domingo, agosto 07, 2011

Trabalhar Fora

Conheço várias pessoas que trabalham fora de Portugal. É cada vez maior o número de pessoas que realiza que viver em Portugal é sinónimo de muito em breve ter de passar por algumas dificuldades.

Percebe-se no presente momento a uma clara "contracção" do tecido económico português que deriva directamente de uma acentuada e grave crise económica que neste momento assola o nosso Portugal. E que veio para ficar. Em consequência, aquele grupo de pessoas que se iniciou nas lides do mundo do trabalho há cerca de uma década e "uns trocados", e que obviamente ainda tem bons "costados" para "alancar", acaba por "abraçar" novos desafios. Nomeadamente o de trabalhar fora durante uns tempos.

Trabalhar fora tem que se lhe diga. Para começar, é importante que seja muito bem estudada a proposta recebida. As condições de remuneração, o alojamento, o transporte e tantos outros detalhes que normalmente fazem parte do pack proposto. Contudo, e na minha perspectiva simplista, é também importante avaliar o que se perde ou se deixa cá. Família, amigos, conforto, segurança. E para isto não há dinheiro que chegue ou pague.

Também não deixa de ser irónico que os portugueses tenham como grande fito neste momento o ir trabalhar para África. Para aqueles países com quem....houve guerra. Baixas a lamentar de ambas as partes. Mas o dinheiro consegue falar mais alto. E almejando uma choruda conta bancária, com mais 3 ou 4 zeros, optam por oferecer os seus préstimos ou aceitar o convite de empresas africanas. Ainda que para isso tenham de ser sacrificados toda uma série de aspectos como aqueles que referi anteriormente. Quem diz África diz outros países da chamada "economia emergente".

Graficamente, acho que a situação económica portuguesa possa ser representada por uma parábola. Ramo descendente, concavidade e ramo ascendente. Neste momento, e na minha percepção ridiculamente linear da actual situação económica do País, estou capaz de apostar 2 euros com alguém em como estamos no tal ramo descendente da parábola. E na loucura aposto mais 1 euro em como falta ainda um pouco mais para ser atingida a concavidade da parábola que, no meu entender espelhará o pior momento da economia portuguesa. Só depois desta fase terá início a retoma económica e consequentemente a melhoria da qualidade de vida dos portugueses. Estamos a falar de uma distância temporal não inferior a 10 anos. Pelo meio veremos se não vamos ter de sair do "euro" e voltar a usar as notas da "Dona Maria II". É uma realidade cada vez mais presente e quer-me parecer que vamos ser "obrigados" a caminhar nesse sentido. Esperemos que não...

Cientes desta realidade actual e que será uma constante durante os próximos tempos, algumas pessoas começam a procurar a sorte e buscam melhores condições de vida fora de Portugal. Acho óptimo e só evidencia coragem, vontade de mudança e busca da tal melhor condição de vida. 

No que me toca, talvez não seja uma ideia tão distante quanto isso, como era há uns anos atrás, mas não é algo que seja realizável / realizável / exequível num futuro próximo. Mais lá para a frente...quem sabe. Mas custa-me bastante deixar o meu Portugal. A sair, teria de ser com condições muito boas. O que não é difícil de encontrar. É preciso é ter vontade de sair!

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