terça-feira, novembro 08, 2011

Sabatinas

Durante a faculdade, uma das formas que encontrei para concluir com aproveitamento algumas cadeiras foi o recurso às sabatinas. Poderá parecer estranho que haja cadeiras num curso de engenharia que convidem à realização de sabatinas, mas é sabido (ou devia ser) que este tipo de cursos técnicos não têm somente cadeiras com números. Há efectivamente algumas que apelam à compreensão, ao desenvolvimento do raciocínio lógico por forma a ser tornado possível, quiçá, emitir um parecer técnico sustentado e profissional numa qualquer Câmara Municipal do País!

Lembro-me de umas 3 ou 4 cadeiras durante o curso em que recorri com o Pedro (meu camarada destas lides) a este tipo de estudo. Especificamente uma cadeira relacionada  com o "solo". Compilámos uma série de exames de anos anteriores, fomos a todas as aulas (teóricas e práticas), trocávamos apontamentos, estudávamos afincadamente para os mini-testes durante o semestre e preparámo-nos para o exame final como se não houvesse amanhã. Acredito que um astronauta que queira concorrer para a NASA não tivesse a preparação que tivémos e conseguisse decorar o que decorámos.

A questão é que, quer eu quer o Pedro éramos repetentes nessa cadeira. A docente era uma pessoa tão acessível quanto será o Obama enquanto homem mais poderoso do mundo, e era detentora de um sentido de humor que fará do ilustre Marechal Ramalho Eanes um verdadeiro humorista de craveira. Donde, reunidas estas condições para um excelente desafio, faria sentido uma grande aplicação da nossa parte.

Desde a sebenta integralmente decorada (sem estar a exagerar, foi toda decorada), bem como foi  desenvolvida a memória fotográfica - conseguindo fazer inveja a espiões da KGB - passando pela elaboração de exames dificílimos onde era inclusive avaliada a colocação da pontuação (em confronto com a sebenta), muitos foram os finais de semana inteiros a estudar para depois questionarmos um ao outro...e claro, fomos presenteados com bons resultados. Merecidos, de resto. Dois 17 valores, sendo que um 13 valores já era uma nota excepcional com esta docente em causa. Nunca imaginou ela que fosse capaz de dar esta nota. Nem tampouco eu e o Pedro tínhamos conhecimento do que somos capazes quando queremos algo. Bastou querer e acreditar!

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