Ser optimista nos dias que correm é
quase como ser um larápio numa daquelas convenções anuais da polícia. É
ser audacioso. Corajoso.
Diz-se comummente que é necessário
encarar o dia-a-dia com serenidade e optimismo. Confesso que estas duas
palavras são de utilização algo complicada para mim. Não por gostar de
um registo fatalista ou de vitimização gratuita, mas sim porque tenho de
admitir que nos dias que correm é complicado estar sereno ou ser optimista.
Invejo
as pessoas que vivem num universo paralelo. No mundo da fantasia. Onde
não há dívidas das ilhas que são descobertas e que fazem com que uma
série de contas careçam de ser revistas, por forma a cumprir o acordo
com a União Europeia. Onde não há corrupção nos órgãos decisores da
máquina estatal e onde há um sistema judicial justo e expedito. Onde
todas as pessoas têm acesso a um sistema de saúde que funciona eficiente
e eficazmente. Onde não há pedofilia. Onde não há verba para gastar
dinheiro em obras megalómanas e sem qualquer tipo de interesse em
momento de acentuada recessão económica. E mais exemplos poderiam ser avançados.
Talvez
sejam pessoas mais felizes. Talvez consigam separar o que é realmente
importante do que é naturalmente acessório e supérfluo. Deverá ser esse o
caminho. Para o optimismo. E talvez com vista à obtenção de uma melhor
qualidade de vida. Quem sabe...
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