segunda-feira, setembro 26, 2011

Insulares

Começo o texto de hoje informando que nada tenho contra os insulares. Muito pelo contrário. Contudo, com esta mais recente polémica que deflagrou num dos arquipélagos, foram alguns os pensamentos que me "assaltaram" nos últimos dias. São esses pensamentos que me proponho a partilhar.

Um dos primeiros pensamentos tem que ver com a falta de coerência. Tentarei explicar melhor. Se um filho em  crise existencial (e.g.: idade do armário) se zanga com os progenitores e decide sair de casa, não irá ficar à espera que o papá continue a "bancar" a semanada. Isto se tiver um pinga de orgulho, naturalmente. É um pouco aquilo que acontece com um dos arquipélagos. Durante anos lutaram pela autonomia e desvinculação das políticas governamentais seguidas pelo continente. Adoptaram as suas linhas governativas...peculiares, tendo um registo caracterizado pelas "farpas" continuamente lançadas ao continente e aos sucessivos governos no poder. O que é certo é que "iam conseguindo levar a água ao moinho" e o que lhes interessava. Um quinhão cada vez maior e contemplado nos vários  Orçamentos de Estado (OE). E era invariavelmente na discussão do OE que as críticas contra o continente amainavam. Para depois continuarem quando eram satisfeitas as vontades.

Um segundo pensamento tem que ver com o registo do responsável pelo governo regional de um dos  arquipélagos. Truculento. Peculiar. Crítico corrosivo. Por uns amado, por outros odiado. Sem reunir consenso. O que é certo é que se mantém à frente dos desígnios do arquipélago há mais de três décadas. Mas também é importante verificar o mais recente e claro transformismo em consequência do descalabro das contas regionais. Os discursos incendiários deram lugar a discursos serenos e desapareceu a tal tónica corrosiva. Faz algum sentido. A crise que se vive neste arquipélago é consequência da ingerência ao longo das décadas de governação do partido que está no poder. E qual miúdo que faz a asneira e é descoberto, fará sentido que agora, e pacientemente, se aguarde o castigo. A ver vamos se haverá.

O terceiro pensamento, e perdoar-me-ão os habitantes dos arquipélagos, tem que ver com economia. Ao nível nacional. Para mim, que moro em Lisboa, tenho obrigação de pagar portagem sempre que regresso de Porto Brandão depois de comer um arroz de marisco. Os insulares não sabem o que é um portageiro. A taxa normal do iva no continente era, até há meses era de 23%. Nos arquipélagos a mesma taxa do iva é de 16%. Estes são alguns exemplos, entre vários que aqui podiam ser avançados, e que na minha humilde opinião, reflectem algumas benesses que os continentais não têm acesso. É claro que isto consubstancia uma situação injusta entre portugueses e um claro incremento da qualidade de vida para quem mora nos arquipélagos.

O quarto e último pensamento toma-me mais tempo. Questiono-me quem irá pagar o recentemente descoberto buraco financeiro de um dos arquipélagos. É sabido que os insulares não têm dinheiro. Mas não tem problema algum. Pagam os continentais, até porque estão muito abonados na actual conjuntura. Aqueles que moram no continente e de quem os arquipélagos quiserem independência.

Já há muito tempo que defendo que os políticos, enquanto eleitos democraticamente e enquanto gestores de dinheiros públicos devem ser responsabilizados criminalmente. É importante que a responsabilização (a ter lugar) seja exemplar. O que se constata é que quem legisla está de alguma forma conotado(a) com o partido do Governo. Como tal....não interessa legislar em matérias sensíveis...e que a jusante podem jogar contra os próprios. 

Com toda a serenidade e tranquilidade que o momento sugere, o País afunda-se...

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