sexta-feira, outubro 21, 2011

Dramatizações

Desde muito cedo que conheço bem a questão das dramatizações. Porquê, como? De forma simples. Quando eu (ou o meu irmão) nos portávamos mal tínhamos uma conversa com o Sr. Polícia. Basicamente a minha mãe (combinada com o Sr. Polícia), dramatizava uma birra, tornando-a um homicídio massivo e crime punível com prisão até ao fim dos meus dias. Foram várias as vezes que estive para ir preso, por via de responder torto ou de não querer comer a horrorosa sopa de nabo. Ou mesmo o horrível bacalhau cozido.

Dramatizar, inteligentemente, pode ter um bom efeito. Em Portugal prevalece a ideia de quando as coisas estão bem, se deve "aliviar" o empenho, profissionalismo e dedicação. Fazendo jus à máxima "dormir à sombra da bananeira". Não posso discordar mais. Aliás, nunca foi (nem será) essa a minha perspectiva. Contudo, entendo que para algumas pessoas seja necessário um dramatismo das coisas para que sintam a responsabilidade e a necessidade premente de acção.

Por outro lado, o dramatizar excessivamente, numa sociedade como a nossa, não é bom. O alarmismo desnecessário e com uma série de acções associadas, em bom rigor, torna-se desnecessário e vertiginosamente perigoso. O actual momento em que estamos é propício a juízos de valor desse tipo. A profunda recessão económica e a resposta dada pelos grupos sindicais com a instigação das paralisações gerais. Questiono-me...será esta a melhor resposta para o actual momento? Em que os indicadores económicos apontam inequivocamente no sentido da retracção e apatia por parte dos investidores? Não me parece. Donde, a melhor forma de combate é mesmo o dramatismo.

Do acima, decorre que, no meu humilde entendimento, e antevendo algumas análises a médio prazo, as coisas não estarão tão más em Portugal como se tem vindo a dar conhecimento. Não estão boas, é certo, mas tem-se vindo a dramatizar alguns cenários para ver se há a indução da reactividade naqueles(as) que estão mais acomodados(as). É este o momento de reagir. E para isso torna-se necessário o recurso a todos os artifícios disponíveis. Incluindo o dramatismo.

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