quarta-feira, dezembro 21, 2011

Pôr a mesa

Pôr a mesa é algo que faço há muitíssimos anos. Diria mesmo que desde que passei a conseguir colocar as coisas em cima da mesa (como seria normal e expectável).

Esta singela (mas nem por isso menos importante) tarefa doméstica foi durante décadas motivo de discórdia entre eu e o meu querido irmão. Discussões acesas em consequência do não cumprimento de planeamentos acordados verbalmente entre ambos. Ou seja, combinávamos que um de nós punha a mesa ao almoço e o outro levantava. Numa semana. O problema era a memória de ambos ser curta o que originava logo confusão.

Uma das coisas que mais me irrita, quando estou numa refeição, é o ter de me levantar da mesa. Detesto. Prefiro perder mais uns segundos a pôr a mesa do que durante a refeição ter de me levantar. Dá mais trabalho? Dá. Mas consigo ter uma refeição em paz. A melhor analogia que consigo avançar é a de um "4 patas" que alegremente se banqueteia com o focinho mergulhado na sua gamela. A privação da gamela neste momento da refeição pode ser como consequência uma ferroadela que faz ver estrelas. Eu não mordo, naturalmente, mas analogamente fico muitíssimo mal disposto. São várias as situações que já me fizeram levantar: um telefone esquecido numa outra divisão da casa que não aquela onde está naquele momento, e que começa insistentemente a tocar como se alguém estivesse a ser queimado com ácido clorídrico e que me deixa à beira de um colapso nervoso - ou o ter de me levantar porque falta alguma coisa na mesa: desde sal, a pinça para a salada, o pão, etc. 

Desenvolvi recentemente uma metodologia infalível para que ninguém me consiga fazer interromper a refeição. Mentalmente, durante semanas, desenvolvi um esquema mental para elencar quais eram os items que normalmente estavam em falta e eram pedidos quando estava entre a 2ª e a 3ª garfada de comida. Comecei a interiorizar essa lista e disciplinei-me no sentido de a pôr em prática, o que quer dizer, em termos práticos, de colocar as coisas na mesa. Fui mais longe. Coloco também coisas que não são primariamente necessárias, o que faz com que a mesa do jantar se assemelhe à confusão arquitectónica que caracteriza o Parque Expo.

Com o tempo, e na medida em que já estou "calhado", consigo pôr uma mesa completa em menos de 3 minutos. É claro que pelo meio há aqui uns exercícios de contorcionismo, com pratos, copos, talheres, guardanapos, pão, vinho, telefones a ser tudo carregado de uma só vez (na óptica de optimização do tempo). Mas resulta...

...e são cada vez mais raras as vezes que me levanto. E me deleito nas refeições...

Próximo Tema: Respeitar o Espaço

1 comentário:

Anónimo disse...

Já tinha comentado este texto, mas quando carreguei em pré-visualizar não selectionei anónimo e o texto não deve ter ficado publicado.

Vou tentar reproduzir o que escrevi...

Tenho uma solução, para evitares a confusão arquitectónica das mesas de refeição e assim deixares de sentir que tens o parque Expo á tua frente.

O carrinho de apoio, este "ajudante" por assim dizer, serve mesmo para evitar essa confusão gerada em cima de uma mesa.
Assim deste modo, colocas o que é primáriamente importante, ( pratos, copos, talheres, guardanapos, bebidas, pão e comida), o resto que também pode ou não fazer falta para a refeição, colocas no carrinho de apoio.
A mesa deixa de ficar congestionada, assim como, tens sempre á mão o que pode ou não fazer falta.
Depois de terminares a refeição, o carro ainda te pode ajudar a transportar as coisas para a cozinha, no caso de te encontrares na sala, ou para junto da maquina de lavar, frigorifico, bancada da cozinha ou afins.
Eu tenho um carro destes, tenho a dizer que dá muito jeito, é muito acessivel, facil de arrumar porque se dobra e encontra-se em grandes supercieis, como o IKEA.
Beijo
Cati