quarta-feira, outubro 05, 2011

Feira de Imobiliário

Promover a venda de casas em tempo de acentuada recessão económica, como aquela que se vive actualmente, é como tentar vender a lotaria do Natal num velório.

Foi há poucos dias conhecida a decisão da não realização do salão internacional do automóvel em Lisboa. Motivo? A presente crise económica e um balanço muitíssimo negativo em consequência do volume de vendas de automóveis que, comparando 2011 e o período homólogo de 2010, conduziu a que os grandes construtores não tivessem interesse em ver representada a sua posição neste importante certame. Se há crise, não há dinheiro. Se o dinheiro "está caro" (banca empresta a juros tendencialmente superiores), não há compra de carros. Para quê gastar então dinheiro no aluguer de espaço no salão? Não faz sentido neste momento. Foram avançados valores de 600 milhões de euros de prejuízo no período de tempo que refiro. Um número que o Governo deveria reter. Como "side note", entendo que é um sector que importa dinamizar, incentivar,  implementando medidas imediatas, como sejam, e por exemplo, acabar com a dupla tributação. Mas isso é assunto para outro texto...

O mercado imobiliário está moribundo. Nunca antes foi tão difícil vender casa. Já comprar é diferente, na medida em que se torna possível efectuar bons negócios, para quem nesta complexo momento tenha uma fluidez monetária que permita "bater as notas". A capacidade negocial do comprador aumenta na razão inversa da do vendedor. É uma verdade incontornável. E a disparidade será tanto maior quanto maior for a necessidade em vender a casa.

Numa altura em que se assiste à proliferação dos leilões imobiliários, penso que ninguém terá dúvidas que as agências imobiliárias vão passar um mau bocado. É que enquanto no mercado dos carros, não sendo um bem de "primeiríssima" necessidade, as pessoas conseguem estabelecer uma ordem lógica de prioridades e protelar a troca do "chasso com 12 anos" que lá têm em casa, já no caso dos imóveis a análise é necessariamente diferente. Por vezes há a necessidade de troca de um imóvel por outro maior (aumento do agregado familiar) ou mesmo por necessidade (mudança de emprego e consequente morada) e nestas situações surge a premente troca. O que não é facilitado pelas margens de lucro dos bancos (imposições europeias) que têm sido esmagadas. Não é à toa que os empréstimos são cada vez mais caros.

Acontece que durante cerca de uma década a esta parte houve uma proliferação de agências imobiliárias por esse País fora. Era possível explorar este negócio (assim havia dinheiro e concessão fácil de linhas de crédito). O que sucede actualmente é que não havendo dinheiro para o cumprimento das obrigações para com o banco, opta-se por entregar o imóvel. Ao banco, por sua vez (e após execução da hipoteca pendente no imóvel), não interessa ter o "dinheiro parado". Donde, e logicamente, promove leilões onde é possível efectuar excelentes negócios. Os imóveis são re-avaliados e o custo de aquisição dos mesmos decresce vertiginosamente - o que não deixa de ser sinónimo do quão inflaccionado estaria o mesmo quando comparados os preços de aquisição há uns anos e neste momento...

Com tudo isto, não percebo porque não foi ainda esta feira cancelada. Mais. Seria interessante perceber quais as reais pretensões de quem vai a este tipo de evento. Aposto o que quiserem como só vai passear. E ver as vistas. Mas para isso...ocorrem-me umas 5 formas alternativas de passar uma boa tarde.

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1 comentário:

Aluguer de Carros disse...

Mais uma vez parece que a crise não é para todos. E os maiores gastam e os mais pequenos pagam.