sábado, agosto 13, 2011

Sacerdócio no Feminino

Tive uma educação marcadamente religiosa. Desde pequeno que eu e o meu irmão acompanhávamos a minha Mãe no preceito semanal (ou missa vespertina ao Sábado ou ao Domingo). Outras ocasiões especiais eram a Missa da Vigília Pascal e Missa do Galo. Pelo meio uma série de celebrações religiosas nesta secular e importante Instituição que é a Igreja.

Mal sabia dizer o meu nome já me ocupava o lugar à direita da Mãe nos bancos corridos das Igrejas. O meu irmão do lado esquerdo. Sempre foi assim. Não podíamos ficar os dois juntos porque já se sabia que ía dar risota (eu fazia sempre palhaçadas e dizia segredos ao ouvido do meu irmão gozando com alguém). Quando me ensaiava a fazer algo, levava um beliscão da Mãe que até via as estrelas todas do céu! Ou quando me desatava a rir porque alguém atrás de nós cantava como se não houvesse dia seguinte, ou porque a ladainha da reza era rápida demais (o que faz com que naturalmente terminasse algumas orações antes do Padre) ou mesmo porque alguém tinha adormecido e ressonava qual comboio que vai arrancar na pista 2 de Santa Apolónia.
Toda a minha vida religiosa me habituei a ver "o" sacerdote, "o" Senhor Padre, "o" Bispo, o "Frei", "o" Cardeal, "o" Papa, "o" Monsenhor...e por aí adiante (entretanto acho que consegui dizer todas as ordenações possíveis...não deve haver muitas mais!!). Quero com isto dizer que está intimamente interiorizado para mim o género masculino para os digníssimos representante desta maravilhosa Instituição que é a minha querida Igreja. E aqui começa a minha reflexão do dia de hoje.

Para começar, confesso que o meu limitado e pobre cérebro não encontra (nem aceita) o género feminino para qualquer uma das ordenações que refiro acima. Aliás, alerta-me de imediato para a grande probabilidade de roçar o ridículo. Mas não é da semântica que versa a reflexão de hoje. É mesmo da minha opinião relativamente ao face do sexo feminino ter lugar no sacerdócio. Ou não.

Já ouvi algures (deve ter sido na televisão) que há mulheres que concelebram a Eucaristia. Sinceramente, e permitam-me o desabafo, faz-me confusão. Se têm tanto direito a concelebrar como o Homem tem? Certamente que sim. Mas não deixa de me parecer algo estranho e atípico. Da mesma forma que não conseguirei passar os meus habituais 3/4 de hora a confessar os meus pecados a uma "Senhora". Não consigo. Entre mim e o meu querido e estimado representante de Deus, naquele momento da confissão, é estreitada uma relação única de confidência e partilha da minha lista de pecados. Não sei se seria capaz de falar com uma representante de Deus. Não que exista algo contra. Nem tampouco sexismo. Não consigo. Foge ao meu conceito de normalidade!

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