sexta-feira, setembro 30, 2011

Regalias Sociais

Li há uns dias um artigo sobre regalias sociais em vigor em algumas empresas estatais.  Sendo o mais sincero possível, a sensação que me deu, foi que há efectivamente (e em tempo de crise, como a que se vive actualmente), regalias sociais em vigor em empresas do Estado e que são pagas com dinheiros públicos. Sendo que não consegui perceber uma data para que acabem estas benesses.

Esta realidade preocupa-me um grande bocado. Afinal, enquanto se pedem cada vez mais sacrifícios aos portugueses, por outro lado constata-se uma série de regalias adquiridas por outros tantos (funcionários dessas empresas maravilhosas, que por sinal até dão mostras de ter um prejuízo...vá-se lá saber porquê). Esta realidade das regalias parece-me algo descontextualizada nos dias que correm. Falo por exemplo das viagens gratuitas para os trabalhadores de algumas empresas, das reformas em valor igual ao último vencimento (quando as medidas que fazem parte do pacote da austeridade acordado com a Troika sugerem a adopção de medidas que contrariam esta realidade), sistemas de saúde autónomos e comparticipados na sua quase totalidade, entre outras situações. 

Discordo em absoluto que estas benesses prevaleçam no presente. Os bons exemplos devem vir de cima, e veria com bons olhos que os mesmos sacrifícios fossem partilhados por todos os portugueses, numa altura em que, como já referi, todos os dias são pedidos mais sacrifícios. Isto para evitar que apenas um grupo seja sacrificado. Também o outro deverá sê-lo é...mas não o é. Tem uma série de regalias que tornam a sua vida mais confortável e menos espartana nos dias que correm. 

Infelizmente, os sucessivos Governos assim não percebem (ou não querem perceber) este tipo de detalhes. Até porque são parte interessada!

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quinta-feira, setembro 29, 2011

Fazer as Malas

Fazer as malas nunca constituiu para mim motivo de stress ou de ansiedade. Desde que me recordo, e já lá vão uns bons anos em que faço as malas sozinho, nunca "perdi o sono" a pensar no que falta colocar na mala ou simplesmente se a levo...

Como em tudo o que acontece comigo, também aqui se obedece a uma religiosa organização. Não deixo para o último minuto a consecução desta tarefa. Tenho de perceber algum tempo antes, um ou dois dias, o que vou levar, o tipo de evento que poderá acontecer e claro, estar preparado para algumas surpresas, como sejam "medalhas" de molho ou uma qualquer outra nódoa inesperada. Posto isto, não há ciência nenhuma em organizar um monte de roupa, deixar os sapatos por perto, validar se tenho tudo no necessaire (incluindo pasta de dentes, máquina e espuma de barbear - até porque já me aconteceu levar escova de dentes e não levar a pasta e vice-versa) e no dia da viagem, colocar tudo dentro do saco ou mala, cumprindo o meu check-list mental.

Faz-me alguma confusão como é que as pessoas não são práticas nesta matéria. Já tive oportunidade de viajar várias vezes com outras pessoas, ao longo dos anos. O sentimento que tenho é que se complica em demasia o que é tipicamente simples. Aquele juízo usualmente faço, no sentido de (mais uma vez) garantir que não "sinto"  a 3ª Lei de Murphy, é  levado muito a peito por algumas pessoas. Assim sendo, onde eu levo uma camisa a mais para um qualquer azar que possa ter lugar...não raro levam 3. Onde eu cometo o pequeno luxo de levar um par de sapatos mais confortável e um par de botas, levam 2 pares de sapatos mais confortáveis (para demonstrar variedade), e por aí adiante!

Haja paciência...e tempo para esta simples tarefa...

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quarta-feira, setembro 28, 2011

Ou vai ou racha...

Uma tirada comum do nosso povo. Por outras palavras, ou vai a bem, ou vai a mal! Mas vai!!

Sou o exemplo vivo da pessoa a quem já aconteceu tudo. Tudo é tudo..donde, é normal que com algum esforço consiga encontrar exemplos que reflictam tiradas populares como a de hoje. E consigo fazer isto com uma facilidade assustadora, o que per se evidencia quão rica é a minha experiência de vida.

Julgo já aqui ter referido que comecei a minha vida profissional como mecânico de aviões. Já lá vão quase 20 anos. No início dessa promissora e bem paga carreira de mecânico de aeronaves (que entretanto optei por interromper para tirar uma licenciatura em engenharia - com profissionais tipicamente mal pagos), era usual trabalhar-se com um elemento da equipa com mais experiência. Assim, a experiência de um poderia ser apreendida pelo outro. E assim foi durante uns largos meses. Pontualmente, havia também trabalho oficinal no qual podia haver necessidade de serem manufacturadas peças ou executados pequenos trabalhos / reparações, mas sempre supervisionados por colegas mais antigos / chefe de equipa.

Lembro-me como se tivesse acontecido ontem de uma reparação específica. Estava com um colega mais velho (por sinal com quem tinha muitas conversas sobre legislação laboral, patronato, sindicatos, etc.) e foi-nos atribuída uma reparação na soleira da porta de uma aeronave. Quem conhece pessoas ligadas à aviação (ou trabalha neste meio) sabe que o tempo é um factor essencial para que haja facturação de uma empresa. Os vôos são vendidos pelos Departamentos Comerciais à velocidade com que são conhecidos os buracos financeiros cá em Portugal, e como tal, é importante que não ocorram atrasos. Ou seja, há uma grande pressão depositada em quem trabalha no avião para que os trabalhos não atrasem e os aviões possam sair à tabela. Avião que sai à tabela é sinónimo de Cliente satisfeito. Cliente satisfeito volta no futuro.

Em paralelo, também é fácil de imaginar que há muitas mais pessoas a trabalhar num avião. É normal. Era bom ter-se o avião sem mais ninguém, mas a probabilidade de isso acontecer é a mesma da Grécia não ser "convidada a sair" da Comunidade Europeia pelo incumprimento continuado das medidas preconizadas nos sucessivos planos de austeridade. Donde, é necessária uma enorme coordenação de trabalhos e tentar ao máximo não interferir com a realização das tarefas de outras pessoas.

A questão logística é outro aspecto importante. O trabalho em hangar (a "garagem" dos aviões) é tipicamente movimentado. Chegam a estar 3 e 4 grandes aviões no mesmo espaço físico e, por vezes não há escadas (para permitir o acesso a partir do solo ao interior do avião) suficientes para colocação em cada uma das portas do avião. Recordo-me bem de ter sido este o caso. Naquele dia da reparação, não havia escadas suficientes. Era um dia agitado, com uma grande azáfama e "casa cheia". Tudo isto para dizer que só havia uma escada, e toda a gente que estava a trabalhar naquele avião tinha de passar precisamente pela tal soleira da porta que tinha de ser reparada por mim e pelo meu colega.

Simplificando a situação, o trabalho consistia em "descravar" a soleira, reparar a zona em causa, e aplicar uma soleira nova. E aqui começa verdadeiramente a minha história.

Praticamente 90% da estrutura do avião é rebitada. Rebite, por definição, é um elemento de ligação que une duas superfícies. Na aviação, aquela parte exterior da aeronave que se vê, o "charuto", é toda rebitada. Tipicamente, os rebites são cravados com recurso a um homem da parte de fora do avião com um martelo pneumático e que crava o rebite em determinada zona, outro homem da parte de dentro do avião com um "ferro", que não é mais que um objecto pesado de ferro, para permitir o esmagamento do rebite e consequente união das duas superfícies. Há vários tipos de rebites. Para se ter uma ideia, há alguns que têm de ser conservados no congelador pelo facto de serem pouco dúcteis e sendo que a única forma de os cravar é precisamente essa, recorrendo ao frio. Outros há que pela sua especificidade de aplicação assumem formas diferentes, têm um "colar" que é partido após estarem cravados.

No caso da tal reparação da soleira, a fixação era conseguida através deste último tipo de rebite. Dos que têm "colares". A reparação correu toda na perfeição. Importa dizer que houve vários momentos em que não me contive e tive de parar de trabalhar desatando a rir à gargalhada, porque tinha tirado à sorte com o meu colega e o mesmo ficou com a parte do trabalho mais ingrata - enfiar a mão na parte interior da estrutura, para amparar os rebites a serem cravados. Calhou bem porque o meu colega tinha a mão mais pequena foi mais fácil. 

É claro que para ter acesso à tal zona interior da soleira da porta o meu colega tinha de estar deitado na plataforma da escada de acesso. E é claro que para o ajudar eu próprio tinha de estar deitado. Mas em cima dele - daí as minhas gargalhadas, e também porque o ouvi falar de toda a família do chefe de equipa. Desde a avó do mesmo até à...da prima. Acredito que tenha ganho algum vocabulário novo em termos de vernáculo. Num meio frequentado maioritariamente por homens, imagina-se facilmente o tipo de comentários que eram ouvidos por aqueles que por nós tinham de passar para ir trabalhar para dentro do avião.

Já quase finalizado o trabalho, faltava partir o "colar" de dois rebites. Naquele momento não tinha a minha caixa de ferramenta por perto e pedi ao meu colega que me emprestasse a sua ferramenta (entenda-se o alicate que tinha desde a sua entrada para a empresa - havia uns 25 anos) para "partir os colares" dos rebites. Tirou o mesmo da sua caixa de ferramentas, deitou-se de novo na plataforma e enfiou a mão no interior do avião. Já eu, depois de me parar de rir à gargalhada (aí pela 349ª vez), deitei-me em cima do meu colega e com o alicate dele não sem antes ouvir uns assobios da rapaziada que estava por perto.

