terça-feira, setembro 13, 2011

Despreocupação Ambiental

Há algumas coisas que têm o dom de me deixar perplexo. A despreocupação ambiental vivida nos nossos dias é uma delas. Não será por ser licenciado em engenharia do ambiente que tenho uma consciência ambiental diferente daquela que terá um advogado ou um médico. Trata-se de uma consciência cívica, enquanto cidadão, enquanto habitante do Planeta Terra que, como se sabe, tem vindo a ser alvo de agressões severas ao longo das décadas.

Para mim, há um momento histórico em que tudo mudou. Passo a explicar. As palavras "Revolução Industrial" e "Preocupação Ambiental" não podem ser colocadas na mesma frase na medida em que "não simpatizam" entre si. Afinal, falar-se em revolução industrial ou industrialização e preocupação ambiental é algo que não tenho dúvida alguma que fará o mais calmo e sereno empresário suar das costas. É simples. A um desejável e vigoroso crescimento industrial de determinado sector de actividade económica (gerando maior produtividade e consequentemente maior riqueza), deve estar irmãmente associada uma consciência ambiental de compromisso, por parte de quem "abre os cordões à bolsa". O que não acontece.

Nos dias que correm, assiste-se com uma frequência assustadora à publicação de notícias que versam desastres ecológicos.  Ou desastres ambientais e que comprometem o ambiente. O que ainda consegui perceber muito bem é que tipo de responsabilização existe para um empresário que, com uma descarga de águas contaminadas produzidas na sua empresa, num curso de água local perto da mesma consegue dizimar espécies piscícolas e flora autóctones. Em paralelo, não são raras as histórias de empresas portuguesas que são fechadas com ordem judicial e cujos donos entendem continuar a laborar, assim que os inspectores ambientais e autoridades policiais viram costas. Ou seja, é preferível pagar as coimas previstas na Lei Portuguesa e despreocupadamente continuar a degradar o meio ambiente do que investir nos meios / infra-estruturas para evitar as coimas. Porquê? Porque existe despreocupação ambiental e porque os efeitos da negligência de hoje far-se-á sentir amanhã, nas gerações vindouras. O que lhes poderia custar uns milhares de euros (às vezes nem isso) no sentido de adoptar medidas "pró-ambiente" é facilmente considerado como "dinheiro deitado fora" e até ajuda na compra de um carro novo último modelo. É pena que prevaleça esta despreocupação. Mas o "dia do pagamento" chegará. Talvez não na geração destes "iluminados"...

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