sexta-feira, novembro 25, 2011

Piquetes da Greve

Sempre achei piada à figura do "piquete da greve". Piada no bom sentido. Trata-se de uma peça essencial na consecução do objectivo final que é a realização de uma greve. Com máxima adesão. Como de resto se quer.

O piquete da greve é constituído por colegas de empresa. Não é qualquer desconhecido que vai ali a passar na rua e é nomeado para fazer parte do tal piquete. São colegas de empresa, que durante os restantes dias (que não o(s) dia(s) da(s) greve(s)) almoçam ao nosso lado. Recebem do mesmo patrão. Em alguns casos conhecem-se as famílias. Ou seja, há um elevado grau de intimidade. Afinal, e quando ao mesmo nível hierárquico, todas as pessoas são iguais. Quando além da relação profissional há também uma relação pessoal, há uma ligação mais forte. Lógico.

Em dias de greve as coisas mudam naturalmente de figura. Os tais conhecidos deixam de o ser. O colete "piquete da greve" faz toda a diferença. É como que vestir uma capa de "decisor sumário". Ali, à porta das empresas, ou nos parques de estacionamento (e.g.: parques de camiões de mercadorias, camiões de resíduos, etc.). E não devia ser assim.

Na minha opinião pessoal, e mais uma vez, não reconheço qualquer autoridade a um piquete da greve para impedir quem quer que seja de ir trabalhar. Em momento algum, em circunstância alguma, posso admitir que alguém seja impedido de trabalhar. Todas as pessoas têm (ou deverão ter) autonomia e discernimento para decidir o que fazer. Se querem ou não trabalhar. No caso de não quererem trabalhar, não podem impedir que quer trabalhar que o faça. Não devem. A violência física, em caso extremo, que por vezes tem sido aplicada para aqueles que querem trabalhar pode funcionar ao contrário. Ninguém terá dúvidas que legitimamente.

Há canais próprios para dar a conhecer a não concordância com determinadas políticas implementadas. por exemplo, as reuniões com a Tutela. Que culpa têm as pessoas que querem trabalhar do não entendimento entre sindicatos e o Governo? Não entendo. Porque razão haverão os demais trabalhadores, os que querem trabalhar ser prejudicados? Faz-me lembrar os tempos de liceu. Em que a minha turma fazia boicote a uma determinada cadeira porque a Professora chegava invariavelmente atrasada. Nunca fui embora 1 segundo após o "segundo toque" para a entrada. Cheguei a assistir sozinho a uma aula, juntamente com outro colega, após a Professora ter chegado meia hora atrasada à sala de aula. E nunca faltei.

Não serei o exemplo máximo de verticalidade. Mas sou alguém que se pauta por valores firmes. Não posso impôr a minha vontade a quem pensa de forma diferente da minha. Para o bem de todos. E para o meu próprio bem.

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