Bem sei que o material tem sempre razão. Mas houve um colar que me deu mais luta. E terei porventura feito mais força. Consegui portanto partir o colar...e o alicate do meu colega. Não estava a ir...acabou por ir e...não por rachar, mas sim partido. É claro que me desatei a rir. Entreguei-lhe os dois pedaços que restavam do alicate de estimação perante o olhar incrédulo dele. Claro que percebeu que não tinha feito aquilo de propósito, mas desde esse momento, sempre que me apertava a mão referia essa história. Talvez com medo que lhe partisse os dedos!!

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terça-feira, setembro 27, 2011

Expatriados

São cada vez mais os portugueses expatriados por esse mundo fora. A busca de melhores condições (e qualidade) de vida faz com que se assista a um fenómeno migratório similar aquele que teve lugar há várias décadas atrás.

Desta feita, é usual nos mais variados cantos do mundo ouvir-se falar a língua de Camões. O que, para quem já viveu fora do País durante umas temporadas sabe o que significa. Conforto. Saber que está ali alguém que, independentemente de ser de Celorico da Beira ou de Tavira sabe o que quer dizer um bitoque. Ou um prato de moelas. Ou pataniscas de bacalhau com arroz de feijão. Por aí adiante (já estou a ficar aguado).

Outra forma de expatriação com considerável expressão (e tendencialmente superior) tem que ver com a expatriação dos presos estrangeiros. A cama e roupa lavada, televisão, ginásio e comida à borla, só mesmo para os presos portugueses. Os presos estrangeiros que vão procurar as mesmas condições....na sua terra.

Cada vez será maior o número de expatriados...alguma coisa quererá dizer. E quem de direito deveria fazer algo que travasse este êxodo de pessoas para o estrangeiro.

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segunda-feira, setembro 26, 2011

Insulares

Começo o texto de hoje informando que nada tenho contra os insulares. Muito pelo contrário. Contudo, com esta mais recente polémica que deflagrou num dos arquipélagos, foram alguns os pensamentos que me "assaltaram" nos últimos dias. São esses pensamentos que me proponho a partilhar.

Um dos primeiros pensamentos tem que ver com a falta de coerência. Tentarei explicar melhor. Se um filho em  crise existencial (e.g.: idade do armário) se zanga com os progenitores e decide sair de casa, não irá ficar à espera que o papá continue a "bancar" a semanada. Isto se tiver um pinga de orgulho, naturalmente. É um pouco aquilo que acontece com um dos arquipélagos. Durante anos lutaram pela autonomia e desvinculação das políticas governamentais seguidas pelo continente. Adoptaram as suas linhas governativas...peculiares, tendo um registo caracterizado pelas "farpas" continuamente lançadas ao continente e aos sucessivos governos no poder. O que é certo é que "iam conseguindo levar a água ao moinho" e o que lhes interessava. Um quinhão cada vez maior e contemplado nos vários  Orçamentos de Estado (OE). E era invariavelmente na discussão do OE que as críticas contra o continente amainavam. Para depois continuarem quando eram satisfeitas as vontades.

Um segundo pensamento tem que ver com o registo do responsável pelo governo regional de um dos  arquipélagos. Truculento. Peculiar. Crítico corrosivo. Por uns amado, por outros odiado. Sem reunir consenso. O que é certo é que se mantém à frente dos desígnios do arquipélago há mais de três décadas. Mas também é importante verificar o mais recente e claro transformismo em consequência do descalabro das contas regionais. Os discursos incendiários deram lugar a discursos serenos e desapareceu a tal tónica corrosiva. Faz algum sentido. A crise que se vive neste arquipélago é consequência da ingerência ao longo das décadas de governação do partido que está no poder. E qual miúdo que faz a asneira e é descoberto, fará sentido que agora, e pacientemente, se aguarde o castigo. A ver vamos se haverá.

O terceiro pensamento, e perdoar-me-ão os habitantes dos arquipélagos, tem que ver com economia. Ao nível nacional. Para mim, que moro em Lisboa, tenho obrigação de pagar portagem sempre que regresso de Porto Brandão depois de comer um arroz de marisco. Os insulares não sabem o que é um portageiro. A taxa normal do iva no continente era, até há meses era de 23%. Nos arquipélagos a mesma taxa do iva é de 16%. Estes são alguns exemplos, entre vários que aqui podiam ser avançados, e que na minha humilde opinião, reflectem algumas benesses que os continentais não têm acesso. É claro que isto consubstancia uma situação injusta entre portugueses e um claro incremento da qualidade de vida para quem mora nos arquipélagos.

O quarto e último pensamento toma-me mais tempo. Questiono-me quem irá pagar o recentemente descoberto buraco financeiro de um dos arquipélagos. É sabido que os insulares não têm dinheiro. Mas não tem problema algum. Pagam os continentais, até porque estão muito abonados na actual conjuntura. Aqueles que moram no continente e de quem os arquipélagos quiserem independência.

Já há muito tempo que defendo que os políticos, enquanto eleitos democraticamente e enquanto gestores de dinheiros públicos devem ser responsabilizados criminalmente. É importante que a responsabilização (a ter lugar) seja exemplar. O que se constata é que quem legisla está de alguma forma conotado(a) com o partido do Governo. Como tal....não interessa legislar em matérias sensíveis...e que a jusante podem jogar contra os próprios. 

Com toda a serenidade e tranquilidade que o momento sugere, o País afunda-se...

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domingo, setembro 25, 2011

Metamorfose

Associo à palavra metamorfose a transformação. A mudança. A alteração de características de algo.

Ninguém terá dúvidas que o presente momento configura um excelente exemplo de metamorfose, de mudança ou de transformação. A crise económica, com uma tendência para ficar ainda mais severa, vem catalisar o processo de metamorfose, começando pela alteração dos hábitos e culminando na desejável consciencialização individual acerca do "onde estamos e para onde vamos".

Refiro-me a uma contínua e longa metamorfose. Não consegui ainda perceber onde irá culminar. Assist-se ao iminente colapso de uma das economias europeias em paralelo com a adopção de uma série de medidas de austeridade que não estão a ser bem recebidas pela sociedade. Falo, claro está, da situação da Grécia. No caso da Comunidade Europeia (CE) deixar de apoiar a Grécia, e fôr este país "convidado" a abandonar este grupo, o futuro em Portugal não será fácil. Nada mesmo. E a tendência é verificar-se este realidade. 

Como que "misericordiosamente"  a CE tem vindo a ajudar este país, nos últimos meses, sem que haja ou se constate uma resposta forte e comprometida por parte desta economia. E isso não é bom. Esgotam-se as oportunidades e a paciência de quem "abre os cordões à bolsa".

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Quando o Cliente se atrasa...

...é preciso ter calma (já versa a letra de uma música portuguesa conhecida). Para quem conhece os meandros empresariais, conhece que há duas formas de estar num contrato: ou enquanto Fornecedor ou enquanto Cliente. Frequentemente estou ora num lado ora no outro. Contudo, é enquanto prestador de serviços (Fornecedor) que as coisas configuram situações mais delicadas para mim, e verdadeiros testes à minha paciência e sanidade mental.

Há pouco tempo tive de acompanhar duas inspecções a duas aeronaves efectuadas por um Cliente (equipa de dois técnicos). Em função da disponibilidade das aeronaves, uma das visitas foi programada para o horário diurno (matinal - e ainda assim tive de alterar o horário para mais tarde, porque os dois técnicos entenderam no próprio dia da inspecção matinal que a hora marcada era muito cedo) e outra inspecção para o horário nocturno, momento em que estariam reunidas as condições adequadas para a segunda inspecção. Importa nesta altura informar que os técnicos ficaram hospedados num hotel a cerca de 5 minutos do aeroporto onde teriam lugar as duas inspecções. 

A visita da parte da manhã realizou-se tranquilamente. Em virtude da outra inspecção só se realizar muito mais tarde, aquando da disponibilidade da segunda aeronave, ingenuamente pensei para comigo que o meio de transporte escolhido pelos técnicos entre hotel e aeroporto fosse o usual e clássico táxi (como aliás tinha sido seleccionado no período da manhã). Enganei-me redondamente. Sem conhecer bem a cidade de Lisboa, entenderam alugar um carro. Com GPS, pois claro, julgando que este artefacto electrónico e mágico, miraculosamente os levasse ao destino quando necessário, ou seja, de noite, e para o aeroporto. Isto sem se terem preocupado em fazer reconhecimento de terreno. Durante a tarde (e no intervalo de tempo entre a tal inspecção matinal a uma das aeronaves e a disponibilidade da outra aeronave), os dois camaradas ficaram com toda a certeza a conhecer mais spots turísticos na região da Grande Lisboa que eu próprio. Adiante...

É sabido que trabalho nocturno é sempre cansativo. Mais cansativo se torna quando se começa bem cedo o dia. Que é usualmente o meu caso. Neste dia em concreto, e com receio dos "deslizes", dos atrasos, enfim, dos imponderáveis, esforcei-me ainda mais para que tudo corresse bem. Coordenei esforços com outras equipas de outros departamentos, apelando à disponibilidade das mesmas e consegui erguer um verdadeiro trabalho de equipa do meu lado. O mesmo não posso dizer do lado dos técnicos. Abreviando a história, a inspecção do horário nocturno começou com duas horas e meia de atraso. Sem um telefonema a avisar. Com os telefones de ambos os técnicos desligados . Com mentiras pelo meio, o que só me podia deixar verdadeiramente possesso. Uma coisa é um atraso. Já de si mau e denunciador de falta de carácter e verticalidade. Mas com mentiras e esquemas pelo meio, piora muito a "fotografia".

Com este tão grande atraso, consegui que os ânimos se exaltassem um pouco, embora de forma comedida, e um turno "queimasse" as horas de trabalho e tivesse de ficar (já em horas extraordinárias) à espera dos ilustres. Acabaram por me ligar quando lhes apeteceu. Afinal tinham-se perdido. E a polícia devem tê-los interceptado na medida em que a dada altura falei ao telefone com um agente. Para despachar tudo, fui buscá-los onde estavam e resolvi o problema.

