segunda-feira, setembro 05, 2011

Recomeço do Ginásio

Depois de vários anos sem a prática regular de uma actividade física, resolvi a semana passada voltar a um ginásio. Em concreto à prática da musculação. Em abono da verdade devo confessar que não é inteiramente verídica a minha afirmação da inexistência da prática desportiva nos últimos anos. O que acontece é que se tem aplicado a terceira Lei de Murphy que advoga que tudo o que poderá correr mal correrá. E no meu caso aplica-se sempre. Sou o exemplo vivo dessa dessa Lei no que toca à prática do desporto. Inscrevo-me e passados alguns meses, ainda que tenha uma imensa e óbvia força de vontade na regular prática desportiva, arranjo uma lesão daquelas que me faz interromper repentinamente a tal actividade.

Decidi, como referi acima, optar pela prática da musculação. Até aqui sem grande novidade. Mais a mais há muitos anos atrás "fiz ginásio", em paralelo com a prática de uma arte marcial e pensei, ingenuamente, que a adaptação fosse relativamente fácil. E aqui começa a minha reflexão de hoje...

Optei por um ginásio perto de casa e um pouco "à margem" da escolha óbvia por um qualquer ginásio dessa famosa cadeia de ginásios distribuídos pela cidade de Lisboa (e arredores) e que tem por nome o apelido de um conhecido detective britânico. À semelhança de tantas outras coisas, paga-se (e bem) o nome, e como tal, decidi experimentar durante uns tempos esta minha solução de recurso, em tempo de crise, e em detrimento de quase gastar o subsídio de Natal (que este ano o Governo entende que não devo ter) aquando do pagamento da primeira mensalidade, jóia e seguro para a prática da modalidade. Ah, ainda do aluguer da toalha...

Há alguns anos que não entrava num ginásio. A primeira imagem é aquela que fica, diz o povo e não posso deixar de concordar. Percebi também, e rapidamente, o porquê de ter pago um valor cerca de 9 vezes inferior ao valor que pagaria num desses ginásios "com status". Não existem muitas sensações as náuseas que senti ao chegar ao ginásio. Tive de me agarrar rapidamente ao vão das escadas, tal não era intenso o cheiro a "panelão-de-refogado-de-cebola-acabadinho-de-cozinhar-ali-no-meio-da-sala". Enfim, transpiração. Primeiro estranha-se, e depois...habitua-se. Quem frequenta este tipo de local tem de estar natural e obviamente preparado(a) mentalmente para estas eventualidades. É claro que já não me recordava destes pequenos detalhes. Ou de outros pequenos detalhes como o ser brindado com a possibilidade de observar o fenómeno físico de levantamento das barras de supino que vergam de tanto peso que têm colocadas (as "bolachas", na gíria do ginásio, que não são mais que os discos que se metem em cada um dos lados). Ah, e cujos "atletas" têm de grossura de braço o que eu tenho de perna.

Reconheço que ao longo dos tempos tem sido uma constante a falha de comunicação entre mim e os instrutores de musculação. Não se trata de não falarmos ou de eu não entender o que me é dito pelos mesmos. A questão é que na minha cabeça "tenho uma voz" que me diz que devo e posso fazer mais repetições do que me são ditas para fazer e não raro com mais peso. Dá-me gozo sentir os músculos a trabalhar. Talvez resida aqui a razão pela qual por vezes a prática da actividade desportiva seja abruptamente interrompida em consequência do aparecimento de alguma daquelas lesões musculares inesperadas. Ou por outra, talvez pelo facto de ainda não ter ganho a consciência das naturais alterações no meu corpo....de há uns bons anos a esta parte. E o que era há uns anos, não é uma verdade hoje. Tenho tempo para interiorizar isto.

Tenho levado esta questão muito a sério. Posso também adiantar que já vivi a minha conhecida sensação de preguiça. E certamente tão conhecida de tanta gente que começa a treinar. Explicando melhor, depois de um dia de trabalho e com o calor que se tem feito sentir nesta semana (depois de na minha última semana de minhas férias ter chovidos diariamente) apetece-me tanto ir para o ginásio "puxar pelo cabedal" como de participar na Convenção da Fé da Igreja Maná ali de Alvalade. Onde tenho a certeza absoluta que iria ouvir que ao homem é concedida a possibilidade de fazer o possível e a Deus a benesse de fazer o impossível. Fico imensamente sensibilizado com estas tiradas.

Não me alongarei muito mais neste texto. Para já, e até ver, com dois treinos, tem tudo corrido bem. É certo que já sinto alguns músculos doridos, que por sinal pensei que não existissem. Mas faz parte do processo. Se poderia ser diferente? Poder podia..não tinha era tanta piada!

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1 comentário:

Anónimo disse...

Fico feliz por teres conseguido contrariar aquela ideía "estúpida" (sic) de que não tinhas tempo para conciliar a prática desportiva com as tuas responsabilidades profissionais e demais actividades diárias. Pode ser que esse seja um bom começo... que te leve a reconsiderar também outras "ideías" pré-concebidas relativas à minha pessoa... De tu sabes quem