segunda-feira, outubro 17, 2011

A água quente..

Tenho estado nestes últimos dias fora de Portugal. Como seria normal, alguns dos meus hábitos são alterados. Um deles é a questão do banho antes de sair do hotel. Se quando estou em casa faz sentido na minha cabeça tomar um duche rápido depois de tomar o pequeno-almoço e antes de fazer a barba (o duche quente abre os poros e evita que a minha cara fique tipo bife do acém), já quando estou em hotéis muda um pouco o figurino. Em primeiro lugar, há uma coisa chamada "horário" de pequeno-almoço, que como seria de esperar gosto de respeitar. Em segundo lugar, é para mim impensável ir tomar o pequeno-almoço com o cabelo qual "Don King". Em terceiro e último lugar, à hora da manhã a que costumo tomar o banho no hotel (antes do pequeno-almoço), o meu cérebro ainda está mergulhado num qualquer sonho profundo, pelo que, naturalmente não raciocino.

Na Irlanda (onde me encontro neste momento) e à semelhança do Reino Unido (se a memória não me trai), há um tipo de torneiras misturadoras (aquelas onde se selecciona a água quente ou fria) diferentes daquelas a que estou habituado. Acredito que qualquer irlandês (ou irlandesa) esteja apto para ingressar no curso de astronauta, porque me senti ridiculamente ignorante quando tomei a primeira vez banho neste hotel.

Acabado de sair da cama meti-me logo dentro da banheira. Rodei a maçaneta do lado esquerdo (encarnada - água quente), esperando que a mesma aqueça depressa - note-se que estão cerca de 7ºC de temperatura exterior nestes últimos dias. Que bom, a água aquece depressa e decidi então que era o momento ideal de misturar um pouco de água fria, rodando para tal um pouco a maçaneta do lado direito (azul - água fria).

Nesse momento tenho o chuveiro a deitar água a ferver (a água aqueceu demais) e tenho ainda a torneira que serve para encher a banheira (banhos de imersão) a jorrar água a ferver. Fiquei sem um bocado do meu couro cabeludo e ainda hoje não sinto as plantas dos pés de tão quente estava a água naquele dia. Melhor ainda...A banheira não parava de encher. Resultado: passou-me logo todo e qualquer estado de sonolência que subsistisse e tive de dar um salto da banheira até meio da casa-de-banho. Foi um momento único e que com muito carinho guardarei para o resto dos meus dias. Claro que tive de esperar que o caldo infernal que enchia a banheira se esvaísse pelo ralo. E pacientemente fiz o processo todo de novo. E novo salto até meio da casa-de-banho (até acho que foi um pouco mais, porque escorreguei neste segundo salto). Dois saltos na mesma manhã, antes das 0800H num hotel da Irlanda. Aposto com quem quiser que isto nunca mais vai acontecer a ninguém.

Timidamente comentei este episódio com um dos meus colegas hospedado no mesmo hotel. Intimamente esperei que tivesse uma banheira igual à minha no seu quarto. Não para ir tomar banho ao quarto dele, mas sim para me explicar, já que consegui a mim mesmo provar ser limitado, como tomar banho sem necessariamente ter de ficar sem pêlos no corpo e quase destituído da capacidade de locomoção em virtude de ter queimado as plantas dos pés. Ninguém queima as plantas do pés!

Percebi na conversa que quando rodava as maçanetas estava a ligar tudo aquilo a que tenho direito. Água quente, água fria, torneira da banheira e chuveiro. O débito de água que saía da torneira e chuveiro era tão grande que a banheira enchia muito rápido - daí as queimaduras nos pés. Lá percebi que não é necessário mexer-se nas maçanetas (quando sempre tomo banho há décadas rodando maçanetas) e apenas, na Irlanda e nas terras de "Her Majesty" se mexe na roda grande (ver foto). Controla-se o débito da água e o quão quente queremos a água (tem um regulador) que faz as vezes da maçanetas misturadoras...O que aprendi!

E passei a tomar bons e relaxantes duches matinais. Sem me queimar..

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2 comentários:

Anónimo disse...

a minha imaginação ao ler o q está escrito sobre este tema, foi de uma tal maneira exteriorizante que dei por mim com imensas gargalhadas soltas ao qual demoraram tempo a passar, muito engraçada esta tua forma de escrever, transmitindo a visualização do sucedido.

Anónimo disse...

Fiquei completamente solidária com a questão da misturadora e do escaldão no couro cabeludo e da planta dos pés. Conheço bem o sistema de aquecimento de água na Irlanda, apanhei muitos escaldões e muitas gripes pela dificuldade em encontrar a fórmula certa para tomar um banho decente, ou pelo menos, morno.
Pior, cada casa, cada hotel ou B&B tem um sistema diferente, o que dificulta em muito a aprendizagem e o controle da quantidade e temperatura da água.
Sem falar do tempo de espera que se tem de ter para ter agua quente na maioria das casas, pelo menos duas horas antes temos de ligar um botão e esperar, até passar a vontade.
Escusado será dizer que ninguem toma banho de manhã, principalmente no inverno com temperaturas negativas e humidade que faz crescer cogumelos nas paredes da casa de banho, e não são mágicos, são feios e dão trabalho a limpar.
Ninguém merece!