Moral da história...nem um pedido de desculpa, donde, infiro que mais tempo quisessem passear, mais tempo eu teria de ficar à espera. Nem uma justificação para as quase três horas de atraso. Haja boa educação! Por ser o Cliente...consegui contar até 298.000. De trás para a frente e de frente para trás. E correu tudo bem. Felizmente para mim e felizmente para eles! 

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sexta-feira, setembro 23, 2011

Adiamentos

Se há coisa que me irrita são as pessoas que constantemente adiam algo. Não falo naturalmente dos adiamentos que acontecem em consequência de algo inadiável e conscientemente priorizado. Falo dos adiamentos que têm lugar em consequência de preguiça, de receios infundados ou mesmo sem justificação aparente - sendo que estes últimos têm a particularidade de me tirar do sério.

Um dos (entre vários) adiamentos que pedi, consciente e programado foi o do serviço militar obrigatório. Ainda sou desse tempo. Na altura era necessário ir ali ao Quartel de Ajuda passar um dia, para gáudio dos "magalas" que por lá trabalhavam. Aliás, não tenho dúvida que era nestes memoráveis momentos da inspecção militar, com "mancebos" oriundos de vários pontos do País e com as mais díspares habilitações literárias, que lhes era possível exorcizar os fantasmas e os recalcamentos inerentes a alguém que fez da sua mulher / namorada a "caserna". Ou mesmo problemas pessoais profundos. Só assim entendo que todos andassem de um lado para o outro, qual baratas tontas e sempre aos berros. É claro que na altura, com o papelinho comprovativo da frequência universitária, as coisas mudavam de figura.Nos últimos anos, dia do adiamento passou a ser um "pró-forma" para nunca mais se pensar em tropa. Até porque (e na minha opinião erradamente) deixou de ser obrigatório o cumprimento do serviço militar.

Há dezenas de exemplos que poderiam ser dados. Admito que a mentalidade portuguesa é muito atreita aos adiamentos. As pessoas gostam de adiar, pensando que têm tempo de sobra para fazer as coisas. Não planeiam em avanço. Não definem metas temporais específicas. E por vezes, esta falta de planeamento, associada aos adiamentos têm preços altos associados. Como por exemplo, o não cumprimento dos objectivos propostos e derivado de tais inconsequentes adiamentos. Dá que pensar.

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quinta-feira, setembro 22, 2011

Pacote de Leite

Uma conhecida marca de leite, que desde sempre se gastou cá em casa, mudou recentemente o formato do pacote de leite.  Este acontecimento não seria de relevo, não fosse a mudança reflectida na minha vida. Eu explico.

Nos clássicos pacotes de leite de há 500 anos, era necessário descolar um dos "bicos" laterais, desdobrá-lo, levantá-lo e cortar a  "ponta" (curiosa a sugestiva combinação de palavras...adiante). Assim foi durante uns 300 anos. De há 200 anos para cá, e numa altura em que havia dinheiro  a rodos e não se olhava aos custos de produção, introduziram-se alterações nos pacote de leite. Deixou se ser necessário partir uma unha a descolar um dos "bicos" do pacote. Introduziu-se o fecho do pacote recorrendo a uma tira de papel de alumínio e uma pequena tampa plástica. E aqui começa a minha odisseia.

Se abrir a tal pequena tampa plástica era mais fácil do que roubar um doce a um septuagenário distraído, já o mesmo não podia ser dito acerca da abertura da remoção da tal tira de papel de alumínio. Em milhões de pacotes de leite que abri até há meia dúzia de dias atrás, apenas em 3 ou 4 não me salpiquei de leite. E esses 3 ou 4 pacotes foram abertos de forma diferente. Como? Com pequenos furos nessa tira de papel de alumínio com a ponta de uma faca. E porque não fiz sempre assim? Porque sempre entendi que a tal tira de papel de alumínio deveria ser removida sendo "puxada". Para isso lá estava a mesma. E sempre que a tentei remover, salpiquei-me com pingos de leite. Já era normal.

Esta inglória e frustrante tarefa de abrir um pacote de leite "dos antigos", sem me salpicar com pingos de leite, parece-me ter os dias contados. O formato do pacote mudou. Talvez em consequência das queixas de pessoas como eu, que cheguei a ponderar ainda há bem poucos dias e depois de ter ficado com mais uns pingos de leite um pacote de leite sem me sujar.

Para terminar, gosto imenso do novo pacote de leite. Formato mais moderno, com abertura fácil. E já consegui abrir uns 10 pacotes sem me sujar. Extraordinário!

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quarta-feira, setembro 21, 2011

Ser Tio

Acabo de ser brindado com uma notícia que mudou o rumo da minha vida. Recebi um cartão, entregue pela minha cunhada há minutos, em que me eram comunicadas duas boas novas: que vou ser Tio, foi a primeira e que me fez agarrar à mesa da sala de jantar (local onde recebi o envelope onde estava o tal cartão). A segunda notícia foi que além de Tio vou ser Padrinho. Aqui tive de me sentar.

Naturalmente que já sabia da gravidez da minha cunhada. Contudo, tive de me manter de "bico calado" durante bastante tempo. Não estava autorizado a comentar com ninguém. Fiquei a saber que há uma crença popular que defende que a informação ao mundo inteiro da gravidez só deve ser feita após os 3 primeiros meses de gestação. O que, como se pode imaginar, fez com que tivesse de me controlar muito tempo e morder a língua umas 958 vezes desde que soube da gravidez até ao minuto em que soube que podia partilhar esta notícia.

Esta primeira ecografia aos 3 meses mostrou um feijão com 6cm. Não se sabe ainda o sexo (o médico sabe, mas a posição do menino ou menina não era a melhor, e como tal não quis arriscar). Antes que comecem a pensar o que preferiria eu que viesse, avanço já que me é totalmente indiferente. Quer seja um ou uma, o que interessa é que seja saudável e perfeito(a).

Naturalmente que são vários os pensamentos que já me ocupam a mente no sentido de proporcionar aprazíveis momentos a dois. Quer seja menina, quer seja menino. Por exemplo, passo a ter companhia para ir ver as minhas tão simpáticas exposições de carros. Ou par ir dar os passeios a pé com o Paco. Ou ir fazer um passeio todo-o-terreno. Entre tantos outros exemplos que podem (e devem) ser feitos entre Tio e sobrinho(a). Com a importância acrescida de no meu caso ser Padrinho. Um papel de responsabilidade acrescida como é sabido.

Resta-me esperar pelos 6 meses que estão em falta. E ir acompanhando a gravidez, interiorizada que está esta minha nova condição. Espero que o tempo passe depressa. Bem depressa!!

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terça-feira, setembro 20, 2011

Desnorte

Acho que já aqui desenvolvi algumas vezes este tema de hoje. Mas não tem mal. Ainda que com outras palavras, e eventualmente outro(s) estado(s) de espírito, confesso que este é um daqueles assuntos que nunca "sai de moda". Por outras palavras, há sempre alguém que conhecemos que precisa de uma ajuda, de apoio para retomar o caminho certo, o seu "norte".

O desnorte é mau. É alguém sentir-se perdido. Ou não se sentindo (quando toda uma série de indicadores que assim o sugerem) o caso ainda é mais grave. Tenho tido a felicidade de conhecer várias pessoas desnorteadas ao longo desta minha breve e humilde existência. Frequentemente entendo que a minha "missão", aqui no Planeta Terra, passa por ajudar alguém a ver determinada situação a partir de outra perspectiva. Parece conversa de "serrar presunto" mas é a realidade. A minha realidade.

Não tenho qualquer pretensão a ser beatificado. Contudo, entendo que não é por acaso que num determinado momento o destino cruza a minha humilde e despreocupada vida com a de algumas pessoas. Sim, algumas que lêem estas linhas neste momento. Como seria a vida se naquele dia, naquele minuto o destino não tivesse decidido cruzar os nossos caminhos? Não tenho dúvida que não seriam tão felizes como são por me conhecerem.

Será nestes "encontros" que tenho percebido que há muita gente que anda sem rumo há algum tempo. Que anda ao engano. Sem um sentido certo. Sem saber bem o que fazer. E terá sido com algumas destas pessoas que felizmente o destino cruzou os nossos caminhos. E em alguns casos esforço-me, da melhor forma que sei, a ajudar as tais pessoas encontrar o tal "norte".  E assim continuarei. Para sempre.

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Paranóias

As paranóias têm o dom de me deixar bem disposto. Bastante, diria mesmo. Anda por aí meio mundo com a paranóia que o mundo vai acabar depois de amanhã. "Ele" é a crise, "ele" é o buraco financeiro da Madeira, "ele" é a crise da Grécia que vai afectar Portugal e a Irlanda..entre outras tantos outros exemplos...Para quê? De que vale viver com estas paranóias na cabeça? De nada.

Passa-me tudo ao lado. Apenas e só lamento que tenha de ouvir e ler este tipo de dramatismo todos os dias, quando já sei de antemão que, como sempre, as coisas acabarão por se resolver. Da melhor forma e sem a tirar o sono a ninguém. Ou seja, sem culpabilizações, quer ao nível nacional, quer ao nível internacional. Por outro lado, e ainda mais engraçado, de há algum tempo a esta parte, constato que existe a chamada "paranóia fatalista". Advoga a mesma que o mundo vai acabar...e que vamos acabar todos em desgraça. Como é que é possível que haja alguém que perca tempo a pensar nestas coisas. E pior...que consiga que outras pessoas "comprem" este tipo de ideias fatalistas.

Parafraseando o saber popular, a única coisa que não tem solução é a morte. De resto, tudo tem uma solução. As paranóias têm associadas uma desvantagem enorme - alarmismos infundados. E nos últimos tempos, por algumas pessoas viverem no mundo das paranóias, resolvem apanhar de surpresa os mais incautos e crédulos. Vai daí, anda toda a minha gente muito assustada e preocupada com o dia de amanhã, na maior parte das vezes, por ter ouvido "algo", um boato, que terá de verdade o que tem de alarmista.

