Há peditórios por tudo e por
nada. Esta é uma realidade que me faz repensar continuamente o conceito de peditório, que terá
conduzido a que, há algumas largas centenas de anos alguém tivesse a
ideia de organizar peditórios.
Desde as 100 associações de
bombeiros portuguesas, passando pelas 500 organizações humanitárias
(intituladas não governamentais e sem fins lucrativos) há uma miríade de
exemplos que aqui podiam ser referidos. O "denominador comum" acaba por
ser um só: o tornar possível serem obtidas contribuições monetárias ou
em géneros (bancos alimentares) por partes de "ilustres" desconhecidos
que estão num sítio certo e numa determinada hora.
Tal como referi num texto anterior, não dou esmolas. Nem tampouco contribuo para peditórios. E explico o porquê. Nunca me é dado a conhecer o resultado final. Não se trata de desconfiar do trabalho dos outros. Nada disso. Mas sim de esperar uma justificação final , do tipo: "Com os 3 milhões de euros que a associação X conseguiu juntar no peditório que decorreu entre os dias Y e Z foi possível construir uma série de apartamentos em banda. Ou que destino final terão as 15 tonelada de alimentos que se conseguiu juntar "à boca" das caixas dos hipermercados durante o mês de Abril. Conhecem? Eu também não.
Todos os anos me entregam os sacos à porta do hipermercado para doar o que quiser e na medida das minhas possibilidades. Invariavelmente declino o saco plástico. Exactamente pela razão que aponto acima. Não sei para quem / onde vão os víveres reunidos. Nunca soube quem foi alimentado. O mesmo se aplica aos peditórios de todas as associações de bombeiros que me interpelam nos semáforos de Lisboa. Curiosamente não vejo camiões dos bombeiros novos. Andam invariavelmente com fardas que me fazem lembrar a guerra dos 100 dias de tão desbotadas estão e laboram em edifícios decrépitos e em más condições de conservação...Enfim. Julgo que o caminho é haver mais informação, mais comunicação, para que as pessoas como eu, que gostam de ver onde o dinheiro é aplicado sejam informadas. É justo.
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1 comentário:
É tudo uma simples questão de procurar a informação. Basta contactar a Associação para saber. Ou receber as suas comunicações. Eu participo. E sim, eu sei para onde vai a comida. É preciso ver as coisas pelo outro lado, de quem abdica de muitas horas da sua vida e do seu orgulho para ir pedir ou colaborar. Pedir pelos outros, sejam humanos ou animais.
Carla
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