sábado, outubro 15, 2011

Ursos

Há coisa de dois ou três dias atrás vi na televisão um desses documentários sobre vida animal. Desde o primeiro minuto que me interessou, como aliás acontece sempre. Tratava-se de um documentário narrado na primeira pessoa, de alguém que tinha dedicado grande parte da sua vida ao estudo dos ursos que habitam numa determinada região da América do Norte. O entusiasta e estudioso da espécie contava seguramente mais de 80 anos de idade. Movia-se com maior e invejável agilidade que aqui o escriba e tinha dedicado mais de 20 anos ao estudo do urso. Neste caso uma ursa fêmea.

No documentário percebi que esta ursa era prevaricadora. Teve duas ninhadas (cerca de dois anos filmagens para a realização do documentário), sem que em momento algum se tenha visto quem era(m) o(s) urso(s) felizardo(s) e que tinha(m) contribuído com as "sementes". Talvez fosse um urso "vip" que preferiu manter o anonimato. Nota: Há aliás vários "ursos" que procedem de igual forma, não fazendo parte do reino animal... preferem manter o anonimato e ir vivendo "amantizados". E mantêm a ursa..perdão...legítima mulher em casa a cuidar dos filhos(as). Adiante...

Voltando à "June", a tal mãe ursa. O documentário focou em especial uma das ninhadas constituída por 3 crias. Creio não ser difícil imaginar um urso de peluche. Da mesma forma não será complicado imaginar um urso real com pouca idade e chega-se com facilidade a uma imagem terna. Até um coração de pedra amolece ao ver este quadro familiar engraçado, da ursa com os filhotes. O tal ancião, a dada altura, colocou um emissor de sinais rádio no pescoço de um dos ursos pequenos, por forma a ser possível localizá-lo em caso do mesmo decidir ir investigar "outras paisagens". É engraçado ver o urso pequeno com o tal localizador (quase maior que ele) e depois assistir ao seu crescimento.

Uma das situações que me deixa um pouco angustiado quando vejo estes documentários é o facto de criar laços afectivos com os bichos. É verdade. Gostei logo da June (ainda que não fosse certa daquela sua cabeça) e gostei muito das suas crias (com toda a certeza de progenitores diferentes). Não me recordo do nome deles, sou sincero, mas não tinha problemas em levar um para minha casa. Aliás, já pensei em roubar o urso de uma conhecida rede de lojas que há nas grandes superfícies comerciais. Só para lhe fazer festas na barriga. A minha angústia, e voltando a falar a sério,  tem que ver com a ordem natural das coisas. Ou com a interferência do "bicho homem" na cadeia alimentar. E quando assim é...a mãe natureza nada pode fazer. 

Há três situações que decorrem destes documentários: uma delas a vontade de alguém em estudar uma espécie em vias de extinção, sendo que para tal dedicou quase um quarto da sua vida. Acho louvável. Outra realidade, o facto de ser muito verdade a máxima de "Deus dá, Deus tira". Uma das crias morreu com o alojamento de uma bactéria mortífera no estômago. Por último, a caça desta espécie. Como se sabe, nesta região do mundo é frequente haver a caça do urso. E claro. Acontece o pior. A dada altura uma das crias é abatida por um caçador e como sempre custou-me um bocado (grande) a vê-la a ser arrastada pelo mesmo para cima de uma pick-up.

Sobreviveu a June e uma das crias, que se percebe pelo decorrer do documentário que mais cedo ou mais tarde abandonará a mãe. É normal. O programa acaba com o estudioso a dizer que vai continuar a estudar os ursos, e que hoje em dia o período da temporada de caça diminuiu consideravelmente, o que per se reflecte um aumento da esperança média de vida dos ursos na América do Norte. Ah..e antes do derradeiro final do programa, percebe-se que a June está de novo grávida. Muito bom...

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