Para bem dos demais, estas pessoas que vivem intensamente estas pessoas, deviam ir para uma ilha. Sozinhas. Um avião, carregar todos os paranóicos(as) e deixá-los(as) numa ilha qualquer. Deserta. Para povoarem a mesma. É engraçado imaginar um tipo que tem a paranóia que o mundo vai acabar amanhã a conversar com um hipocondríaco (que certamente ganharia mais 34 doenças em 10 minutos). E tantos outros casos giros que poderiam ser avançados...

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domingo, setembro 18, 2011

Produtos Light

Devo ser a única pessoa do Mundo que detesta tudo o que é light. Tudo o que não tem açúcar, óleo em demasia ou (na altura em que fumava) um filtro daqueles que não faz o "cigarro-saber-a-água"...tem o dom de me saber mal. E mais, até acredito que faça pior.

A minha lógica para este assunto é básica. Tudo gira em volta do dinheiro, como não podia deixar de ser. Ninguém duvida que em tempo de crise os fabricantes têm de reduzir em algum lado. Onde? Nos custos de produção. Poupam na matéria-prima e consequentemente no transporte (menos matéria-prima incorporada conduz a menor peso), por forma a incrementar a margem de lucro. Simples? Claro que é simples. A questão reside no facto de pessoas como eu, que desde sempre foram habituadas aos pequenos prazeres da vida. Um deles será, passando a publicidade, beber uma agradável e desejavelmente gelada Coca-Cola. Venham de lá os moralistas falar do desentupimento dos canos das casas-de-banho, os aqueles que dizem que faz mal ao estômago e ainda os outros que falam do açúcar em excesso que este "néctar dos deuses" tem na sua composição. Confesso que retiro um prazer secreto ao ouvir todos estes moralistas enquanto bebo um copo bem gelado desta minha bebida preferida. Com uma rodela de limão.

Do que refiro acima, facilmente se depreende que fique desolado quando estou no estrangeiro e não há a "minha" Coca-Cola. Ou por cá, quando num determinado local onde estou, só há a "concorrência". Dá-me vontade de me sentar no chão e chorar. Tenho tão poucos prazeres na vida, e subtraírem-me este, é como que darem-me uma facada nas costas e deitarem álcool etílico no buraco feito pela faca. A Coca-Cola é a Coca-Cola. Tem de ter "aquela" dose de açúcar tipo...droga. Açúcar a menos é xarope. Açúcar a mais é lamber um açucareiro. Tem de ter a quantidade de açúcar quanto baste, concluindo. E é precisamente essa quantidade de açúcar "secreta" e que passa de geração em geração lá na fábrica da Coca-Cola, que faz toda a diferença para a concorrência.

Quem como eu tem o gosto apurado para aquilo que tipicamente faz mal à saúde (e.g: óleo abundante nas batatas fritas, o açúcar em excesso nos bolos ou do leite condensado, o açúcar e o gás dos refrigerantes), nota de imediato, como será lógico, a falta destes elementos. O que têm de bom têm de prejudicial. Um exercício que dou comigo a fazer não raro, é mentalmente retirar os elementos prejudiciais dos alimentos / bebidas. A que passam a saber? A nada. É precisamente aqui que quero chegar. Qual é a piada de beber um copo de água quando de pode beber um "vaso" de Coca-Cola gelada? Analogamente, já não notarei diferença entre beber um copo da "mal amada" Coca-Cola "light" e um copo de água. Ou entre um iogurte daqueles que é "caloricamente"expresso com 3 algarismos significativos ...e um desses iogurtes  magros..ou "light", para ser mais "in"...

Da minha parte tenho a certeza que não vou aderir a essa moda do "Fat Free" ou "Light". O que faz mal é que é bom!

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sábado, setembro 17, 2011

Os Músculos nas Mulheres

Finda que está a época balnear, posso com total e verdadeira propriedade, afirmar que estamos muito mal. Falando de mim, é notório o árduo trabalho que me espera no ginásio. Depois de muitos anos parado, sem "malhar" e ajudado pelo facto de ter deixado de fumar e das dietas alimentares desequilibradas, o resultado está à vista e a minha proeminência abdominal faz inveja a uma grávida de 3 meses.

Consciente da minha realidade  e do sofrimento que terei de passar nos próximos 20 anos, não posso deixar de tecer alguns comentários ao que me foi dado a ver este ano na praia. Naquela semana (única) em que o tempo ajudou e me permitiu apanhar uns banhos de sol. Pude perceber algumas realidades que até então me eram distantes, na medida em que não ia à praia há algum tempo. A mulher portuguesa deixou de ter pudor. Esta é "a" verdade que aqui e agora partilho. Mas não fico por aqui. Foi-me igualmente dada a oportunidade única de constatar outras duas realidades que me têm feito pensar:  Há mulheres que podem perder o pudor e mulheres que não devem perder o pudor. A confusão na minha cabeça surge quando em ambos os casos o pudor se perde...

No primeiro caso, qualquer ente racional consegue perceber um corpo tonificado, cuidado, uma dieta alimentar regrada e tem associada, consequentemente, uma visão agradável e harmoniosa. É neste restrito grupo de mulheres que se encontram (também) os corpos musculados. Devo dizer que me faz alguma confusão. Começando pelo facto de quase conseguir ver os vasos capilares, de tão musculados são estes corpos. Já vi, não foi ninguém me contou, há alguns anos atrás, uma mulher cuja cintura era mais fina que a minha perna. Fiquei naturalmente a sentir-me um javali obeso quando me deparei com aquela tão musculada filha de Deus. Faz-me espécie este tipo de corpo. Talvez por não estar habituado a este tipo de corpo.

No segundo caso a história é outra. Aqui encontram-se alguns tipos de corpos de mulheres. E gosto muito de ouvir a argumentação. Desde as mulheres que são magérrimas e dizem que estão gordas (não raro começo a hiperventilar e a transferir o peso do corpo de um pé para o outro, quando oiço estas tretas). Passando por aquele grupo de mulheres que "relaxaram" depois da maternidade (a disponibilidade de tempo é menor) e que dizem logo que o corpo fica sempre disforme (consigo hiperventilar, transferir peso do corpo e ainda bater ritmadamente palmas) até às mulheres que pura e simplesmente não têm noção do corpo que têm e audaciosamente brindam quem está na praia com a visão única de usar um fio dental com um rabo que parece um camião TIR (viro-me para o lado oposto, fecho os olhos e tento dormir). A força da gravidade é na generalidade das vezes algo que contribui de forma decisiva para que algumas mulheres percam algumas horas de sono e ganhem alguns cabelos brancos. Não é só aos homens! Nas mulheres, a partir de certa idade, já mostra sinais de estar (ou querer começar) a actuar...

Para concluir, o que interessa é que as pessoas estejam felizes e de bem consigo mesmas. Contudo, quando estão por perto a turma das "meninas-com-os-músculos-todos-trabalhados", a coisa muda de figura. E acredito que dentro do mesmo sexo haja boquinhas de inveja. Ou não...

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sexta-feira, setembro 16, 2011

Arrependimento

Há poucas coisas das quais me arrependo. Nesses poucos casos, perfeitamente identificados, arrependo-me de não ter sido mais célere nas análises e de não ter tomado uma acção que me levasse a outro tipo de desfecho que não aqueles que houve em alguns casos.

Perco algum do meu tempo a pensar se algumas pessoas que conheço e que me magoam, fazendo-o deliberadamente, têm para si a noção clara do que é o arrependimento. Será que se arrependem? É uma questão que coloco a mim mesmo várias vezes. Em alguns casos tenho a certeza que sim. Não havendo um pedido directo de desculpa, há uma atitude ou gesto por parte dessas pessoas que alude a isso. Noutros casos não. O orgulho desmesurado ou a não capacitação de ter sido cometida alguma injustiça faz com que a visão da realidade esteja toldada e consequentemente não há lugar ao arrependimento. Não auguro bom futuro para estas pessoas. Acabarão tristes. Destituídas de bom senso e de valores morais nobres como é o do reconhecimento da culpa. E se há pessoas assim...

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quinta-feira, setembro 15, 2011

Fraudes Fiscais

Esta coisa das fraudes fiscais dá-me muito que pensar. Às vezes penso que quem consegue desviar muito dinheiro tem de ter invariavelmente duas coisas: inteligência e boa disposição. 

Se a inteligência a que me refiro acima qualquer pessoa percebe que é necessária, já a boa disposição acredito que não se chegue lá com facilidade. Eu ajudo. Sempre que vejo um desses corretores ou alguém que conseguiu desviar milhões de patacas de uma empresa (ou de vários clientes que nele confiaram) ser detido, invariavelmente vejo-os a rir-se com gosto. Convido quem lê este texto a estar atento às próximas notícias sobre fraudes fiscais e ajudar-me a tentar perceber qual é a razão dessa boa disposição. Talvez também me desse vontade de rir.

À semelhança do que acontece com vários "cromos" informáticos, também há um interesse por parte dos organismos estatais / privados em "recrutar" quem enriquece ilicitamente, ou à custa de bens de terceiros. Mais a mais, são esses "recrutas" os responsáveis pela detecção dos erros / lacunas que existem nos sistemas (que se querem seguros) e que falam a mesma língua de outros "colegas" de profissão a quem a Justiça ainda não deitou a mão.

Em todo o caso...quero descobrir de que se riem estas pessoas quando são detidas...!

