quarta-feira, dezembro 28, 2011

Festa da Passagem de Ano

A última palhaçada do ano. Como não podia deixar de ser. Como se já não bastassem umas 50 palhaçadas ao longo do ano, mais uma para acabar qualquer ano em beleza.

Sinceramente, não entendo qual é a piada da passagem do ano. Nunca entendi, para ser sincero. Mais um dia que se passa e que segundo o calendário gregoriano que me foi dado a conhecer na longínqua primária, simboliza a passagem do último dia do mês de Dezembro do ano transacto para o primeiro dia do mês de Janeiro do ano subsequente. Até aqui nada de novo. Porque razão não se festeja a passagem do último dia do mês de Março de todos os anos para o primeiro dia de Abril? Não entendo. Qual é a piada de o fazer no último dia do ano? Nenhuma.

À semelhança de tantos outros eventos sem interesse algum e que têm lugar ao longo do ano, também a passagem de ano é um verdadeiro momento de consumismo e hipocrisia. Em primeiro lugar o consumismo. Vejo empresas como a dos frutos secos de das passas, pinhões e nozes "florescerem" ou terem índices de lucro meteóricos. Quando no resto do ano passam pelas ruas da amargura e com lucros que devem resultar apenas da exportação para países terceiros. E com a crise que o mundo atravessa os lucros mal devem pagar os custos de produção (e transporte associado) destas empresas.

Outra das indústrias igualmente lucrativas é o das bebidas espirituosas.  Estas talvez mais lucrativas que a indústria dos saborosos e calóricos frutos secos, até porque há mais festividades que têm de ser regadas com champanhe ou espumante durante todo o ano. Há pessoas que não sabem a diferença entre entre um champanhe bruto e um champanhe semi-seco. Mas não será aqui e agora que irei fazer a destrinça. E a partir das 2000H (ou até mais cedo) no dia de 31 de Dezembro começa a maluqueira. E claro, o jantar pela noite dentro. Há casos em que os "convivas" já passam a meia-noite do ano novo de tal forma etilizados que só ficam sóbrios 4 dias depois. E sem saber que já dobraram o ano. Ou quando o fizeram.

Por último a hipocrisia. Como é que alguém este ano vai, em consciência desejar um bom ano a outra pessoa que esteja ao seu lado? Não consigo perceber. Não é ser hipócrita? Com esta crise e depois de parte do subsídio de férias ter ficado cativo? Eu acho que é. Há alguns anos que digo que o ano novo seja melhor que o anterior. É o máximo que consigo dizer. E não preciso de bater nas panelas. Ou de a andar a lançar fogo de artifício (ou  a apanhar as canas). Desejo bom ano a quem tenho de desejar e vou dormir. Amanhã é outro dia. No ano novo.

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