sexta-feira, outubro 28, 2011

Lucros das grandes empresas

É complicado fazer-se um negócio rentável com uma pessoa como eu. Porquê? Porque me considero um bom negociador. Tenho gosto na arte de negociar. De pressionar os vendedores a baixarem os preços e a esmagar as suas margens de lucro em prol de um negócio que naturalmente será mais proveitoso para mim.

Quero com este breve preâmbulo partilhar que dificilmente "compro" algo que me pareça pouco sério ou que seja manifestamente pouco consolidado. Por outras palavras, é muito difícil alguém vender-me aquilo a que o povo normalmente denomina de "banha da cobra". E se alguém me disser que já me vendeu a cobra ou mesmo a banha, terei de dizer logo a seguir se o conseguiu fazer com facilidade.

Não consigo "comprar" a máxima que os lucros das grandes empresas sejam devidamente taxadas. Proporcionalmente ao que são taxados os contribuintes em nome individual. Quando questiono alguns amigos e amigas que estão ligados à área financeira sobre esta matéria, inventam sempre qualquer desculpa (tipicamente a do bolo no forno) e fogem. Ou seja, não tenho até hoje uma explicação razoável e que faça com que uma pessoa intelectualmente limitada como eu consiga perceber como podem as empresas grandes (e são sobejamente conhecidas), em tempo de crise, apresentar relatórios de contas em que há alusão à palavra "lucro" numa qualquer página. É criminoso. E fora de contexto.

A culpa não é das grandes empresas. É sim dos sucessivos Governos que durante anos, em consequência de interesses próprios (ou participações nessas empresas) não desenvolveram ferramentas financeiras que permitissem um controlo efectivo e consequente sanção das empresas que não são devidamente tributadas em conformidade com os seus lucros. Importa referir que nem sempre o que é dado a conhecer traduz a realidade empresarial. Por outras palavras, nem sempre o valor do lucro de uma determinada empresa dado a conhecer é efectivamente o real. Normalmente é bem inferior. Conveniente e logicamente.

Esperemos que nesta época caracterizada por tantas medidas da austeridade as "grandes empresas" também sofram a "mão pesada" deste corajoso Governo. Que sejam taxados exemplarmente. Que haja coragem em falar das coisas com frontalidade e que as contas sejam devidamente "esmiuçadas" por forma a serem claras para todos nós, zelosos cumpridores das obrigações fiscais. Que não se tenha medo das ameaças de deslocalização das empresas para países onde a mão-de-obra é mais barata e onde há um maior incentivo à industrialização e empreendedorismo.  Quem pensa muito nisso, e tem isso em mente, não utiliza o artifício da "chantagem". Fá-lo. E por vezes, feitas bem as contas, as deslocalizações são processos muito onerosos. E que não compensam...além de que comprometem as margens de lucro!

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