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quarta-feira, setembro 14, 2011

O anonimato

É usual, quando somos crianças, e quando ainda não existe uma mente trabalhada (ou com responsabilidade), que exista uma série de brincadeiras idiotas que fazem todo o sentido recorrendo-se ao anonimato. Uma delas é clássico telefonema para casa de alguém perguntando se dá para encomendar uma pizza. Do outro lado a pessoa diz que se trata de engano, que é uma casa particular e não fazendo caso disso questiona-se se pode ser com massa fina e crocante ou se se pode colocar anchovas em vez de atum. Coisas desse estilo. Mais tarde, e mais "à séria", é a encomenda de uma pizza para uma morada qualquer e ainda melhor se for possível ver a cara de incredulidade da pessoa quando vem à porta. Entre outros tantos estúpidos exemplos clássicos que aqui podia dizer.

Por outro lado, quando se fala em anonimato na idade adulta, a situação assume contornos diferentes. A primeira questão é: Porquê o anonimato? Porque não quer ser reconhecido(a). Parece-me claro. Mas porque será que não quer ser conhecido(a)? Salvo situações muito específicas (e.g.: doações de grandes quantias monetárias, uma ajuda extraordinária a alguém por outro alguém que tem renome e poucas mais situações), usa-se o anonimato porque se tem algo a esconder. A identidade.  Donde, prefere-se a cobardia do anonimato.

É lamentável que algumas pessoas não conheçam a palavra "verticalidade". O ser "homenzinho / mulherzinha" para assumir determinadas posições. Aparte dessa falta de hombridade, o tempo que me toma algo anónimo é facilmente quantificável. Não é mais que uma milésima de segundo. À distância de uma chamada telefónica rejeitada no botão específico ou do botão de "delete" do computador. Tudo isto para quando não conheço a proveniência. Similarmente, é o tempo que entendo que é mais que suficiente para quem se esconde no anonimato.. Não podem ser pessoas sérias. E assim sendo, são tratadas como tal.

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terça-feira, setembro 13, 2011

Despreocupação Ambiental

Há algumas coisas que têm o dom de me deixar perplexo. A despreocupação ambiental vivida nos nossos dias é uma delas. Não será por ser licenciado em engenharia do ambiente que tenho uma consciência ambiental diferente daquela que terá um advogado ou um médico. Trata-se de uma consciência cívica, enquanto cidadão, enquanto habitante do Planeta Terra que, como se sabe, tem vindo a ser alvo de agressões severas ao longo das décadas.

Para mim, há um momento histórico em que tudo mudou. Passo a explicar. As palavras "Revolução Industrial" e "Preocupação Ambiental" não podem ser colocadas na mesma frase na medida em que "não simpatizam" entre si. Afinal, falar-se em revolução industrial ou industrialização e preocupação ambiental é algo que não tenho dúvida alguma que fará o mais calmo e sereno empresário suar das costas. É simples. A um desejável e vigoroso crescimento industrial de determinado sector de actividade económica (gerando maior produtividade e consequentemente maior riqueza), deve estar irmãmente associada uma consciência ambiental de compromisso, por parte de quem "abre os cordões à bolsa". O que não acontece.

Nos dias que correm, assiste-se com uma frequência assustadora à publicação de notícias que versam desastres ecológicos.  Ou desastres ambientais e que comprometem o ambiente. O que ainda consegui perceber muito bem é que tipo de responsabilização existe para um empresário que, com uma descarga de águas contaminadas produzidas na sua empresa, num curso de água local perto da mesma consegue dizimar espécies piscícolas e flora autóctones. Em paralelo, não são raras as histórias de empresas portuguesas que são fechadas com ordem judicial e cujos donos entendem continuar a laborar, assim que os inspectores ambientais e autoridades policiais viram costas. Ou seja, é preferível pagar as coimas previstas na Lei Portuguesa e despreocupadamente continuar a degradar o meio ambiente do que investir nos meios / infra-estruturas para evitar as coimas. Porquê? Porque existe despreocupação ambiental e porque os efeitos da negligência de hoje far-se-á sentir amanhã, nas gerações vindouras. O que lhes poderia custar uns milhares de euros (às vezes nem isso) no sentido de adoptar medidas "pró-ambiente" é facilmente considerado como "dinheiro deitado fora" e até ajuda na compra de um carro novo último modelo. É pena que prevaleça esta despreocupação. Mas o "dia do pagamento" chegará. Talvez não na geração destes "iluminados"...

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segunda-feira, setembro 12, 2011

Gastronomia Portuguesa

Anualmente tem lugar um concurso de gastronomia portuguesa. Para quem como eu é "bom garfo", é natural que siga este tipo de evento com particular interesse e....sempre "aguado".

Tenho a felicidade de conhecer vários tipos de gastronomia. Dos mais variados países. E constato que a portuguesa continua a "dar cartas" neste assunto. Pessoalmente, não encontro melhor. Poderá parecer um pensamento tendencioso, mas não é. A gastronomia portuguesa tem de interessante o que tem de variado. Desde os célebres "Rojões à Minhota", pelos tradicionais e seculares "Pastéis de Belém", pelo incontornável e nutritivo "Gaspacho" até ao delicioso "Bolo de Alfarroba" (regado com uma amadurecida aguardente de medronho), são vários os exemplos que poderia aqui adiantar por forma a evidenciar a inesgotável variedade de especialidades deste pequeno "rectângulo de terra".

Conclui-se logicamente que não podia deixar de apoiar e incentivar a realização destes concursos para eleição das 7 melhores iguarias gastronómicas. Qual  concurso para as 7 maravilhas do Mundo. Contudo, e como não podia deixar de ser, há algo que tenho a apontar como menos bom. Ainda que Portugal ganhe uma projecção muito significativa ao nível internacional e seja inquestionável a promoção do País em algo em que é notoriamente bom. O facto de ainda não ter sido convidado para fazer parte do júri. Tenho a certeza absoluta que faria um excelente trabalho. Dedicado. Empenhado e comprometido em dar o meu melhor nesta tarefa. Ao sabor de uma cataplana de tamboril ou de um delicioso ensopado de borrego...ou de um arroz de polvo à moda do Minho...ou das francesinhas...e por aí adiante.

Com tudo isto, é melhor ir andando porque já fiquei com fome!

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domingo, setembro 11, 2011

Macarena

Para quem não habita este mundo, "Macarena" é um fenómeno musical que infelizmente, e para mal dos meus pecados, foi um hit musical há alguns anos. Estamos a falar de uma música que deve ter estado presente nos "Top´s" musicais mundiais durante uns 3 anos seguidos. Atrevo-me a dizer que discoteca onde não passasse umas 9 vezes por noite esta música, não tinha um futuro promissor e não me admira nada que algumas tenham sido obrigadas a mudar de ramo de negócio, para algo mais calmo e tranquilo. Por exemplo, venda de novelos de lã ou leitura das palmas das mãos.

Mas não é tudo. E um mal nunca vem só. A música tinha uma coreografia associada. Perdi a conta das vezes que assisti com evidente incredulidade às figuras tristes que algumas pessoas faziam a dançar ao som desta música. Não há nada mais ridículo que um qualquer tipo notoriamente embriagado insistir em enturmar-se num grupo de mulheres e tentar" dar uma de engraçado", imitando-as na coreografia. Um elefante a andar num loja de cristais consegue ser mais harmonioso, acreditem.

Tenho muito medo destas músicas que são verdadeiros sucessos. Se já me farto rapidamente de outras coisas, as músicas que passam em contínuo na rádio têm o dom de me tornar irritadiço e não raro optar pela selecção de canais de música clássica ou da Igreja Evangélica. Sempre oiço algo agradável. Tudo isto assume contornos particularmente complexos quando há coreografias associadas....e sou obrigado a ver.

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Espírito de Equipa

O espírito de equipa é uma característica que devia ser obrigatoriamente integrante da personalidade de cada pessoa. Aliás, quem se provasse não a ter, devia ser colocado numa ilha deserta, onde passaria tanto tempo quanto fosse necessário para "se encontrar" e perceber que como viver em sociedade. E permitindo alhear-se compulsivamente do individualismo egocêntrico.

Sendo simpatizante da causa militar são inevitáveis as comparações ou analogias. Um pelotão tem de pensar e atacar como sendo "uno". Só assim será bem-sucedido e vitorioso. Que seria de soldado, por sua auto-iniciativa e vontade, entendendo que já estava há muito tempo escondido do inimigo, decidir ir sozinho adiantando trabalho e ir "limpando o sebo" a alguns soldados das tropas inimigas para ter tempo de ver o Benfica - Vitória de Setúbal.

Quem cumpriu o serviço militar e/ou em simultâneo frequentou a universidade sabe do que falo. Estas instituições são, por excelência, dois dos locais onde o espírito de equipa está (ou deverá estar) sempre presente. Daí a denominação de "camarada", no meio militar. Significa "amigo", "companheiro" de todas as horas, boas e más. Daí ser constante a inter-ajuda. A título de exemplo, em algumas provas físicas de grupo (e.g.: corrida), é usual designar um camarada que corre melhor como sendo a "lebre" (não é mais que alguém que correndo é escolhido pelos demais camaradas por forma a ser possível incutir e adequar um ritmo de corrida razoável e assim "puxar" pelo pelotão inteiro).

Na universidade experimentei sentimentos antípodas relativamente a este tão desejável espírito de equipa. Em concreto nas alturas em que precisava de apontamentos. Ou mesmo nos exames. Tendo sido dirigente associativo durante um par de anos, é natural que nem sempre houvesse compatibilidade do exercício das minhas responsabilidades académicas com o horário de algumas cadeiras. Como resultado, algumas vezes tive de faltar às aulas e consequentemente tinha de pedir para fotocopiar apontamentos. Ouvia nestes momentos únicos as desculpas mais descabidas que se possa imaginar. Desde pessoas que me diziam que não podiam emprestar porque tinham de ir estudar (sendo que as interpelava enquanto estavam em amena cavaqueira no café a beber umas jolas) ou a velha desculpa de que tinham uma letra horrível e que tinham de passar a limpo para depois emprestar. Esta desculpa tinha mesmo o dom de me deliciar, e fazia surgir em mim a vontade dar uma cabeçada com toda a força no visado(a) por estar a gozar deliberadamente comigo.

