segunda-feira, dezembro 19, 2011

Espírito de Missão

Ter espírito de missão, nos dias que correm, é ser superior à tentação de seguir o caminho mais fácil. É conseguir ultrapassar os obstáculos do quotidiano sem ceder. É continuamente mostrar profissionalismo, espírito de inter-ajuda, espírito de sacrifício e abnegação. Mostrar que se é capaz e competente para aceitar a missão que lhe foi atribuída.  É, em tempo de crise, arregaçar as mangas e produzir mais. Não ser necessário que seja o Governo a impôr mais meia hora de trabalho aos trabalhadores. Partir do trabalhador esse esforço adicional.

Já aqui referi recentemente que o direito ao trabalho está constitucionalmente consagrado. Mas, por outro lado, não está escrito em lado algum que a entidade patronal tenha de manter em funções um trabalhador que não traz qualquer mais-valia para a organização. Este é o grande problema dos portugueses. Têm para si que são insubstituíveis e que são imprescindíveis nas organizações. Até ao dia em que rola a cabeça de uma daquelas pessoas que já faz parte da mobília e que se julgava intocável. Só nessa altura as pessoas acordam.

Nenhuma empresa é obrigada a dar trabalho a quem quer que seja. Já o trabalhador é obrigado a dar o seu melhor para manter o seu posto de trabalho. É aqui que entra o tal espírito de missão. Necessariamente imune às vozes dissonantes de grupos que tentam dissuadir os trabalhadores responsáveis de levarem a cabo um trabalho profissional. São os medíocres, os maus profissionais, aqueles que erradamente pensam que a empresa é obrigada a manter o seu posto de trabalho que contestam. Que reivindicam. E que acham que espírito de missão é treta.

Pois bem, tenho a informar que se este Governo levar a cabo as medidas que apregoa, esses iluminados vão todos para o olho da rua. Vão fazer as greves que quiserem nos Domingos à tarde, ali para o Rossio. E deixando trabalhar quem quer trabalhar.

Próximo Tema: Ser do contra

Sem comentários: