domingo, outubro 23, 2011

Privatizações

Muito se tem falado de algumas importantes privatizações de empresas que terão lugar em breve e nas quais é conhecida uma significativa participação estatal. Para quem "só agora chegou" e não faz ideia do que é uma privatização, é simples. De forma muito simplificada, não é mais que um processo em que tem lugar a compra de uma empresa estatal (ou onde há uma representação expressiva de capital público) por parte de uma empresa privada (ou consórcio de empresas privadas). Em alguns casos, aquando da alienação do capital social há a alusão contratual ao interesse do Estado em alguns negócios. Ou seja, para certos negócios (em que esteja em causa o interesse nacional),  o Estado,  embora sem o poder de veto, (que teria se tivesse uma participação expressiva), exige ser notificado dos mesmos.

O que as privatizações de empresas têm de bom, têm de mau. Se por um lado há um encaixe de dinheiro "interessante" aquando da venda (que será tanto mais interessante quanto mais lucrativa for a empresa em causa). O mapa das privatizações pode ser planeado, pensado e a pouco e pouco executado. Contudo, na actual conjuntura sócio-económica, a sequência destas acções tem vindo a ser precipitada. Ou seja, o Estado precisa urgentemente de encaixar verba, por forma a dotar os seus cofres de aprovisionamento e para fazer face às várias situações de emergência que terá de fazer no curto / médio espaço de tempo. Por outro lado, e numa óptica meramente economicista, deixa de haver a necessidade de alocação de verba pública para empresas estatais cujo modelo de operação peca por obsoleto e nas para as quais a obtenção do lucro é algo que decorrerá num futuro incerto ou longínquo. Naturalmente que se poderia investir na modernização, dir-me-á o meu/minha caro(a) leitor(a) .Afirmativo. Mas os custos associados são demasiado avultados, e nenhum Governo se atreve a sugerir isso na Assembleia da República. Muito menos nesta altura.

O perigo das privatizações, e agora numa óptica sindicalista, tem que ver com uma máxima endeusada por alguns gestores: "É necessário executar o mesmo trabalho com menos pessoas." Por outro lado, há também gestores que conseguem ir mais longe: "É necessário produzir mais com menos pessoas". O advérbio em causa marca a diferença entre um gestor privado que quer garantir a sobrevivência da  sua empresa à custa do óbvio e expectável despedimento de trabalhadores da empresa adquirida e do outro gestor que quer o mesmo, mas com um incremento na produção.

A realidade de algumas empresas actualmente estatais e em breve privadas, aponta no sentido do defendido pelo segundo gestor. Ou seja, será necessário produzir mais com menos pessoas. Para tal, haverá uma "selecção natural" dos colaboradores mais aptos para enfrentar esta realidade. Em tempo de guerra não se limpa armas, reza o adágio popular, e os investidores estrangeiros exigirão aos trabalhadores portugueses o mesmo índice de produtividade registado nos seus países. O que configura, per se,  uma série de convulsões laborais, alimentadas e instigadas pelos sindicatos. 

Os portugueses não estão habituados a trabalhar com disciplina e rigor. Trabalham muitíssimo bem sob pressão. E isso, para alguns investidores estrangeiros não é forma de trabalhar. Além do mais serão estes últimos quem vai ditar as regras do jogo. E vai a jogo quem quiser...quem não quiser...conhece o caminho para a rua.

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