Outro momento engraçado era o da realização das provas escritas. Nunca fui pessoa de cabular, como já aqui tive oportunidade de referir num texto. Mas por vezes questionava algum colega em jeito de confirmação de alguma resposta onde tivesse alguma dúvida. E descobria nessas alturas que eram...surdos. Mesmo quando já em desespero de causa aumentava o tom de voz quase a ouvir-se o meu sussurro na sala de aulas ao lado. Impressionante. Já para não falar do clássico exemplo e que evidenciava bem o carácter da pessoa que era..terminar a prova e ir-se embora. Sempre me fez confusão. Então custava muito questionar à sua volta se alguém precisava de alguma coisa?

Infelizmente a falta do espírito de equipa é por mim experimentada no meu no dia-a-dia. Pior. Com pessoas das minhas relações e que em momento algum julguei que fossem individualistas. Como se costuma dizer, é quando se precisa que as pessoas mostram ser quem realmente são. E nem sempre de acordo com o que pensámos.

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Legítima Defesa

Gosto de partir para uma discussão munido de uma boa argumentação. Porquê? Porque acredito que qualquer  discussão é produtiva quando ambas as partes estão preparadas para habilmente esgrimir a sua argumentação. Aquela parte que o conseguir fazer melhor, será aquela que está mais bem preparada e consequentemente "sairá vencedora" da discussão.

Um dos temas que comummente vem à baila nos almoços que tenho com a rapaziada é sem dúvida o da legítima defesa. Aliás, é capaz de ser um dos temas que figura no cada vez mais selecto "Top 5" deste nosso grupo e do qual contam temas interessantes como sejam futebol (tema infelizmente recorrente), feitos históricos de algum dos presentes (aqui costumo dar cartas), carros e motas (como não podia deixar de ser) e mulheres. Não por esta ordem, obrigatoriamente. 

Voltando a este tão interessante tema. Fiquei a saber alguns factos curiosos da leitura de uma revista que cá tenho em casa. Imaginemos que aqui o escriba tinha uma ourivesaria. Na infelicidade de assistir à vandalização da mesma, da qual se pagam água e luz, é bom que tenha um pé-de-cabra por perto para partir nas costas de um dos assaltantes ou um "cavalo marinho" para dar na cabeça de outro dos cúmplices. Passo a explicar. À luz da Lei Portuguesa, é legítima defesa aqui o escriba bater no decurso de uma agressão actual. Ou seja, o que quer que tivesse de ser feito, teria de o ser tipo...quando se imaginasse que assaltante estava a olhar demasiado tempo para uma brilhante gargantilha ou para um antigo relógio de parede. Impedir o crime. É óbvio que o legislador deverá ter uma capacidade paranormal de perceber o que vai na cabeça dos outros. Mais, acredita que mais pessoas partilham deste dom. Simplificando, partir a coluna ao ladrão, ou fazer com o mesmo que ficasse sem dentes no maxilar superior, teria como único objectivo impedir o crime e tal não seria válido se o crime já tivesse sido consumado. Ou seja, é importante ser rápido nestas coisas e aqui percebo perfeitamente o ideia do legislador. Não perder muito tempo com avaliações desnecessárias. É importante saber antever o que pensa o ladrão. E dar-lhe logo uma valente porrada no lombo ou na cabeça. Só assim se pode alegar legítima defesa e evitar mais um crime.

Outro exemplo que me deixou deliciado foi o clássico da mulher que esfaqueia o marido. Fiquei a saber que a componente medo e os antecedentes de maus tratos servem de atenuantes. O que me deixa tranquilo e apaziguado. Isto já sabia. Embora o tribunal possa não considerar crime na verdadeira acepção da palavra, na medida em que o medo, justificado nestas situações, poderá dar azo a reacções violentas. Muito violentas. Posso aqui partilhar que já li alguma vezes que alguns maridos chegam a ficar sem o "instrumento", quando se vão deitar depois de discutirem com as mulheres. Confesso que fiquei algum tempo a meditar sobre este tipo de legítima defesa (não o facto de algumas mulheres cortarem algo). Lembrei-me, a título de exemplo, do hotel onde estive uma vez hospedado e onde acreditei que uma mulher estava a ser esfaqueada uns bons andares acima do meu (estando eu no 3º andar). Afinal não era mais do que.....prazer e loucura selvagem com o seu amigo entre 4 paredes. Segundo me disse o recepcionista e depois de me ter confidenciado que já tinha recebido algumas queixas de hóspedes do mesmo andar (14º andar, já podem ver os pulmões da menina). Não gabo a sorte dos vizinhos!! Mas fiquei a pensar, e se eu tivesse sido mais zeloso, e tivesse ido bater à porta para ver se estava tudo bem. Ou se tivesse tomado a iniciativa de chamar a polícia para lá ir comigo? Seria mau. Muito mau. Talvez se deixassem de ouvir aqueles gritos lancinantes que até hoje não me saem da cabeça...

Há uns dias atrás veio cá a casa um amigo da Família ajudar a carregar uns móveis. Dado que os móveis eram pesados fui dar uma mão. Para que o meu Paco não fugisse, e dado que tinha de voltar à rua para descarregar mais uns móveis, não fechei o portão. Apenas o deixei encostado. Passado algum tempo tocou a campainha cá de casa. Fui à janela e vi um senhor de idade provecta a levantar-se no meio do meu jardim. A limpar a terra que tinha na roupa. E disse-me que o "meu menino" o tinha atirado ao chão. Tive pena do senhor, pelo facto de ter caído, mas não lhe consegui pedir desculpa. Afinal entrou no meu terreno por engano e sem autorização.  E teve de se sujeitar às consequências. Se o Paco o tivesse magoado mais ainda, o meu raciocínio seria o mesmíssimo. Em momento algum poder-me-ia ser imputada qualquer culpa. Afinal foi legítima defesa. Do Paco.

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sexta-feira, setembro 09, 2011

Futurologia

Uma das qualidades que desconhecia em mim é a da premonição ou da futurologia, como preferirem. Tenho de confessar que me agrada. Particularmente quando o que penso que vai acontecer....acontece.

Desde há alguns tempos a esta parte percebo que o que penso que acontecerá...acontece. Não estou a dar uma de convencido ou de pretensioso. Estou apenas e só a partilhar que tenho tido "olho" para a coisa e que até tenho tido sorte em algumas premonições. Como consigo fazer isso? Fácil, caros e caras amigos. Amadurecimento. Os anos já vão pesando nesta "velha carcaça" e a experiência de vida adquirida vai sendo significativamente importante. E indelével, em alguns casos.

Concretizando um pouco para se perceber melhor do que falo. Sei, por exemplo, que a probabilidade que há em eu acertar na chave do euromilhões desta semana é a mesma que a do Bin Laden ter sido morto há poucos meses, no ataque efectuado à sua residência pelas tropas norte-americanas. Ou a mais que certa e continuada senda do actual Governo em continuar a mexer no bolso dos portugueses (para aqueles que ainda os têm) por forma a honrar os compromissos assumidos com a troika. Se dói? Dói. Mas consigo perceber este tipo de questões com algum distanciamento e alheamento. Como? Porque desde o início vi que o único caminho que o actual Governo poderia seguir, seria o do complicado e intrincado exercício da futurologia.

Só assim consigo entender que tenham sido anunciadas e implementadas uma série de medidas socialmente impopulares. Constato que os sindicatos, tipicamente aglutinadores de trabalhadores descontentes, não estão a ser bem-sucedidos nas convocatórias para as greves gerais. Porquê? Porque as pessoas começaram a ganhar consciência que o actual Executivo não está a fazer mais do que "aplicar-um-garrote-à-hemorragia" em que o anterior Executivo deixou o País. E ainda que seja avançada pelos próprios sindicatos a "simpática-e-desejável-adesão-em-massa",  não tenho dúvidas que os números efectivos, não espelham essa realidade.  A onda caracterizada pela crispação e contestação social é menor. E assim continuará a ser. E temos actualmente um Executivo que pratica um governo de "gestão". De circunscrição do prejuízo. E de minimização dos danos.

É com pena que realizo que este exercício simples de futurologia deveria ter sido realizado há alguns anos. E não da forma como acabou por ser feito. Não com tanto sacrifício para algumas famílias que não têm mais "furos no cinto". Ou mesmo os próprios dos "cintos". E o pior está para vir.

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quarta-feira, setembro 07, 2011

Salários em Atraso

O tema de hoje é um daqueles temas especiais. Apenas me é dada a possibilidade de efectuar um exercício de mera e pura imaginação, fantasiando como será experimentar a privação do meu tão querido e esperado vencimento mensal.

Já lá vão alguns anos que integro essa massa de trabalhadores que árdua e zelosamente contribuem para o enriquecimento dos cofres de Estado. Aliás, é preocupante assistir-se à tendencial e preocupante escalada da taxa contributiva em alguns escalões do IRS. Como já aqui referi noutra reflexão, defendo que deveria haver uma taxação das grandes riquezas (proporcionalmente) e em tudo semelhante à que já é praticada na sacrificada classe média.

Com a expectativa de um último (ou nem por isso) "fôlego" ou de um "balão de oxigénio", são cada vez mais as empresas que têm vindo a declarar a tão em voga "insolvência". Alegam que não têm dinheiro para pagar aos Fornecedores, que há várias contas por pagar e claro, ameaçam com o não pagamento dos salários dos trabalhadores. Desconfio que quando algum desses empresários vai ao seu banco pedir mais um empréstimo, não espera outra coisa que não seja, mais uma vez,  que o mesmo lhe seja emprestado, qual "paizinho". É um dos grandes erros que existe em Portugal. Durante décadas existiram linhas de créditos específicas, com taxas de juro aliciantes e continuamente viabilizadas pela banca. Criou-se o péssimo hábito de sempre que necessário recorrer-se à banca. E os empréstimos mais recentes financiavam / pagavam os empréstimos mais antigos. Nos dias que correm, tal deixou de ser possível. Ou por outra, continua a ser possível, mas com taxas de juro obscenas.

