sexta-feira, outubro 07, 2011

Padrão de Comportamento

Antes de iniciar este pequeno e singelo texto de hoje, devo chamar a atenção para o facto de não existir em mim resquício de pretensão a imiscuir-me no papel daqueles que estudam padrões de comportamentos. Falo naturalmente dos psicólogos, dos sociólogos e todas os profissionais que detêm um conhecimento muito mais aprofundado e consolidado que aquele que este vosso escriba detém.

Feita que está a chamada de atenção, devo informar que percebo alguma coisa de padrões de comportamento (alguma coisa havia de ter ficado das aulas de Psicologia do liceu). Antes de mais, é importante referenciar o facto de existir vários honrosos e importantíssimos casos de excepção. Mas não será destes últimos que abordarei hoje. Na mesma linha de pensamento de alguns estudiosos desta matéria, parece-me complicado (mas não impossível - lá está, um dos tais casos excepcionais) que de uma favela sita num qualquer ponto do mundo saia um Prémio Nobel da Paz. Bem sei que pode acontecer, mas não hesito em avançar que tal poderá acontecer com uma probabilidade tão alta como a do Papa abençoar a utilização de métodos anticoncepcionais. 

Escolhi o exemplo das favelas porque é um clássico, um case study frequentemente utilizado para ilustrar a facilidade com que surge o enriquecimento rápido e a emancipação meteórica no sentido da obtenção do respeito pela comunidade local. E além limites da favela. Também sei que o "proveito" da ilegalidade de muitas favelas é o sustento que permite a sobrevivência das famílias que nela habitam. Apenas subsiste um "pequeno" problema...o modo (ou os meios) utilizados para obter o tal proveito. Na sua quase totalidade, marcados pela ilegalidade.

Este pequeno preâmbulo tem uma razão de ser. Há uma probabilidade grande no surgimento de um padrão de comportamento "a" ser seguido pelos indivíduos dessa mesma comunidade. As pressões sociais, as condições sócio-económicas locais, a falta de oportunidades (leia-se dinheiro para ir estudar para fora), condicionam fortemente o carácter e o comportamento das pessoas. A utilização do pronome reflexo "SE", nesta avaliação, fará toda a diferença. Se houvesse dinheiro tudo seria diferente. Começo e termino assim. Porque na realidade é disso que aqui se fala. Se houvesse dinheiro certamente que não seria escolhida uma favela sem condições de salubridade. Ou um local onde é necessário que 23 habitantes tenham de fazer uma "puxada" de uma antena parabólica comprada pelo "dono da favela" para ver a "novela" das 2100H. Esta é a realidade de muitas famílias. 

E o oposto? Havendo dinheiro. Tudo se passa da mesma forma. Quem cresceu a comer filet mignon e água Perrier não vai certamente achar muita piada se em algum momento lhe puserem à frente um prato de fubá acompanhado de um delicioso copo de água de um qualquer furo próximo. Há também um padrão de comportamento. As férias passadas fora do País. Os bons relógios, os bons carros. Os bons casamentos (se é que existem)... A questão, também estudada pelos entendidos nestas matérias, é a necessidade de certos grupos de indivíduos onde "teoricamente" nada falta (dinheiro, carros, acesso a estudos) enveredarem por via que.....outros grupos, economicamente menos favorecidos usualmente enveredam. E a dada altura há como que ....padrões de comportamento iguais. Incrível, não é? É. Eu sei. Mas é a realidade. Podia escrever um segundo "Tratado de Tordesilhas" com os exemplos que conheço...

Para concluir, não acredito que haja uma "análise hermética" ou compartimentada de certos grupos. Como refiro acima, há vários factores que concorrem para o molde do carácter de um indíviduo e para um determinado padrão de comportamento. Donde, é necessário que os padrões de comportamento sejam esmiuçados. E sejam avaliados individual e profundamente. Sempre.

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