiroshima) uma família inteira seja dizimada...Aí torna-se difícil passar a palavra para as gerações vindouras..Ou seja, torna-se mais fácil ser preconceituoso e não "fazer ondas" do que não ser preconceituoso e "comprar guerras". E alguns casos fracturantes.

No caso de Portugal, e na minha opinião, há uma justificação para alguns dos preconceitos que referi acima. Não se pode alhear do facto de Portugal ter vivido 4 décadas de uma política hermética, caracterizada por uma mentalidade trabalhada no sentido da exclusão social e imediata daqueles que divergiam de um modelo "socialmente aceite". Em paralelo, a incontornável e sempre presente ocupação das ex-colónias, onde os portugueses foram "patrões" desde a colonização iniciada desde tempos que remontam aos Descobrimentos Portugueses. E onde foram sendo adoptadas formas de estar consensualmente aceites na altura.
Concluída que foi a má descolonização, e "alavancada" por uma democratização da vontade popular, constatam-se que alguns preconceitos perduraram ao longo dos tempos. Volvidos que são mais de 30 anos após a revolução que conduziu à "liberdade de expressão" que é possível hoje,  e a uma expectável alteração dos hábitos e formas de estar, é ainda tornado possível perceber que há momentos em que o preconceito emerge com uma assustadora facilidade. Basta pensar a quem é associada de imediato a responsabilidade da elevada e expressiva taxa de criminalidade patente em Portugal. Ou interiorizar que só no ano passado as Forças Armadas "desblindaram" a sua forma de pensar característica e aceitaram integrar nos seus quadros militares com uma assumida orientação sexual homossexual. Ou porque não digerir que os relacionamentos entre pessoas com uma grande diferença de idades não é usualmente "abençoado" pela família de uma das partes. Já para não referir o triste exemplo da segregação imediata e da quase impiedosa humilhação a que um(a) contaminado(a) com o vírus HIV se sujeito(a) se e quando partilhar a sua doença com alguém que lhe é mais próximo ou mesmo no empregador. 

Desconfio que a gradual mudança de mentalidades nas camadas mais jovens (tipicamente mais permissivas / tolerantes) possa vir a influenciar a forma de pensar dos progenitores (e avós). Reservo-me contudo ao direito de manter as minhas reservas se a mesma será bem sucedida. A seu tempo poderei perceber.

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