A questão que se coloca, na minha humilde opinião, passa por não ter dúvida alguma hoje em dia é fácil a um empresário ir ao seu banco pedir mais um empréstimo. Ou melhor...é um pouco mais complicado, porque o "custo do dinheiro" é mais alto, mas ninguém no seu juízo perfeito vai negar a emprestar dinheiro, ou seja, conceder um empréstimo. A questão é que hoje em dia já vai havendo alguma consciência e não se vai ao banco pedir dinheiro "para aquelas obras que se pensaram há 7 anos e que agora são possíveis" quando afinal se gasta o mesmo na compra de uma carrinha do modelo mais recente de qualquer marca bávara de automóveis....

No meio destas "andanças" todas, há alguém que precisa de "pôr o pão na mesa". Aquelas pessoas que têm de pagar a escola dos filhos (ou os 900 livros escolares que os miúdos necessitam todos os anos) e por aí adiante. E começa a falta de respeito. O egoísmo. A mentalidade provinciana e ultrapassada de alguns empresários desde País. Por culpa da ingerência das empresas, o dinheiro acaba por "ser curto" para "comprar-as-carrinhas-do-último-modelo-daquela-marca-alemã-espectacular-para-todos-os-sócios-ou-Administradores" e claro...para os vencimentos que têm de fazer autênticas "obras de engenharia financeira" para que o "dinheiro estique" no final do mês. São muitos, cada vez mais, mas também são o "elo mais fraco". E que rapidamente ficam sem nada se reivindicarem muito.

Já aqui tinha aflorado esta questão. É habitual dar comigo a pensar que futuro podem augurar estas pessoas com 50 anos de idade e alguns casos quase 40 anos de trabalho na mesma empresa. Uma vida de trabalho. E de um momento para outro, se as condições de vida já eram deficitárias...mais complicadas ficam quando o dia do pagamento do vencimento "começa a derrapar". Depois a falhar pontualmente. Até que os intervalos de pagamento tornam-se mais longos....até que deixa de haver dinheiro para pagar vencimentos. Daqui às greves e à crispação dos trabalhadores...é um pequeno passo. Muito pequeno.

Infelizmente acredito que a realidade que vivemos actualmente vá piorar substancialmente. E dentro de muito pouco tempo. Com a cada vez maior pressão dos países mais ricos (que que têm peso na decisão da atribuição de fundos aos países mais necessitados), estes últimos terão de mostrar trabalho e a adopção das medidas que da austeridade acordadas no "tal" memorando... A produtividade tem de aumentar. Um dos indicadores mais importantes relativo à saúde financeira de um País (o PIB) têm de sair do "lodo" em que se encontra. Ganhar novo fulgor. À custa de um aumento forte da receita e da diminuição drástica (ou corte) da despesa. 

O problema é que esta equação simples reveste-se de uma complexa aplicabilidade. Como tal, o resultado da mesma não poderá ser bom. E quem acaba por se dar mal são sempre os mesmos. Os que mais necessitam.

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terça-feira, setembro 06, 2011

Imposto Fast Food

Fiquei agradavelmente surpreso pelo facto de ontem ter sido sugerida a criação de um imposto para a "alimentação de plástico", ou "comida de lixo" (tradução do inglês junk food) ou também conhecida como fast food. Tranquilizou-me muito saber que há alguém que está de "olho bem aberto" relativamente ao flagelo português e que é a obesidade. Segundo os últimos números reflectidos no Inquérito Nacional de Saúde (realizado entre 2005 e 2006) foi notória a subida face ao anterior Inquérito (1998/1999). Constatou-se  o aumento da obesidade masculina em cerca de de 30,7 % e de 16,3 % no que toca ao sexo feminino. Em ambos os casos na faixa etária dos 55 aos 64 anos. Na minha opinião tratam-se de aumentos que importa reter e que têm como consequência imediata uma afectação de 23,4% da população (ambos os secos) na faixa etária acima referida. Os números não enganam.

Por outro lado, na mesma notícia, foi também avançada a questão dos "cortes" nos subsídios atribuídos ao Ministério da Saúde. Mais um compromisso assumido pelo Governo e no seguimento do pacote de medidas de austeridade a que se obrigou dar continuidade. Sugerir uma importante medida como é esta, da criação do tal imposto para a taxação da "comida de lixo" ( na óptica de ajudar a melhorar os hábitos alimentares dos portugueses) e referindo en passant  que também vão haver cortes lá no Ministério...cheira a queixinhas. Trata-se do aproveitamento do momento: "Ah-e-tal-defendo-que-as-pizzas-daquela-massa-alta-e-fofa-deve-ter-um-imposto-acrescido-porque-faz-mal-à-saúde-e-até-pode-causar-a-obesidade. Ah-já-agora-aproveito-o-momento-para-dizer-que-me-lembrei-há-instantes-que-o-Governo-anunciou-a-semana-passada-cortes-nos-subsídios-atribuídos-ao-Ministério". Não faz sentido. Há momentos e locais para que este tipo de contestação, e não necessariamente aquando da divulgação deste tipo de notícia.

Para terminar, fiquei a pensar nesta sugestão avançada ontem para o tal imposto. Cheguei a uma conclusão. É muito provável que para os alimentos saudáveis (e.g.: espinafre, nabos, tomates, cenouras, feijão verde, batata doce, beterraba, etc.) venha também a ser sugerido o decréscimo do IVA ou mesmo a sua abolição. Afinal são alimentos que fazem bem e que contribuem para a erradicação da obesidade que tantos portugueses afecta. Aguardarei com expectativa esse tão importante anúncio. 

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segunda-feira, setembro 05, 2011

Recomeço do Ginásio

Depois de vários anos sem a prática regular de uma actividade física, resolvi a semana passada voltar a um ginásio. Em concreto à prática da musculação. Em abono da verdade devo confessar que não é inteiramente verídica a minha afirmação da inexistência da prática desportiva nos últimos anos. O que acontece é que se tem aplicado a terceira Lei de Murphy que advoga que tudo o que poderá correr mal correrá. E no meu caso aplica-se sempre. Sou o exemplo vivo dessa dessa Lei no que toca à prática do desporto. Inscrevo-me e passados alguns meses, ainda que tenha uma imensa e óbvia força de vontade na regular prática desportiva, arranjo uma lesão daquelas que me faz interromper repentinamente a tal actividade.

Decidi, como referi acima, optar pela prática da musculação. Até aqui sem grande novidade. Mais a mais há muitos anos atrás "fiz ginásio", em paralelo com a prática de uma arte marcial e pensei, ingenuamente, que a adaptação fosse relativamente fácil. E aqui começa a minha reflexão de hoje...

Optei por um ginásio perto de casa e um pouco "à margem" da escolha óbvia por um qualquer ginásio dessa famosa cadeia de ginásios distribuídos pela cidade de Lisboa (e arredores) e que tem por nome o apelido de um conhecido detective britânico. À semelhança de tantas outras coisas, paga-se (e bem) o nome, e como tal, decidi experimentar durante uns tempos esta minha solução de recurso, em tempo de crise, e em detrimento de quase gastar o subsídio de Natal (que este ano o Governo entende que não devo ter) aquando do pagamento da primeira mensalidade, jóia e seguro para a prática da modalidade. Ah, ainda do aluguer da toalha...

Há alguns anos que não entrava num ginásio. A primeira imagem é aquela que fica, diz o povo e não posso deixar de concordar. Percebi também, e rapidamente, o porquê de ter pago um valor cerca de 9 vezes inferior ao valor que pagaria num desses ginásios "com status". Não existem muitas sensações as náuseas que senti ao chegar ao ginásio. Tive de me agarrar rapidamente ao vão das escadas, tal não era intenso o cheiro a "panelão-de-refogado-de-cebola-acabadinho-de-cozinhar-ali-no-meio-da-sala". Enfim, transpiração. Primeiro estranha-se, e depois...habitua-se. Quem frequenta este tipo de local tem de estar natural e obviamente preparado(a) mentalmente para estas eventualidades. É claro que já não me recordava destes pequenos detalhes. Ou de outros pequenos detalhes como o ser brindado com a possibilidade de observar o fenómeno físico de levantamento das barras de supino que vergam de tanto peso que têm colocadas (as "bolachas", na gíria do ginásio, que não são mais que os discos que se metem em cada um dos lados). Ah, e cujos "atletas" têm de grossura de braço o que eu tenho de perna.

Reconheço que ao longo dos tempos tem sido uma constante a falha de comunicação entre mim e os instrutores de musculação. Não se trata de não falarmos ou de eu não entender o que me é dito pelos mesmos. A questão é que na minha cabeça "tenho uma voz" que me diz que devo e posso fazer mais repetições do que me são ditas para fazer e não raro com mais peso. Dá-me gozo sentir os músculos a trabalhar. Talvez resida aqui a razão pela qual por vezes a prática da actividade desportiva seja abruptamente interrompida em consequência do aparecimento de alguma daquelas lesões musculares inesperadas. Ou por outra, talvez pelo facto de ainda não ter ganho a consciência das naturais alterações no meu corpo....de há uns bons anos a esta parte. E o que era há uns anos, não é uma verdade hoje. Tenho tempo para interiorizar isto.

