sábado, outubro 08, 2011

Nódoas

Quem como eu tem de, ocasionalmente, vestir-se de forma mais formal, percebe a pertinência do desenvolvimento do tema de hoje. Para todos aqueles eventos que, per se, sugerem a necessidade de envergar um fato e usar uma gravata, e que contemplam um beberete ou uma refeição, revestem-se de particular delicadeza e atenção redobrada.

Os azares acontecem e aqui o escriba, como de resto se sabe, é o exemplo vivo de que, quando as coisas podem correr mal, correm. Desde um celebérrimo jantar "volante", em que de pé, a prestar a máxima atenção à conversa de alguém..consegui o feito ímpar de enfiar ponta da gravata no creme de marisco, ou quando um bocado maléfico de paté de sardinha que comi no casamento do João entendeu experimentar a textura do meu blaser, ou, e por fim, os tão usuais salpicos do molho de cogumelos do bife que tão bem me soube no aniversário da Madalena. Nota: Os salpicos perseguem-me. Hoje em dia penso com frequência que um almoço ou jantar sem salpicos não tem o mesmo sabor.

Em qualquer uma das situações que refiro acima, não há grande coisa a fazer. Sou radicalmente contra a utilização de tira-nódoas. Haja santa paciência. Nunca, mas nunca consegui tirar uma nódoa com aquilo. Aliás, consigo outra coisa. Fazer com que toda a gente fique a saber que fiquei "medalhado". E me sugira que peça uma escova ao empregado para tirar o excesso de produto. Normalmente brinco com essa sugestão que me fazem, enquanto mordo vigorosamente a língua (para não enfiar um garfo nos olhos da pessoa) e candidamente menciono que não sei como ainda não me tinha lembrado de tal. Que parvoíce a minha, agora gostar de andar com manchas brancas na gravata ou camisa! Enfim...

As nódoas são das piores coisas que pode acontecer a alguém. Que dizer quando acontecem estas desgraças não havendo tempo para trocar de roupa? Ou momentos antes de uma reunião importante, ou apresentação de um produto / acção de formação? É lindo. As nódoas como que passam a exercer um magnetismo nos olhos das pessoas. Nada mais tem interesse. A imaginação das pessoas deambula no emaranhado das prováveis causas para "aquela" nódoa. Toda a gente fica a saber uma de duas coisas: a) Não sabemos comer ou b) Não temos roupa lavada. "Ah e tal, mas estou longe de casa". De muito pouco vale esta argumentação. Comesse com calma. Tivesse pedido para tirar o molho do bife.

Para finalizar, há ainda lugar a outro tipo de considerações por parte de quem estuda as nossas nódoas (não tendo nada de mais importante para fazer): "Há quanto tempo andará com a camisa assim? Vê-se logo que não tem ninguém em casa que cuide da roupa que veste..ou...Ainda estou para perceber como terá conseguido enfiar metade da gravata na canja..ou ainda...Como será que vai tirar aquela mancha de iogurte das calças?" E por aí fora..

São poucas desculpas possíveis. Ninguém tem desculpa de não saber comer. A única solução passa por seguir o bom exemplo das figuras proeminentes da nossa sociedade e que não se podem dar ao luxo de sujar a roupa durante as refeições. Usar o babete. Ou em alguns caso, lençóis. Pode ser que ajude. E evita figuras tristes. Ou rótulos.

Próximo Tema: Rendimento Social de Inserção

Sem comentários: