terça-feira, outubro 25, 2011

Rescisões

Sempre se ouviu falar das rescisões. Rescisão, por definição, é a anulação de um contrato de trabalho. E pode acontecer uma de duas situações: rescisão amigável ou rescisão não amigável.

No mundo ideal todas as rescisões deviam ser amigáveis. Era mesmo excelente. Ganharia o trabalhador,  que levaria para casa o produto equivalente aos anos de trabalho e o seu vencimento mensal. É lógico há 900 anos atrás, em altura de "vacas gordas" esse montante era suficientemente aliciante para que o trabalhador pensasse em mudar-se de armas e bagagens para as Maldivas para beber "mojitos" e procriar qual mamífero orelhudo com os incisivos centrais do tamanho de raquetes de ténis. E claro, nunca mais na sua desafogada vida pensasse em pedir "trocos" à empresa. Durante a actual encarnação e as próximas cinco.

Acontece que as coisas mudaram. O que era realidade há uns anos atrás, hoje em dia, e infelizmente, não o é. Até o pequeno mamífero anda com a seu "nome na lama"... Fruto da crise. E naturalmente da falta de moral para fazer o que quer que seja. No antigamente, por altura do tão desejado e esperado cálculo das rescisões amigáveis, era tido em consideração o melhor vencimento desse trabalhador, bem como outras variáveis necessárias. O resultado final, como referi anteriormente, era suficientemente "generoso" para que o trabalhador não precisasse da reunião familiar para decidir se era o momento certo para "ir para casa" gozar os rendimentos. Hoje em dia não é assim.

Hoje em dia não há rescisões amigáveis. Há rescisões compulsivas. A um ritmo de fecho de 10 empresas por dia, é natural que o número de processos de insolvência que dá entrada nos tribunais seja superior ao número de peregrinos que ruma a Fátima por altura do 13 de Maio. Quando assim é, (e é deliberada judicialmente a insolvência), o processo de indemnização dos trabalhadores é moroso. Aliás, em primeiro lugar há outras partes interessadas - nomeadamente as que terão a haver mais dinheiros (accionistas e Fornecedores). E assim sendo, pessoas que descontaram durante séculos, vêem-se de um momento para o outro sem rumo. O que poderá assumir contornos muito preocupantes em idades a partir dos 40 anos...

Em empresas com a chamada "visão" e que se pautam pela seriedade há lugar para, em tempo devido, ter lugar uma explicação dos acontecimentos aos trabalhadores por parte da Administração. Seja qual for a forma. Escrita ou em plenário. Explicar a sequência de acontecimentos que se sucedem não é vergonha para ninguém e ajuda as pessoas a perceberem aquilo com que podem contar. 

Quando não há mais volta a dar, surge a chamada para ir ao gabinete dos Recursos Humanos (RH). Consigo imaginar o responsável dos recursos humanos consiga mostrar o seu melhor sorriso condescendente e preocupado com aquele tipo que tem à sua frente, que nunca viu na vida e cujo nome sabe porque está escrito numa lista como um dos que irá receber uma quantia simbólica de rescisão. Consigo também perceber que há lugar à "mise-en-scène" do tal clássico papel que surge misteriosamente de uma pasta ao lado da mesa e que é colocado com as letras para baixo em cima da mesa. O "coelho sai da cartola" quando é avançado o valor que irá ser pago, como reconhecimento dos 44 anos que aquele funcionário dedicou à empresa. E que feitas bem as contas, em vez da mudança para a tal ilha no Oceano Índico dá para ir passar um final de semana para dois nas termas do Carvalhal. Com direito ao extra (já na loucura) do banho escocês.

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