Tenho levado esta questão muito a sério. Posso também adiantar que já vivi a minha conhecida sensação de preguiça. E certamente tão conhecida de tanta gente que começa a treinar. Explicando melhor, depois de um dia de trabalho e com o calor que se tem feito sentir nesta semana (depois de na minha última semana de minhas férias ter chovidos diariamente) apetece-me tanto ir para o ginásio "puxar pelo cabedal" como de participar na Convenção da Fé da Igreja Maná ali de Alvalade. Onde tenho a certeza absoluta que iria ouvir que ao homem é concedida a possibilidade de fazer o possível e a Deus a benesse de fazer o impossível. Fico imensamente sensibilizado com estas tiradas.

Não me alongarei muito mais neste texto. Para já, e até ver, com dois treinos, tem tudo corrido bem. É certo que já sinto alguns músculos doridos, que por sinal pensei que não existissem. Mas faz parte do processo. Se poderia ser diferente? Poder podia..não tinha era tanta piada!

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domingo, setembro 04, 2011

Demissões

Escrevo estas linhas depois de na última semana terem sido conhecidas mais algumas demissões. De pessoas que zangadas com algumas medidas impopulares que estão a ser corajosamente tomadas pelo novo Executivo, quiseram assumir uma posição de fractura e "bateram a porta".

Acho muito bem que as pessoas se demitam. Até se deviam demitir mais. Só faz falta quem cá esta, lá diz o adágio popular. Tenho mesmo muita pena que não haja mais demissões. Talvez a situação não tivesse chegado onde chegou, e talvez Portugal vivesse uma outra situação mais confortável. Passo a explicar o meu ponto de vista...

Um dos grandes problemas que se coloca, aquando da contratação de alguém para ocupar determinado cargo, acaba por ser um recrutamento deficiente. Como causas prováveis para esta lacuna, a montante, estão vários factores conhecidos: a urgência e interesse na ocupação de um lugar que ficou repentinamente vago, a falta de transparência num concurso que aparece num dia e...desaparece volvidas algumas horas e a falta de análise dos currículos dos candidatos, como quem diz, as "cunhas", entre outras.

Como em tudo na vida, é importante equacionar sempre os imponderáveis... Mesmo para quem ache que faz as coisas muito certo e que todos as outras pessoas devem alguma coisa à inteligência..É um erro subestimar a inteligência dos outros. O que quero dizer, com isto, é que mais cedo ou mais tarde, "no melhor pano cai a nódoa". E o pior é conhecido por todos nós. O descrédito de alguém. E é nessas alturas que, em alguns casos, se opta pelo jogo da vitimização antes que seja descoberto "rabo do gato escondido" e as pessoas demitem-se. Pena é que entretanto, e não raro, já tenham feito muito mal. E por vezes interferindo com terceiros. O que não deixa de ser lamentável.

Espero que as pessoas que se demitem, e para as quais se prove que negligenciaram deliberadamente as suas responsabilidades, sejam exemplarmente punidas. É disso que o País precisa. Punições exemplares. Castigos inéditos. É isso que hoje em dia faz falta. Para ver se Portugal se "endireita". Até lá...continuem a "fazer-birrinha-e-vão-para-a-casa-da-Mamã"e demitam-.se. Todos.

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sábado, setembro 03, 2011

A Casa Assombrada

Há umas semanas atrás li uma daquelas notícias que me fez ficar extremamente ansioso. Agradavelmente ansioso, devo dizer. Passo a explicar. Era noticiado que um teatro promovia visitas a uma casa assombrada na zona de Alcântara.

Acto reflexo, fechei a porta do escritório e li cerca de 10 vezes esta "pérola" jornalística que encontrei numa das minhas várias "deambulações" neste mundo imenso que é a internet. E que consubstanciava algo que há tanto tempo desejo. Um encontro com o além. Mas não era tudo. Parece que o cão deste grupo (que conduzia as visitas) não subia ao 2º andar da tal casa. Não percebi se o bicho teria medo de lá ir ou se estaria treinado para não subir, e assim sugestionar ainda mais algumas das amedrontadas mentes mais susceptíveis de serem impressionadas.."Ah e tal, o cão não sobe porque os animais pressentem estas coisas e não raro começa a uivar encostado às escadas". Confesso que gosto deste tipo de coisas. Imaginei logo o guia a dizer isto com uma lanterna a apontar para a boca. Uau, que medo! Ocorreu-me a ideia (se tal fosse possível) de levar o meu 4 patas . E em menos de nada desmontar a cabala toda. Aliás, se bem conheço a peça, a "sua" visita começaria exactamente por aí. Pelo 2º andar. E mais.. com a loucura que tem dentro de si e a ânsia que tem (e faz questão de mostrar) quando salta para cima das pessoas, em menos de nada todos os fantasmas estariam estatelados no chão. Linda cena.

A cada linha do artigo o meu interesse era maior. A minha mente procurava desesperadamente em cada linha um número de telefone ou um endereço de correio electrónico para ser tornado possível o agendamento de visitas semanais a esta casa. Afinal, esta era uma oportunidade única para com regularidade privar com fantasmas.

O que senti de entusiasmo inicial senti de desilusão passados 2 minutos. Aquando da minha visita da página online do tal teatro. Realizei que tenho de pensar um rumar à Escócia em breve (onde há esta moda das casas assombradas perfeitamente enraizada). A razão é simples. É que as tais visitas à tal  casa assombrada foram abruptamente canceladas, a pedido do proprietário da mesma. Aparte da ausência de enquadramento legal para este tipo de exploração de negócio - e que terá sido avançada como razão para o cancelamento, desconfio que há "algo" mais. Eventualmente uma conversa "de-pé-de-orelha" com alguma alma do além onde terão dado conta de se sentirem incomodados com tantas visitas. Ou cansados de estarem sempre a assombrar. Espero que seja uma interrupção temporária, e apenas circunscrito aos meses das férias. E que com o início do ano, tudo volte à normalidade.

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sexta-feira, setembro 02, 2011

Estados de Espírito

São vários os estados de espírito que experimentamos nos nossos quotidianos. Cada momento, cada situação, corresponderá um estado de espírito diferente. Uns bons, uns menos bons.

Este vosso escriba é o exemplo vivo do quão diferentes podem ser os estados de espírito de alguém ao longo de um dia. Começo logo o dia com o meu mau humor que quem comigo priva tão bem conhece. É já intrínseco. No dia em que acordar bem disposto algum mal estará para vir ao mundo. Passando mais tarde por um período de bom humor, "balizado" do meio da manhã até meio da tarde. Curto, é certo, mas de genuíno bom humor. Mais tarde, tipo final do dia, mais cansado, sei que conto com regresso do mau humor até...bem, aí dependerá do programa que tiver em mente. Se for mais uma daquelas entediantes e morosas reuniões de condomínio depois do jantar (em que tenho de estar presente de vez em quando para o sorteio do lugar da garagem)...ninguém me atura. Nessa altura detesto tudo e todos e digo muito mal da minha vida. Aliás, já consegui uma vez o feito singular de contar (para dentro, claro ) até 560 em 3 línguas diferentes. Para me controlar e não explodir naqueles momentos em que são alimentadas as tão habituais conversas estéreis e desenquadradas. Foi muito giro até porque com o esforço mental comecei a ver tudo turvo e tive de me apoiar na parede (estava de pé). Se por outro lado tiver algo combinado, com alguém simpático e sem barba e sem pelos nas costas, tanto melhor. Um programa agradável com companhia agradável, portanto..E aí as coisas funcionam de outra forma. Chamo a isto "invocar" o bom humor recorrendo a um revigorante duche.

Acho bestial que haja alguém que consiga acordar bem disposto ou manter o bom humor ao longo de um dia. Um dia em pleno e marcado pela boa disposição. Tenho o privilégio de conhecer algumas pessoas assim. Infelizmente, e para mim, afigurasse-me um caminho algo complicado, neste actual momento. Não me lembro de alguma vez ter acordado bem disposto. Claro, não estou a contar com as manhãs a seguir às tão agradáveis noites da consoada. Agora que penso nisto, talvez haja uma ligação entre o mau humor e o facto de há uns anos a esta parte receber menos prendas. Ver se não me esqueço de explorar mais este pensamento..

Em paralelo, tentarei de vez em quando passar um dia todo....com boa disposição! Só para variar um pouco.

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quinta-feira, setembro 01, 2011

Saudades

Isto de se ter saudades tem muito que se lhe diga. Obviamente que sinto saudades daqueles que me eram muito queridos e que já partiram deste mundo. Por algum motivo me marcaram. Por algum motivo deixaram boas recordações. Por algum motivo agradável me recordo deles e sinto saudades. Não me parece razoável sentir saudades de alguém que nos fez mal, é claro. Paralelamente também sinto saudades de uma vida despreocupada e sem responsabilidades, em que "jogava ao guelas" (fazendo batota) nos intervalos da escola ou naquelas ocasiões em que não ia às aulas de Religião e Moral para ficar a jogar à bola...ok, tentar jogar. Sinto saudades desses momentos únicos que me marcaram de alguma forma. Mas hoje falarei sobre as saudades de alguém.

A saudade é caracterizada pela privação ou falta de alguém. Esta privação poderá ser temporária (viagem, trabalho no exterior) ou definitiva (morte). Em qualquer um dos casos, havendo uma boa relação com quem se ausenta ou "parte", surge a saudade. Parece-me lógico que qualquer pessoa sinta saudades de alguém. A menos que não goste de ninguém (ou ninguém goste dele) e more longe da civilização dentro da sua carica. Na maioria das vezes, todas as pessoas gostam de alguém. Se disserem que não, estão obviamente a mentir. Também não deixa de ser curioso constatar que aqueles que se dizem mais "duros" e que juram não ter saudades de ninguém....são os que mais sentem a falta de alguém querido. 

Não vejo problema absolutamente nenhum em alguém reconhecer que se sente a falta de outra pessoa. Aliás, só mostra que gosta (ou gostava) dessa pessoa. E que certamente guardará na memória as boas recordações vividas. Momentos únicos vividos com essa pessoa única. 

Saudades é isto. Guardar para sempre alguém dentro do coração.

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