domingo, setembro 11, 2011

Espírito de Equipa

O espírito de equipa é uma característica que devia ser obrigatoriamente integrante da personalidade de cada pessoa. Aliás, quem se provasse não a ter, devia ser colocado numa ilha deserta, onde passaria tanto tempo quanto fosse necessário para "se encontrar" e perceber que como viver em sociedade. E permitindo alhear-se compulsivamente do individualismo egocêntrico.

Sendo simpatizante da causa militar são inevitáveis as comparações ou analogias. Um pelotão tem de pensar e atacar como sendo "uno". Só assim será bem-sucedido e vitorioso. Que seria de soldado, por sua auto-iniciativa e vontade, entendendo que já estava há muito tempo escondido do inimigo, decidir ir sozinho adiantando trabalho e ir "limpando o sebo" a alguns soldados das tropas inimigas para ter tempo de ver o Benfica - Vitória de Setúbal.

Quem cumpriu o serviço militar e/ou em simultâneo frequentou a universidade sabe do que falo. Estas instituições são, por excelência, dois dos locais onde o espírito de equipa está (ou deverá estar) sempre presente. Daí a denominação de "camarada", no meio militar. Significa "amigo", "companheiro" de todas as horas, boas e más. Daí ser constante a inter-ajuda. A título de exemplo, em algumas provas físicas de grupo (e.g.: corrida), é usual designar um camarada que corre melhor como sendo a "lebre" (não é mais que alguém que correndo é escolhido pelos demais camaradas por forma a ser possível incutir e adequar um ritmo de corrida razoável e assim "puxar" pelo pelotão inteiro).

Na universidade experimentei sentimentos antípodas relativamente a este tão desejável espírito de equipa. Em concreto nas alturas em que precisava de apontamentos. Ou mesmo nos exames. Tendo sido dirigente associativo durante um par de anos, é natural que nem sempre houvesse compatibilidade do exercício das minhas responsabilidades académicas com o horário de algumas cadeiras. Como resultado, algumas vezes tive de faltar às aulas e consequentemente tinha de pedir para fotocopiar apontamentos. Ouvia nestes momentos únicos as desculpas mais descabidas que se possa imaginar. Desde pessoas que me diziam que não podiam emprestar porque tinham de ir estudar (sendo que as interpelava enquanto estavam em amena cavaqueira no café a beber umas jolas) ou a velha desculpa de que tinham uma letra horrível e que tinham de passar a limpo para depois emprestar. Esta desculpa tinha mesmo o dom de me deliciar, e fazia surgir em mim a vontade dar uma cabeçada com toda a força no visado(a) por estar a gozar deliberadamente comigo.

Outro momento engraçado era o da realização das provas escritas. Nunca fui pessoa de cabular, como já aqui tive oportunidade de referir num texto. Mas por vezes questionava algum colega em jeito de confirmação de alguma resposta onde tivesse alguma dúvida. E descobria nessas alturas que eram...surdos. Mesmo quando já em desespero de causa aumentava o tom de voz quase a ouvir-se o meu sussurro na sala de aulas ao lado. Impressionante. Já para não falar do clássico exemplo e que evidenciava bem o carácter da pessoa que era..terminar a prova e ir-se embora. Sempre me fez confusão. Então custava muito questionar à sua volta se alguém precisava de alguma coisa?

Infelizmente a falta do espírito de equipa é por mim experimentada no meu no dia-a-dia. Pior. Com pessoas das minhas relações e que em momento algum julguei que fossem individualistas. Como se costuma dizer, é quando se precisa que as pessoas mostram ser quem realmente são. E nem sempre de acordo com o que pensámos.

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