segunda-feira, agosto 29, 2011

Pulseira electrónica

A pulseira electrónica é, na minha humilde opinião, uma das melhores invenções do século passado. Aliás, confesso que não entendo muito bem como não foi a mesma submetida a referendo, à semelhança de tantos outros assuntos indubitavelmente actuais e importantes.

Os números falam por si. Segundo a edição de ontem de um jornal diário, estão activas no presente momento cerca de 582 pulseiras electrónicas. O jornalista conseguiu ir mais longe e descobriu que o custo diário associado a um recluso que use uma pulseira electrónica tem um valor de 17,20 € /dia,  contra um custo médio de um prisioneiro que viva na cadeia (e por dia) de 50 €. Assim sendo, e como primeira conclusão, é possível ao Estado uma poupança de 32,80 € /dia. Mas continuemos a entusiasmante análise dos números. Cerca de 582 reclusos são no presente momento vigiados electronicamente. Significa isto que o escriba, à semelhança dos leitor(a) que lê esta reflexão, está obrigado a uma contribuição (através do expectável e desejável pagamento dos seus impostos) que possibilite o custeio de cerca de 10.000 € / dia / recluso (vigiados através da pulseira). Chocados? Ainda não é tudo. As "boas notícias" é que a população prisional ascende no presente a um bonito e redondo valor de cerca de 11.921 reclusos. E foi aqui que me dediquei a fazer algumas contas simples. Com recurso à minha simples e obsoleta máquina calculadora, obtive um simpático e agradável custo de 596.050 € / dia / recluso (os que vivem na cadeia). Para se ter uma ideia da grandeza, o custo da população prisional que vive nas cadeias é praticamente 60 vezes superior ao custo dos presos vigiados electronicamente com recurso à pulseira.

Finda que está esta primeira e expressiva abordagem através dos números, oferecem-se-me fazer alguns comentários. No final do tão importante artigo é avançado que 7 em cada 100 reclusos vigiados electronicamente infringe as regras. Mas que ainda assim não será um valor preocupante na medida em que a média europeia ronda os 12 em cada 100 reclusos. Por outras palavras, podem até acontecer reincidências de roubos violentos bombas de gasolina, com coacção por armas de fogo, sequestro e agressão física aos funcionário / Clientes, que não há motivo de preocupação. Sinceramente, fico muito mais descansado. Afinal serão eventos com os quais não devo perder o sono nem ficar alarmado. O valor percentual dos nossos infractores está  abaixo da média europeia.

A segunda abordagem e que não é focada no artigo, é a questão da quantidade de reclusos que habita nos "hotéis". Peço desculpa, nas prisões. No anel imediatamente circundante à bonita e prazerosa cidade de Lisboa, é possível passar uma noite num desses hotéis de estrada por uma quantia inferior à diária de um recluso que vive na cadeia. Dá-me que pensar. Ou os reclusos vivem bem demais, ou estas cadeias de hospedagem são muito más e sacrificam as margens de lucro em detrimento de taxas de ocupação expressivas em tempo de crise. A questão é que conheço relativamente bem estas cadeias de hotéis de estrada. O custo é justo, são confortáveis sem ser excentricamente luxuosas, e também não são os curros dos touros de Barrancos. Ou seja, parece-me que há "alguém" que vive bem demais. E é sempre o mesmo quem custeia estas estadias. Infelizmente. Reclusos que por algum motivo estão detidos, em alguns casos homicidas de famílias inteiras, violadores, criminosos, traficantes, anda tudo a viver à custa de quem tenta fazer frente com honradez e verticalidade a uma crise económica sem precedentes. Ainda que por vezes seja muito difícil e obrigue a cedências e sacrifícios.

Para terminar, uma ilacção que está implícita nesta peça jornalística e que deveria ter sido mais enfatizada É expectável que aumente a população prisional. Porquê? Em consequência da crise económica que se vive actualmente. O pior está para vir. E não tenho dúvidas que a criminalidade e infracções à Lei serão uma constante.Com consequências óbvias.

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